Campos do Jordão ganhou o apelido de Suíça Brasileira pelas casas de telhado pontudo, pelas araucárias e pelo frio da serra. A sede da cidade fica a 1.628 metros de altitude, a mais alta do país, no alto da Serra da Mantiqueira, a cerca de três horas de São Paulo.
A fama vem do inverno, mas a cidade funciona o ano todo. Tem uma vila com cara de Alpes, cheia de restaurantes e chocolaterias, um palácio do governo paulista aberto à visitação gratuita, um museu de esculturas ao ar livre com pôr do sol sobre as montanhas e jardins que atraem gente de todo o estado. O famoso trem de montanha está parado, mas há muito o que fazer sem ele.
Vila Capivari, o coração de Campos do Jordão
O ponto de partida de quase todo passeio é a Vila Capivari, no centro. As fachadas em estilo enxaimel, com vigas de madeira aparentes, lembram vilarejos da Suíça e da Alemanha, e a Rua Djalma Forjaz, fechada para carros, reúne lojas, cafés e restaurantes entre floreiras e árvores.

É no Capivari que se concentram as casas de fondue, as chocolaterias artesanais e os restaurantes de comida de inverno. No Parque Capivari, a entrada é gratuita e as atrações, como pedalinhos e roda-gigante, são pagas à parte. Dali sai o teleférico que sobe ao Morro do Elefante, num trajeto de cerca de 1.300 metros e uns 10 minutos, com vista da cidade lá de cima.
Na mesma rua fica a choperia da Baden Baden, uma das cervejarias mais conhecidas do país. A casa abriu como choperia e restaurante em 1985, e a cervejaria veio em 1999, na própria cidade. Além de tomar um chope no Capivari, dá para fazer o tour pela fábrica, com explicação sobre a produção e degustação guiada de alguns rótulos.

Palácio Boa Vista, a casa de inverno do governo paulista
O Palácio Boa Vista, inaugurado em 1964, é a residência oficial de inverno do governo do estado de São Paulo, e ainda é usado pelo governador. Por dentro, guarda um acervo de arte que vai do período colonial ao modernismo brasileiro, em salões decorados.

As visitas são guiadas e gratuitas, de quarta a domingo, em grupos de até 20 pessoas acompanhados por educadores, e duram cerca de meia hora, sem necessidade de agendamento. Na alta temporada, vale chegar cedo. Como o palácio continua em uso, as visitas podem ser suspensas em dias de agenda oficial, então é bom confirmar antes de subir.
Museu Felícia Leirner e o Festival de Inverno
Perto do palácio fica o Museu Felícia Leirner, um dos passeios mais bonitos de Campos do Jordão. Numa área de mata de cerca de 35 mil metros quadrados, mais de 80 esculturas da artista, em bronze, cimento branco e granito, ficam espalhadas ao ar livre, entre gramados, trilhas e mirantes para a Serra da Mantiqueira.

O fim de tarde é o melhor horário, quando o sol se põe atrás das montanhas. Ao lado do museu fica o Auditório Claudio Santoro, uma das sedes do Festival de Inverno de Campos do Jordão, que acontece todo mês de julho desde 1970 e é considerado o maior festival de música clássica da América Latina. Em 2026, a 56ª edição teve mais de 80 apresentações gratuitas.
O Museu Felícia Leirner, em Campos do Jordão, tem mais de 80 esculturas ao ar livre numa área de 35 mil metros quadrados.
Os jardins do Amantikir, em Campos do Jordão
Outro passeio concorrido é o Parque Amantikir, com mais de 20 jardins inspirados em estilos de várias partes do mundo, entre espelhos d’água, canteiros de flores, labirinto e mirantes. O parque abre todos os dias e cobra ingresso.

Nos dias de neblina, os jardins ganham um ar misterioso, e nos dias de céu limpo a vista alcança os morros em volta. É um passeio tranquilo, bom para fazer sem pressa, com parada para fotos em cada jardim.
Pico do Itapeva e o Morro do Elefante
Para ver a serra do alto, o destino é o Pico do Itapeva, a 2.030 metros de altitude. O cume fica em Pindamonhangaba, a apenas 35 metros da divisa com Campos do Jordão, e o acesso é pela estrada que sai da cidade. Lá de cima, em dias claros, dá para avistar cerca de 15 cidades do Vale do Paraíba.

Mais perto do centro, o Morro do Elefante, onde chega o teleférico do Capivari, também tem mirante com vista para a cidade. O acesso pela estrada é gratuito.
Quando ir
Julho é a alta temporada, com o Festival de Inverno, as noites mais frias e a cidade cheia, o que significa hotéis e restaurantes mais caros e filas nas atrações. Campos do Jordão recebe milhões de visitantes por ano, a maioria nessa época. Fora do inverno, o clima é ameno, a cidade fica mais vazia e os passeios ao ar livre, como os jardins e os mirantes, ficam mais tranquilos. Em qualquer estação, vale levar agasalho: mesmo no verão, as noites na serra costumam ser frescas.
E o trem de Campos do Jordão?
O trem da Estrada de Ferro Campos do Jordão, que por décadas levou turistas pela serra, está parado desde 2024. O governo do estado conduz a concessão da ferrovia para a iniciativa privada, com previsão de retomada gradual dos passeios depois da assinatura do contrato, ainda sem data. Até lá, quem quer passear de trem antigo no interior pode ir à Maria Fumaça de Campinas.
Na mesma serra, vale esticar a viagem até a Pedra do Baú, em São Bento do Sapucaí, e até São Francisco Xavier, vila de montanha com cachoeiras e picos.
Campos do Jordão segue com cara de cidade de montanha europeia, e um fim de semana dá para alternar fondue, palácio, esculturas e pôr do sol sem precisar do inverno.
Qual passeio de Campos do Jordão você faria primeiro?




