Tem cidade que se conhece pela paisagem, e tem cidade que se conhece pelo cheiro. Em Atibaia, basta chegar perto das estufas para sentir o perfume doce dos morangos. A cidade é a capital do morango no Brasil, e saber o que fazer em Atibaia começa por um programa simples: colher a fruta direto do pé, escolher as mais vermelhas e levar para casa.
Atibaia fica a cerca de uma hora de São Paulo, numa região de serras, e é estância climática. Além dos morangos e das orquídeas, guarda um centro histórico com igrejas centenárias, um parque com lago e jardim japonês, um teleférico e uma fazenda de cachaça do tempo do café.
Morango no pé: o que fazer em Atibaia primeiro
O passeio mais procurado é a colheita. No Orquidário Takebayashi, o visitante entra nas estufas e colhe os morangos que quiser levar para casa. O lugar também é conhecido pelas orquídeas: funciona como laboratório de produção de mudas, vende plantas adultas e oferece cursos de cultivo. Confira os horários e se é preciso agendar antes de ir.
Em setembro, auge da safra, a cidade celebra a Festa das Flores e Morangos, o maior evento de Atibaia, com flores, doces e muito morango. Mas a colheita acontece em boa parte do ano, então não é preciso esperar a festa para provar.
O que fazer em Atibaia no centro histórico
A cidade nasceu em torno da Igreja Matriz de São João Batista, erguida no local da fundação, ainda no século 17, e ampliada ao longo dos séculos seguintes. No centro também fica a Igreja Nossa Senhora do Rosário, inaugurada em 1817 em homenagem à protetora dos negros. A fachada branca com detalhes dourados e duas torres é uma das mais fotografadas da cidade, e a igreja foi palco das tradicionais congadas.

O centro guarda casarões coloniais, praças arborizadas e monumentos. Um dos casarões abriga o Museu Municipal João Batista Conti, num imóvel construído em 1839, com objetos e documentos sobre a história da cidade e da Revolução Constitucionalista de 1932.

Atibaia também preserva uma tradição curiosa trazida de Portugal: o tapete arraiolo, bordado à mão com lã sobre tela, em desenhos que remetem aos modelos antigos. Vale procurar as peças no comércio de artesanato do centro.
Parque Edmundo Zanoni e o teleférico
O Parque Municipal Edmundo Zanoni é o quintal da cidade. Tem lago com pedalinhos, uma torre de pedra que se reflete na água, ponte em arco, Jardim Japonês e o salão do artesão. Ali também fica o Museu de História Natural, com mais de mil espécies de vertebrados da fauna brasileira, uma boa parada para quem viaja com crianças. É no parque que acontece a Festa das Flores e Morangos.
Para ver a cidade do alto, o teleférico faz um percurso de 550 metros entre o Lago do Major e a parte alta de Atibaia. As cadeirinhas passam sobre as árvores, com vista panorâmica das serras ao redor.

Santuário de Schoenstatt e a Estação Atibaia
O Santuário de Schoenstatt recebe visitantes de todo o Brasil. A capela, pequena e singela, é uma réplica da original que fica na Alemanha, e está cercada por uma área verde com araucárias e canteiros de flores. Há celebrações diárias, mas mesmo quem não vai à missa encontra ali um lugar silencioso para caminhar.

Para quem gosta de trem, a Estação Atibaia é um complexo temático com plataforma de tijolos, locomotivas, vagões antigos e até um bonde. O espaço recebe eventos e já ofereceu passeios curtos de trem para crianças, então vale conferir a programação antes da visita.

A Fazenda Paraíso e a cachaça
Na zona rural, a Fazenda Paraíso leva o visitante de volta ao século 19. A sede foi erguida em 1860, com paredes de taipa e telhas moldadas nas coxas, e o conjunto preserva o terreiro de café e a senzala. Por volta de 1940, a fazenda passou para a família Herrerias, que montou um alambique e mantém a produção de cachaça artesanal. Aos fins de semana, serve café da manhã e almoço caseiros, e quem quiser pode fazer o curso para aprender a produzir cachaça.
A bebida é feita em alambique de cobre e envelhecida em tonéis de madeira, e a visita ao alambique costuma terminar com degustação. Entre um gole e outro, vale reparar nas paredes grossas de taipa e nas telhas irregulares, cada uma com a curva de quem a moldou. É um pedaço do interior paulista do século 19 que segue vivo.
Natureza e aventura
Atibaia é cercada de serras, e o cartão-postal natural é a Pedra Grande, a 1.418 metros de altitude, com mirante, rampa de voo livre e paredões para rapel. Outra opção é a Reserva do Vuna, uma área de 300 hectares com grutas, lagos, cascatas e riachos, usada para trilhas e esportes de aventura. Também há passeios de quadriciclo por trilhas na mata, com percursos que vão do leve ao radical e sempre acompanhados de monitores. Para quem prefere algo mais calmo, as estradas rurais em volta da cidade rendem boas caminhadas entre sítios, estufas de morango e plantações de flores.

Roteiro de fim de semana: o que fazer em Atibaia
No sábado, comece cedo pela colheita de morangos, almoce na Fazenda Paraíso e termine a tarde no Parque Edmundo Zanoni e no teleférico. No domingo, suba a Pedra Grande pela manhã, visite o centro histórico e o Santuário de Schoenstatt e, se houver programação, passe pela Estação Atibaia.
Atibaia combina com outras cidades da região. A poucos quilômetros, Bragança Paulista tem a famosa linguiça e um lago no centro, e Joanópolis guarda a Cachoeira dos Pretos. No fim do ano, a cidade também entra no roteiro de Natal no interior de SP.
Voltar para casa com uma caixinha de morangos colhidos por você mesmo é a melhor lembrança que Atibaia pode oferecer.



