10 estações históricas do interior de SP com torre de relógio, prédio belga e Maria Fumaça

Estação ferroviária de Guaratinguetá, de tijolos vermelhos e faixas claras, com torre central de relógio e telhado de ardósia, ao lado dos trilhos
A estação ferroviária de Guaratinguetá, inaugurada em 1914. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O café fez o interior paulista crescer em cima dos trilhos, e as estações históricas que ficaram pelo caminho contam essa história até hoje. Entre o fim do século 19 e o começo do 20, as companhias ferroviárias levaram estações a dezenas de cidades, e muitas delas foram construídas para impressionar, com torres de relógio, tijolo aparente e ferro trazido da Europa.

Os trens de passageiros sumiram quase todos, mas boa parte desses prédios continua de pé e aberta ao público. Algumas viraram centro cultural, outras guardam museus ferroviários gratuitos, e em duas delas ainda dá para embarcar numa Maria Fumaça. Separamos dez estações históricas do interior de SP que valem o passeio, do Vale do Paraíba ao centro do estado.

1. Estação Cultura, em Campinas, com torre de relógio

A estação de Campinas foi inaugurada em 11 de agosto de 1872, quando a Companhia Paulista abriu a linha que ligava a cidade a Jundiaí, para escoar o café da região. Em 1884, o prédio foi reconstruído no estilo gótico vitoriano, com tijolos vermelhos, detalhes brancos e a torre do relógio que virou símbolo do centro da cidade.

Prédio de tijolos vermelhos da Estação Cultura, em Campinas, com torre de relógio pontiaguda, uma das estações históricas do interior de SP
A Estação Cultura, antiga estação da Companhia Paulista em Campinas. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Hoje ela se chama Estação Cultura, fica aberta ao público durante o dia e, à noite, recebe shows, apresentações de dança e eventos como a Virada Cultural. Para fechar o passeio de trem em Campinas, a Maria Fumaça sai da Estação Anhumas, no outro lado da cidade, nos fins de semana.

2. Guaratinguetá, uma das estações históricas mais bonitas da Central do Brasil

No Vale do Paraíba, a estação de Guaratinguetá foi inaugurada em 1914 e já nasceu com fama de ser uma das mais bonitas de toda a Estrada de Ferro Central do Brasil. É a terceira estação da cidade, construída depois de um acordo entre a ferrovia e a prefeitura.

O prédio tem forte influência vitoriana: tijolos aparentes, telhado de ardósia, janelas e portas em arco e uma torre central com quatro relógios, um para cada lado. A estação é uma das atrações mais procuradas da cidade, e os trens de carga continuam passando pela linha ao lado da plataforma, o que rende boas fotos.

Locomotiva de carga azul e amarela passando ao lado da plataforma coberta da estação de Guaratinguetá
Trem de carga passando pela plataforma da estação de Guaratinguetá. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

3. Guararema, onde a Maria Fumaça parte da estação de 1891

A Estação Central de Guararema, a cerca de 80 quilômetros da capital, foi inaugurada em 1891 pela Central do Brasil, em estilo inglês, com platibanda decorada e uma marquise comprida sobre a plataforma.

Fachada da Estação Central de Guararema, de 1891, em vermelho e amarelo, uma das estações históricas com Maria Fumaça em SP
A Estação Central de Guararema, de 1891. Foto: OS2Warp / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Nos fins de semana, a locomotiva 353, fabricada em 1927 nos Estados Unidos, puxa os vagões por cerca de 7 quilômetros até a Vila de Luís Carlos, com casinhas coloridas que já serviram de cenário para filmes. O passeio completo está no artigo sobre Guararema.

4. Jaguariúna, ponto final da Maria Fumaça e museu gratuito

A estação de Jaguariúna foi construída em 1945 para substituir a antiga estação Jaguary, da Companhia Mogiana. O conjunto é tombado pelo Condephaat, o órgão de patrimônio do estado, e hoje funciona como Centro Cultural.

Plataforma coberta da Estação de Jaguariúna, com placa com o nome da cidade, colunas e portas vermelhas
A plataforma da Estação de Jaguariúna. Foto: RicardoSAPO / Wikimedia Commons, CC BY 3.0 (recortada)

Dentro dela fica um museu ferroviário gratuito, com placas, telefones antigos, objetos da Mogiana e maquetes de trens. É também o ponto final da Maria Fumaça que sai de Campinas, então dá para chegar de trem a vapor, almoçar na cidade e visitar o museu.

