Do alto, o mundo vira um mar de nuvens com picos saindo da neblina. Para chegar lá, porém, são horas de subida entre pedras, capim alto e trechos em que é preciso usar as mãos. O Pico dos Marins, com 2.420 metros, é uma das montanhas mais procuradas da Serra da Mantiqueira, e também uma das que mais exigem de quem sobe.
Antes de colocar a mochila nas costas, vale entender como é a trilha, quais são as regras e qual é a melhor época. Aqui está o que você precisa saber.
Onde fica o Pico dos Marins
O Pico dos Marins fica na divisa de São Paulo com Minas Gerais, dentro do Monumento Natural Estadual da Mantiqueira Paulista. A trilha começa em Piquete, no Vale do Paraíba, e o guia oficial do governo paulista registra o pico no município vizinho de Cruzeiro.

O caminho mais comum é pela Via Dutra até Piquete e, de lá, até a Vila dos Marins, onde fica a base. O trecho final é de terra, e um carro mais alto ajuda, principalmente depois de chuva.
O pico é citado como a 27ª montanha mais alta do Brasil. Bem perto da trilha, o Marinzinho tem 2.432 metros, um pouco mais alto que o próprio Marins. Do cume, a vista alcança o Vale do Paraíba, o sul de Minas e as serras paulistas.
Como é a trilha do Pico dos Marins
A trilha tem de 13 a 14 km e é considerada difícil. O percurso leva de 7h30 a 8h, com muitos trechos de pedra e escalaminhada, que é quando a subida pede apoio das mãos. Não é passeio para iniciante sem preparo físico. Quem pensa em subir deve chegar com algumas trilhas longas no currículo, boa resistência para subidas e joelhos acostumados a descidas íngremes, porque a volta também cansa. Bota de trilha com boa aderência e bastão de caminhada fazem diferença nos trechos de pedra.

Em vários pontos, o capim alto pode confundir quem não conhece o caminho, por isso a navegação exige atenção. Com neblina, o cuidado precisa ser redobrado, porque as marcas da trilha somem de vista com facilidade.

Muita gente faz a subida em dois dias, com uma noite de acampamento no alto da serra. Assim, dá para subir com calma, ver o pôr e o nascer do sol e descer descansado no dia seguinte.
Acampamento e nascer do sol no Pico dos Marins
O local de acampamento fica alguns metros depois do Morro do Careca, um dos marcos da trilha. Na base, há também um camping particular para quem quer dormir lá embaixo e sair cedo.

O nascer do sol é o grande prêmio de quem passa a noite na montanha. Com o céu limpo, o sol aparece atrás da Serra Fina, e os vales ficam cobertos de neblina. É a foto que faz muita gente voltar.
Quando ir e o que levar
A melhor época para subir o Pico dos Marins é de abril a agosto, quando chove menos. Novembro já é temporada de chuva na Mantiqueira, com trilha escorregadia, neblina e risco de raios nas partes altas, então quem pensa em ir agora deve acompanhar a previsão do tempo de perto e adiar se o tempo virar.

No inverno, as noites são geladas: em julho, a temperatura chega a cerca de 3 °C. Leve saco de dormir para frio, agasalho em camadas e roupa que seque rápido.
A água é o ponto mais crítico. Os pontos de água são poucos e costumam ter água turva, então a recomendação é levar de 5 a 6 litros por pessoa e um purificador. Leve também lanterna, protetor solar, comida leve e um kit de primeiros socorros. Ao longo da trilha não há nenhuma estrutura, nem banheiro, nem lanchonete, nem abrigo, então tudo o que você precisar durante a subida e a noite no alto tem que estar na mochila. E todo o lixo volta com você.
Agendamento, regras e segurança
A visitação tem limite de 400 pessoas por dia, e o agendamento é feito na sede ou pela internet. A trilha funciona das 8h às 17h, todos os dias. A monitoria é opcional, mas, para quem nunca subiu uma montanha desse porte, ir com um guia credenciado é a escolha mais segura.

Avise alguém sobre o seu roteiro e o horário previsto de volta, não saia da trilha marcada e respeite o limite do grupo. Se o tempo fechar, voltar é sempre uma boa decisão: a montanha continua lá para a próxima vez.
Piquete, a cidade aos pés do Pico dos Marins
Piquete é a porta de entrada da trilha e merece um tempo na viagem. Conhecida como Cidade Paisagem, fica numa área de proteção ambiental da Mantiqueira, com muito verde e espécies ameaçadas de extinção na fauna e na flora.
Na cidade estão duas estações ferroviárias de 1906, a Estrela do Norte, de arquitetura francesa, com uma locomotiva antiga e um jardim com espelho d’água, e a Rodrigues Alves. Para quem chega um dia antes ou quer descansar as pernas depois da montanha, há ainda cachoeiras: a Jaracatiá, a maior do município, com cerca de 200 metros de queda e pequenos poços, e a Cachoeira da Andorinha, com duas quedas de 30 metros e uma gruta onde as andorinhas fazem ninho.
Dormir em Piquete na véspera é uma boa estratégia, porque permite começar a subida logo cedo, com o dia inteiro pela frente.
Outras montanhas da Mantiqueira para começar
Se o Pico dos Marins parece puxado demais para uma primeira vez, a Mantiqueira tem opções mais leves. O Pico Agudo, em Santo Antônio do Pinhal, é um mirante bem mais acessível, e a Pedra do Baú, em São Bento do Sapucaí, combina via ferrata e paisagem. Em Campos do Jordão, o Pico do Itapeva tem acesso de carro. Veja também a nossa lista de mirantes no interior de SP.
Subir o Pico dos Marins é trocar o conforto por uma paisagem que poucos veem. Com preparo, respeito às regras e um olho no céu, a recompensa chega no primeiro raio de sol sobre a serra.





