Na maior parte do Brasil, a uva é colhida no verão. Em Espírito Santo do Pinhal, na divisa de São Paulo com Minas, ela é colhida no inverno, entre os cafezais que fizeram a riqueza da cidade há mais de cem anos. Saber o que fazer em Espírito Santo do Pinhal é juntar essas duas histórias: a do café, que deixou um teatro dourado, uma estação de trem e igrejas pintadas, e a do vinho, que transformou a região num dos destinos de enoturismo mais comentados do Sudeste.
A cidade fica a 202 km de São Paulo. Foi fundada em 1849, em terras da antiga Fazenda do Pinhal, onde as araucárias dominavam a paisagem, e virou município em 1883. Muitas araucárias continuam lá, espalhadas pelas praças e jardins.
O que fazer em Espírito Santo do Pinhal começa no Theatro Avenida
O grande orgulho da cidade é o Theatro Avenida, inaugurado em 1927. Era ali que a sociedade pinhalense, enriquecida pelo café, se reunia para peças, concertos e bailes. Tombado pelo Condephaat, o teatro preserva a arquitetura rica em detalhes e segue em plena atividade.
Por dentro, a plateia de poltronas vermelhas é cercada por balcões curvos, e o teto dourado, iluminado por dezenas de luzes, dá a sensação de entrar num teatro de cidade grande. Vale olhar a programação e, se possível, assistir a alguma apresentação. É a melhor forma de ver o teatro como ele foi pensado: cheio de gente.
O prédio fica no centro, perto das praças e da Matriz, então dá para encaixar a visita no roteiro a pé. Se não houver espetáculo no dia, vale perguntar na entrada se é possível dar uma espiada na plateia. A primeira impressão, ao ver os balcões e o teto acesos, costuma ficar na memória de quem visita a cidade.
A estação da Mogiana
O café precisava de trilhos, e a Companhia Mogiana chegou a Espírito Santo do Pinhal para levar as sacas até o porto. A antiga estação, de paredes amarelas e longa cobertura sobre a plataforma, é um marco da cidade.

Os trens de passageiros pararam de circular em 1961. Depois disso, a linha ainda serviu por um tempo como desvio industrial para uma refinaria de milho, e o prédio passou a ter uso turístico e cultural. Mesmo sem trens, a estação conserva as características da época e é um ótimo cenário para fotos. Quem gosta de ferrovia pode conhecer outras paradas no nosso roteiro de estações históricas do interior.
A matriz pintada e a praça das araucárias
No centro, a Igreja Matriz do Divino Espírito Santo começou como uma pequena capela e ganhou o status de matriz em 1886. O interior impressiona: colunas coloridas, arcos inteiros cobertos de pinturas, lustres pendurados e um piso de ladrilhos desenhados que conduz até o altar.

Um dos objetos mais curiosos da igreja é o relógio, importado da Alemanha. Na frente, a Praça da Independência reúne palmeiras, araucárias e um chafariz, além de um monumento ao cardeal Dom Sebastião Leme. É o lugar mais movimentado da cidade, bom para um café e para observar o vaivém.

Perto dali, na Praça Rio Branco, fica o Palácio do Café, um prédio imponente que lembra a força econômica do grão na cidade.
Uma escola tombada e o santuário da zona rural
Um prédio que surpreende quem passa é o da Escola Estadual Dr. Almeida Vergueiro, tombado pelo Condephaat. Foi a terceira escola de segundo grau criada no estado de São Paulo, e a fachada, com detalhes em tijolo, janelas em arco e jardim de araucárias, parece mais de um palácio que de um colégio.

Já na zona rural, o Santuário de Santa Luzia recebe fiéis o ano todo, e principalmente nas festas religiosas. A capela foi inaugurada em 1908, a partir de uma imagem de Santa Luzia em tamanho natural, feita de biscuit e trazida da Itália. Ampliada nos anos 1950, virou santuário em 2013. Por dentro, as janelas em arco ogival e a pintura sobre o altar criam um clima de recolhimento.

O que fazer em Espírito Santo do Pinhal para provar café e vinho
O café segue sendo parte da identidade da cidade, e os cafés especiais da região são motivo de viagem por si só. Entre julho e setembro, época da colheita, os cafezais ficam movimentados, e várias propriedades e cafeterias servem grãos produzidos ali mesmo.
A novidade das últimas décadas é o vinho. A Vinícola Guaspari, uma das pioneiras da região, adotou a técnica da dupla poda, que faz a videira dar frutos no inverno, quando os dias são secos, ensolarados e as noites frias. O resultado são vinhos premiados, e a vinícola recebe dezenas de milhares de visitantes por ano em visitas guiadas com degustação. Hoje, a região já tem cerca de 50 projetos de vinícolas. Agende antes de ir, principalmente nos fins de semana.
Roteiro de um dia: o que fazer em Espírito Santo do Pinhal
Comece pela manhã no centro, com a Matriz, a Praça da Independência e o Palácio do Café. Siga até a escola e a estação da Mogiana. Reserve a tarde para a vinícola ou para uma fazenda de café e, à noite, confira se há espetáculo no Theatro Avenida. No fim da tarde, o Lago Municipal, com pista de caminhada e uma fonte luminosa, é uma boa pausa.

Pinhal combina com outras cidades da região. A menos de uma hora fica Águas da Prata, com fontes e cachoeiras. Quem gosta de vinho pode comparar com o tradicional roteiro do vinho de São Roque e com a vinícola de Amparo.
Sentar num teatro de 1927 depois de provar um vinho colhido no inverno é perceber que, em Espírito Santo do Pinhal, o passado do café e o futuro do vinho cabem no mesmo dia.




