O que saber antes de subir o Pico dos Marins, uma das trilhas mais difíceis da Mantiqueira paulista

Amanhecer no Pico dos Marins, com rochas e vegetação baixa em primeiro plano e picos da Serra da Mantiqueira sob nuvens
O amanhecer visto do Pico dos Marins. Foto: Nando bomfim fotografo / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Do alto, o mundo vira um mar de nuvens com picos saindo da neblina. Para chegar lá, porém, são horas de subida entre pedras, capim alto e trechos em que é preciso usar as mãos. O Pico dos Marins, com 2.420 metros, é uma das montanhas mais procuradas da Serra da Mantiqueira, e também uma das que mais exigem de quem sobe.

Antes de colocar a mochila nas costas, vale entender como é a trilha, quais são as regras e qual é a melhor época. Aqui está o que você precisa saber.

Onde fica o Pico dos Marins

O Pico dos Marins fica na divisa de São Paulo com Minas Gerais, dentro do Monumento Natural Estadual da Mantiqueira Paulista. A trilha começa em Piquete, no Vale do Paraíba, e o guia oficial do governo paulista registra o pico no município vizinho de Cruzeiro.

Encostas de rocha e mata da Serra da Mantiqueira com nuvens entre os picos, vistas da trilha do Pico dos Marins
A serra vista da trilha. Foto: Jeremias Pereira / Wikimedia Commons, CC BY 2.0 (recortada)

O caminho mais comum é pela Via Dutra até Piquete e, de lá, até a Vila dos Marins, onde fica a base. O trecho final é de terra, e um carro mais alto ajuda, principalmente depois de chuva.

O pico é citado como a 27ª montanha mais alta do Brasil. Bem perto da trilha, o Marinzinho tem 2.432 metros, um pouco mais alto que o próprio Marins. Do cume, a vista alcança o Vale do Paraíba, o sul de Minas e as serras paulistas.

Como é a trilha do Pico dos Marins

A trilha tem de 13 a 14 km e é considerada difícil. O percurso leva de 7h30 a 8h, com muitos trechos de pedra e escalaminhada, que é quando a subida pede apoio das mãos. Não é passeio para iniciante sem preparo físico. Quem pensa em subir deve chegar com algumas trilhas longas no currículo, boa resistência para subidas e joelhos acostumados a descidas íngremes, porque a volta também cansa. Bota de trilha com boa aderência e bastão de caminhada fazem diferença nos trechos de pedra.

Dois caminhantes com mochilas subindo entre lajes de pedra e capim, com paredões de rocha ao fundo
Caminhantes na subida. Foto: Nando bomfim fotografo / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Em vários pontos, o capim alto pode confundir quem não conhece o caminho, por isso a navegação exige atenção. Com neblina, o cuidado precisa ser redobrado, porque as marcas da trilha somem de vista com facilidade.

Grupo de caminhantes num lajedo de pedra acima de um mar de nuvens, com montanhas ao fundo
Trecho de pedra com as nuvens abaixo. Foto: Jeremias Pereira / Wikimedia Commons, CC BY 2.0 (recortada)

Muita gente faz a subida em dois dias, com uma noite de acampamento no alto da serra. Assim, dá para subir com calma, ver o pôr e o nascer do sol e descer descansado no dia seguinte.

Acampamento e nascer do sol no Pico dos Marins

O local de acampamento fica alguns metros depois do Morro do Careca, um dos marcos da trilha. Na base, há também um camping particular para quem quer dormir lá embaixo e sair cedo.

Sol nascendo atrás da Serra Fina, com barracas entre as pedras e a vegetação em primeiro plano
O sol nascendo ao lado da Serra Fina, visto do acampamento. Foto: Marcos Felipe Faria Terra Siqueira / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

O nascer do sol é o grande prêmio de quem passa a noite na montanha. Com o céu limpo, o sol aparece atrás da Serra Fina, e os vales ficam cobertos de neblina. É a foto que faz muita gente voltar.

Quando ir e o que levar

A melhor época para subir o Pico dos Marins é de abril a agosto, quando chove menos. Novembro já é temporada de chuva na Mantiqueira, com trilha escorregadia, neblina e risco de raios nas partes altas, então quem pensa em ir agora deve acompanhar a previsão do tempo de perto e adiar se o tempo virar.

Campo de capim com pedras soltas e um pico rochoso ao fundo, sob céu com nuvens
Os campos de altitude perto do cume. Foto: Jeremias Pereira / Wikimedia Commons, CC BY 2.0 (recortada)

No inverno, as noites são geladas: em julho, a temperatura chega a cerca de 3 °C. Leve saco de dormir para frio, agasalho em camadas e roupa que seque rápido.

A água é o ponto mais crítico. Os pontos de água são poucos e costumam ter água turva, então a recomendação é levar de 5 a 6 litros por pessoa e um purificador. Leve também lanterna, protetor solar, comida leve e um kit de primeiros socorros. Ao longo da trilha não há nenhuma estrutura, nem banheiro, nem lanchonete, nem abrigo, então tudo o que você precisar durante a subida e a noite no alto tem que estar na mochila. E todo o lixo volta com você.

Agendamento, regras e segurança

A visitação tem limite de 400 pessoas por dia, e o agendamento é feito na sede ou pela internet. A trilha funciona das 8h às 17h, todos os dias. A monitoria é opcional, mas, para quem nunca subiu uma montanha desse porte, ir com um guia credenciado é a escolha mais segura.

Silhueta de montanhas da Mantiqueira ao pôr do sol, com céu laranja e neblina nos vales, vista do Pico dos Marins
O fim de tarde no cume. Foto: Ederson Ladeira da Silva / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Avise alguém sobre o seu roteiro e o horário previsto de volta, não saia da trilha marcada e respeite o limite do grupo. Se o tempo fechar, voltar é sempre uma boa decisão: a montanha continua lá para a próxima vez.

Piquete, a cidade aos pés do Pico dos Marins

Piquete é a porta de entrada da trilha e merece um tempo na viagem. Conhecida como Cidade Paisagem, fica numa área de proteção ambiental da Mantiqueira, com muito verde e espécies ameaçadas de extinção na fauna e na flora.

Na cidade estão duas estações ferroviárias de 1906, a Estrela do Norte, de arquitetura francesa, com uma locomotiva antiga e um jardim com espelho d’água, e a Rodrigues Alves. Para quem chega um dia antes ou quer descansar as pernas depois da montanha, há ainda cachoeiras: a Jaracatiá, a maior do município, com cerca de 200 metros de queda e pequenos poços, e a Cachoeira da Andorinha, com duas quedas de 30 metros e uma gruta onde as andorinhas fazem ninho.

Dormir em Piquete na véspera é uma boa estratégia, porque permite começar a subida logo cedo, com o dia inteiro pela frente.

Outras montanhas da Mantiqueira para começar

Se o Pico dos Marins parece puxado demais para uma primeira vez, a Mantiqueira tem opções mais leves. O Pico Agudo, em Santo Antônio do Pinhal, é um mirante bem mais acessível, e a Pedra do Baú, em São Bento do Sapucaí, combina via ferrata e paisagem. Em Campos do Jordão, o Pico do Itapeva tem acesso de carro. Veja também a nossa lista de mirantes no interior de SP.

Subir o Pico dos Marins é trocar o conforto por uma paisagem que poucos veem. Com preparo, respeito às regras e um olho no céu, a recompensa chega no primeiro raio de sol sobre a serra.

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.