Teatros históricos do interior de SP: 7 palcos centenários com camarotes, ouro e muita história

Plateia vermelha e balcões curvos do Theatro Pedro II, um dos teatros históricos do interior de SP
O interior do Theatro Pedro II, em Ribeirão Preto. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Quando o café enchia os cofres das cidades do interior, ter um teatro era sinal de prestígio. Os fazendeiros queriam óperas, concertos e bailes perto de casa, e as cidades responderam com salas que nada deviam às da capital. Muitos desses teatros históricos do interior de SP continuam de pé, restaurados e em funcionamento, e assistir a um espetáculo neles é uma viagem no tempo.

A lista abaixo segue a ordem de idade, do mais antigo ao mais novo. Todos ficam em cidades que já visitamos aqui no blog, então dá para combinar o teatro com um passeio completo.

1. Cachoeira Paulista, o mais antigo dos teatros históricos do interior de SP (1883)

O mais antigo da lista fica no Vale do Paraíba. O Teatro Municipal de Cachoeira Paulista foi inaugurado em 1883, ainda no Império, e é considerado um dos teatros mais antigos do país. O prédio preserva a arquitetura da época e já recebeu óperas e apresentações do compositor Heitor Villa-Lobos.

Fachada do Teatro Municipal de Cachoeira Paulista, inaugurado em 1883
O Teatro Municipal de Cachoeira Paulista, de 1883. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A cidade também guarda uma estação de trem do tempo do Império e a Canção Nova. Veja o roteiro completo de Cachoeira Paulista.

2. Cine Teatro Coronel Raymundo, em Santana de Parnaíba (1891)

No centro histórico de Santana de Parnaíba, um dos conjuntos coloniais mais bem preservados do estado, o Cine Teatro Coronel Raymundo foi construído em 1891. A casa nasceu ligada a um grupo de teatro amador, passou por outros usos ao longo do século 20 e hoje recebe atividades culturais.

Fachada amarela e branca do Cine Teatro Coronel Raymundo, com porta e janelas em arco, em Santana de Parnaíba
O Cine Teatro Coronel Raymundo, de 1891. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

É uma parada rápida, mas que combina com o passeio pelas ruas de pedra e casarões de Santana de Parnaíba.

3. Teatro Polytheama, em Jundiaí (1911)

O Polytheama tem uma das histórias mais curiosas entre os teatros históricos do interior de SP. Inaugurado em 1911, chegou a ser o maior teatro do estado em 1920, com 2.920 lugares. Depois de décadas de abandono, foi comprado pela prefeitura nos anos 1980 e restaurado num projeto de Lina Bo Bardi, com os arquitetos André Vainer e Marcelo Ferraz.

Fachada do Teatro Polytheama, de 1911, em Jundiaí, um dos teatros históricos do interior de SP
A fachada do Teatro Polytheama, de 1911. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Reaberto em 1996, foi o último trabalho da arquiteta, que manteve as paredes originais aparentes e as estruturas de ferro à mostra. Em Jundiaí, dá para juntar o teatro com as adegas da Terra da Uva.

4. Theatro Avenida, em Espírito Santo do Pinhal (1927)

No auge do café, a sociedade de Espírito Santo do Pinhal se reunia no Theatro Avenida, inaugurado em 1927, para peças, concertos e bailes. Tombado pelo Condephaat, segue em plena atividade. Por dentro, a plateia de poltronas vermelhas é cercada por balcões curvos, e o teto dourado, iluminado por dezenas de luzes, impressiona quem entra pela primeira vez.

Plateia de poltronas vermelhas, balcões curvos e teto dourado do Theatro Avenida, em Espírito Santo do Pinhal
A plateia do Theatro Avenida, de 1927. Foto: Elias Gomes / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A cidade também tem estação da Mogiana e vinho colhido no inverno. Veja o roteiro de Espírito Santo do Pinhal.

5. Theatro Pedro II, em Ribeirão Preto (1930)

O maior da lista fica no Quarteirão Paulista, ao lado da famosa Choperia Pinguim. Inaugurado em 8 de outubro de 1930, o Theatro Pedro II tem cerca de 1.580 lugares e é considerado o terceiro maior teatro de ópera do país, com acústica elogiada.

Em 1980, um incêndio destruiu o telhado e boa parte do interior. Depois de anos fechado, o teatro foi restaurado e reabriu em 1996, com a plateia vermelha e os balcões curvos que impressionam quem entra pela primeira vez. Para conhecer por dentro, o ideal é assistir a um concerto ou ópera, e o site oficial tem um tour virtual. Mais em Ribeirão Preto.

6. Teatro Carlos Gomes, em São Simão

Na pequena São Simão, no nordeste paulista, o Teatro Carlos Gomes surpreende quem espera só uma sala de cidade pequena. A plateia é cercada por camarotes laterais, o palco tem cortina vermelha e o conjunto lembra uma casa de ópera europeia, com influência alemã. O nome homenageia o compositor de O Guarani, e o teatro já recebeu companhias de ópera.

Plateia, camarotes e palco com cortina vermelha do Teatro Carlos Gomes, um dos teatros históricos do interior de SP
O interior do Teatro Carlos Gomes, em São Simão. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A cidade ainda tem cruz de 40 metros no morro e praia de rio gratuita. Veja o roteiro de São Simão.

7. Teatro Vitória, em Limeira (1940)

Fechando a lista, o Teatro Vitória foi construído em 1940 e revitalizado anos depois. Com 670 lugares, recebe peças, shows musicais e espetáculos de dança. O prédio ganhou uma entrada envidraçada moderna e tem café e galeria de exposições, o que faz dele uma boa parada mesmo sem ingresso.

Prédio branco do Teatro Vitória, de 1940, com entrada envidraçada e praça à frente, em Limeira
O Teatro Vitória, em Limeira. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Em Limeira, o teatro fica perto do Palacete Levy e da catedral.

Dicas para visitar teatros históricos do interior de SP

A melhor forma de conhecer esses teatros é assistir a um espetáculo. Assim você vê a sala cheia, a iluminação acesa e a acústica funcionando, como os construtores imaginaram. Consulte a agenda de cada um antes de viajar e, se possível, compre os ingressos com antecedência, principalmente para concertos e óperas.

Alguns teatros abrem para visitas fora dos horários de apresentação, outros só durante eventos. Na dúvida, ligue antes ou procure a secretaria de cultura da cidade. E aproveite para combinar o teatro com o resto do roteiro: quase todos ficam no centro, perto de praças, igrejas e cafés.

Qual dos teatros históricos do interior de SP visitar primeiro

Se a ideia é ver o maior e mais imponente, comece pelo Theatro Pedro II, em Ribeirão Preto, de preferência num concerto. Para quem gosta de arquitetura, o Polytheama, em Jundiaí, mostra como um restauro pode valorizar as marcas do tempo. E quem procura charme de cidade pequena vai gostar do Carlos Gomes, em São Simão, e do Theatro Avenida, em Espírito Santo do Pinhal, que parecem joias escondidas no meio do interior.

Sentar numa poltrona vermelha, olhar para os camarotes e esperar a cortina abrir num teatro centenário é uma forma diferente de viajar pelo interior, guiada pela música e pelo palco.

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.