Ribeirão Preto tem choperia de 1936, teatro de ópera de 1930 e cascata de 25 metros no meio da cidade

Prédios históricos do Quarteirão Paulista, em Ribeirão Preto, com a Choperia Pinguim e mesas na calçada e, ao lado, a fachada ornamentada do Theatro Pedro II
O Quarteirão Paulista, com a Choperia Pinguim e o Theatro Pedro II. Foto: Eduardo Felipe Pimentel / Wikimedia Commons, CC BY 3.0 (recortada)

Ribeirão Preto ficou rica com o café, virou a capital nacional do agronegócio e ganhou outro título que os moradores levam a sério: capital do chope. A tradição cervejeira começou em 1913, quando uma cervejaria se instalou na cidade, e hoje tem endereço famoso em todo o país, a Choperia Pinguim.

Mas a cidade vai além do chope gelado. No mesmo quarteirão fica um dos maiores teatros de ópera do Brasil, que faz aniversário justamente em 8 de outubro. E, espalhados pela cidade, há um museu numa antiga fazenda de café, um santuário com sete capelas encravadas na rocha e parques com cascata, lagos e jardim japonês.

Choperia Pinguim e o Quarteirão Paulista

O coração do centro de Ribeirão Preto é o Quarteirão Paulista, um conjunto de prédios históricos que reúne o Theatro Pedro II, o antigo Palace Hotel e o Edifício Meira Júnior. É no térreo desse prédio que funciona, desde 29 de agosto de 1936, a Choperia Pinguim, aberta pela Antarctica quando o edifício ainda estava em obras.

O chope do Pinguim ganhou fama nacional, e sentar numa das mesas da calçada virou programa obrigatório para quem passa pela cidade. Nos fins de semana, o movimento começa cedo, então vale chegar antes do almoço ou no fim da tarde.

A Choperia Pinguim funciona no Quarteirão Paulista, em Ribeirão Preto, desde 29 de agosto de 1936.

Theatro Pedro II, o teatro de ópera de Ribeirão Preto

Ao lado do Pinguim fica o Theatro Pedro II, inaugurado em 8 de outubro de 1930. Com cerca de 1.580 lugares, é considerado o terceiro maior teatro de ópera do país e tem acústica elogiada, o que faz dele palco de concertos sinfônicos e óperas.

Plateia e camarotes do Theatro Pedro II, em Ribeirão Preto, com fileiras de poltronas vermelhas e balcões curvos iluminados
O interior do Theatro Pedro II. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Em 15 de julho de 1980, um incêndio destruiu o telhado e boa parte do interior. Depois de anos fechado, o teatro foi restaurado e reabriu em 1996, com a plateia em vermelho e os balcões curvos que impressionam quem entra pela primeira vez. Para conhecer por dentro, o melhor é assistir a um espetáculo, e o site oficial tem um tour virtual em 360 graus. Neste 8 de outubro de 2026, o Theatro Pedro II completa 96 anos, e costuma marcar a data com programação especial, então vale olhar a agenda.

Museu do Café, na antiga fazenda de um rei do café

No campus da USP, o Museu do Café Francisco Schmidt ocupa a antiga sede da Fazenda Monte Alegre, que pertenceu a Francisco Schmidt, um dos maiores produtores de café do país no fim do século 19, conhecido como um dos reis do café. O museu foi inaugurado em 1955.

Sala do Museu do Café com estátua de casal de imigrantes, máquinas antigas de beneficiar café e uma grande caixa vermelha com letreiros
O Museu do Café Francisco Schmidt. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O acervo reúne máquinas de beneficiar café, esculturas, fotos e objetos da época em que o café fez a riqueza da região, e a entrada é gratuita. O museu já passou por períodos fechado para manutenção, então confirme antes de ir.

Santuário das Sete Capelas

No alto do Morro de São Bento, o Santuário das Sete Capelas é um dos lugares mais tranquilos da cidade. A ideia foi do monge beneditino Dom Casimiro Masetti, que no fim dos anos 1940 quis construir um conjunto de capelas inspiradas nas igrejas de Bolonha, na Itália, usando pedras da pedreira local.

Escadaria com corrimões verdes subindo até uma capela clara com colunas no Santuário das Sete Capelas
O Santuário das Sete Capelas, no Morro de São Bento. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

As obras começaram em 1948 e a última capela ficou pronta em 1956. As sete capelas ficam em semicírculo, encravadas numa grande rocha e voltadas para o centro, cada uma dedicada a um santo. É um lugar procurado para oração e meditação.

Parques de Ribeirão Preto com cascata, lagos e jardim japonês

Ribeirão Preto tem parques grandes e gratuitos. O Parque Luiz Carlos Raya, inaugurado em 2004, ocupa cerca de 40 mil metros quadrados e tem como marca uma cascata artificial de 25 metros de altura, que cai num paredão de pedra sobre um dos dois lagos do parque.

Cascata alta caindo de um paredão de pedra num lago verde, entre palmeiras, no Parque Luiz Carlos Raya, em Ribeirão Preto
A cascata do Parque Luiz Carlos Raya. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

No Bosque Municipal, o Jardim Japonês foi construído em 1969, sob orientação do paisagista japonês Mitsutery Naganune, com lagos, pontes, quiosques e plantas ornamentais. De vez em quando ele fecha para manutenção, então vale conferir antes.

Jardim japonês com ponte de corrimão vermelho sobre um lago, caminho de pedras, plantas tropicais e quiosque com telhado oriental
O Jardim Japonês do Bosque Municipal. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O maior de todos é o Parque Curupira, inaugurado em 2000, com 152 mil metros quadrados num terreno que foi uma pedreira de basalto. Hoje tem trilhas, lagos, ciclovia, quadras e áreas de piquenique, com os paredões de pedra da antiga mineração como cenário.

Lago cercado de mata e paredão de pedra da antiga pedreira, com ciclovia, no Parque Curupira, em Ribeirão Preto
O Parque Curupira, numa antiga pedreira de basalto. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Dicas para visitar Ribeirão Preto

O centro, com o Pinguim e o Theatro Pedro II, dá para conhecer a pé. Para o Museu do Café, as Sete Capelas e os parques, vá de carro ou aplicativo. Se a viagem for entre o fim de abril e o começo de maio, a cidade recebe a Agrishow, a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, e os hotéis lotam, então reserve com antecedência. Ribeirão Preto é quente o ano todo, então deixe os parques para a manhã ou o fim da tarde e aproveite o calor como desculpa para o chope.

A cidade é ponto de partida para outros passeios da região, como a Casa de Portinari, em Brodowski, e o jequitibá gigante de Vassununga, em Santa Rita do Passa Quatro.

Chope com história, ópera no meio do interior e uma cascata no centro da cidade mostram que Ribeirão Preto merece mais do que uma passagem rápida.

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.