5. Bananal, a estação de aço que veio da Bélgica

No extremo leste do estado, entre a Serra da Bocaina e a Mantiqueira, Bananal guarda uma estação diferente de todas as outras. Inaugurada na virada de 1888 para 1889, ela é toda de aço, importada da Bélgica em peças desmontáveis, com cerca de 2 mil placas presas por parafusos.

Detalhe da fachada da estação de Bananal, com placas de aço almofadadas em tom creme, janelas de madeira e telhado metálico vinho
As placas de aço da estação de Bananal, vindas da Bélgica. Foto: Thaismay / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

É considerada a única estação do tipo montada no continente americano. A cidade tem ainda fazendas de café do século 19, como contamos no artigo sobre Bananal.

6. Jundiaí, com museu ferroviário nas antigas oficinas da Paulista

Em Jundiaí, o grande atrativo ferroviário são as antigas oficinas da Companhia Paulista, inauguradas em 1897 para montar, consertar e pintar locomotivas. O conjunto, hoje chamado Complexo Fepasa, tem mais de 40 mil metros quadrados de galpões e prédios de tijolos e é tombado pelo Iphan, o órgão federal de patrimônio.

Prédio de tijolos com janelas em arco do Complexo Fepasa, onde fica o Museu da Companhia Paulista, em Jundiaí, entre pinheiros
O prédio do Museu da Companhia Paulista, no Complexo Fepasa, em Jundiaí. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Ali fica o Museu da Companhia Paulista, com acervo de mais de 3 mil peças sobre a história da ferrovia e da cidade. A entrada é gratuita, e o museu abre de terça a domingo, das 10h às 17h. Fecha às segundas.

7. São Carlos, estação de 1884 com locomotiva a vapor na plataforma

A estação de São Carlos foi inaugurada em 15 de outubro de 1884, pela Companhia Rio Claro, criada para escoar o café da região. Em 1908, uma reforma trocou o tijolo à vista pelo estilo eclético, e a data aparece até hoje no alto da fachada amarela.

Fachada amarela da Estação Cultura de São Carlos, uma das estações históricas do interior de SP, com a data 1908 no alto
A estação de São Carlos, com a data da reforma de 1908 no alto. Foto: Mike Peel / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Também chamada de Estação Cultura, ela abriga o Museu de São Carlos, e na plataforma fica exposta, sob cobertura, a locomotiva a vapor Baldwin 821, fabricada em 1891. Mais detalhes no artigo sobre a estação de São Carlos.

8. Sorocaba, uma das estações históricas de fachada mais bonitas

A Estação Ferroviária de Sorocaba foi inaugurada em 10 de julho de 1875 e foi o primeiro prédio de tijolos da cidade. Nos anos 1920, ganhou a fachada eclética branca que se vê hoje, com colunas, ornamentos e uma marquise de ferro e vidro.

Fachada eclética branca da antiga Estação Ferroviária de Sorocaba, com colunas, ornamentos e marquise de ferro sob céu azul
A fachada da Estação Ferroviária de Sorocaba, inaugurada em 1875. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A estação é para ver por fora, mas Sorocaba tem passeio de trem de verdade: nos fins de semana, o Trem dos Operários sai da Estação Paula Souza, no centro.

9. Amparo e Pedreira, as estações históricas da Mogiana no Circuito das Águas

No Circuito das Águas Paulista, duas cidades vizinhas guardam estações da Companhia Mogiana inauguradas em 1875. Em Amparo, o ramal chegou em novembro daquele ano, e o prédio foi reformado em 1938. Hoje o conjunto reúne a Pinacoteca, criada em 1974 na antiga casa do chefe da estação, a Casa do Artesanato e o posto de informações turísticas.

Plataforma da antiga estação da Mogiana em Amparo, uma das estações históricas do Circuito das Águas, com arcos amarelos e cobertura de madeira
A plataforma da antiga estação da Companhia Mogiana, em Amparo. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Em Pedreira, a estação amarela teve os trilhos desativados em 1967 e virou posto de informação turística. Nos fins de semana e feriados, recebe uma feira de arte e artesanato, ótima para completar as compras na capital da porcelana.

Dicas para visitar estações históricas no interior de SP

Quase todas essas estações podem ser vistas de graça, mas os horários de visita mudam de cidade para cidade. Museus costumam fechar às segundas, então confirme antes.

Quem gosta do tema pode incluir ainda a estação art déco de Bauru, ao lado de um museu ferroviário, e a vila inglesa de Paranapiacaba, na Serra do Mar, com a torre do relógio inspirada no Big Ben.

As estações contam, cada uma do seu jeito, como o café e os trilhos desenharam o mapa do interior paulista, e muitas ainda recebem visitantes como nos tempos em que o trem parava ali todos os dias.

Qual dessas estações você já conhece?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.