Logo na entrada, um riacho de água fria desce entre samambaias, e um lago com pontes de madeira e uma roda d’água aparece entre os pinheiros. Mais adiante começam as trilhas pela mata de araucárias, que levam a uma cachoeira e a um mirante sobre a serra. O Horto Florestal de Campos do Jordão é o lado mais selvagem da cidade, a poucos quilômetros das lojas e dos restaurantes de Capivari.
O nome oficial é Parque Estadual de Campos do Jordão. Criado em 1941, ele protege mais de 8 mil hectares da Serra da Mantiqueira, em altitudes que vão de mil a dois mil metros.
O que é o Horto Florestal de Campos do Jordão
O parque é uma unidade de conservação do governo do estado. O apelido de horto vem do tempo em que a área produzia mudas, e o parque ainda tem um viveiro com espécies nativas, exóticas e medicinais. Por décadas, funcionou quase como uma pequena vila: chegou a abrigar mais de 500 moradores, entre funcionários e suas famílias.

Hoje, a parte de visitação fica perto da entrada, com lagos, pontes, áreas de piquenique e o começo das trilhas. É ali que a maioria dos visitantes passa o dia, mas o parque se estende por quilômetros de mata fechada serra adentro.
A floresta de araucárias
O grande tesouro do parque é a mata de araucárias, o pinheiro-do-paraná, que forma uma paisagem rara no estado. Junto com elas aparecem pinheiros-bravos, imbuias, canelas e outras árvores da Mata Atlântica de altitude.

No fim da tarde, as copas das araucárias, em forma de taça, desenham silhuetas contra o céu, uma das imagens mais típicas da Mantiqueira. Em dias claros, as encostas do parque mostram um mar de pinheiros até onde a vista alcança.
A araucária é uma árvore antiga, que cresce devagar e pode viver centenas de anos. É dela que vem o pinhão, que cai no outono e no inverno e vira comida de animais da mata, como gralhas, cutias e esquilos. Por isso, dentro do parque, a regra é deixar as sementes no chão.
As trilhas do Horto Florestal de Campos do Jordão
As trilhas são autoguiadas e gratuitas, e quase todas são fáceis, boas para famílias. As mais conhecidas são:
Trilha do Rio Sapucaí: cerca de 2,6 km, ida e volta, curta e fácil, acompanhando o rio.
Trilha das Pontes: cerca de 2 km, ida e volta, cruzando pontes de madeira sobre os riachos. É a preferida das crianças.
Trilha da Cachoeira: cerca de 4,5 km no total, plana e fácil, até a Cachoeira da Galharada, no meio da mata.

Trilha dos Campos: cerca de 3 km, com subidas que pedem um pouco mais de fôlego. Termina num mirante de onde se veem as araucárias e as montanhas em volta.

Há ainda a Trilha da Celestina, a mais longa, que às vezes fica fechada para manutenção. Nas trilhas interpretativas, a idade mínima é de 6 anos, e é obrigatório usar sapato fechado.
Lagos, piquenique e viveiro de mudas
Quem não quer caminhar muito também aproveita. Os lagos da entrada têm pontes, roda d’água, ninfeias e gramados com bancos, e o parque permite levar comida para piquenique, desde que o lixo volte com o visitante.

O viveiro de mudas mostra espécies nativas e medicinais, e as áreas abertas são boas para as crianças correrem. Não é permitido entrar com animais domésticos, usar drones nem levar sementes e plantas.
Quando ir ao Horto Florestal de Campos do Jordão
O parque é bonito o ano todo, mas cada estação tem seu encanto. No outono, algumas árvores perto do lago ficam amarelas e vermelhas e forram o gramado de folhas. No inverno, as manhãs são geladas e o céu costuma ficar mais limpo para ver a serra. Na primavera e no verão, a mata está mais verde, e a cachoeira, mais cheia.

Os horários mudam conforme a época do ano, e há cobrança de entrada, com gratuidade para crianças, idosos e pessoas com deficiência. Confira o horário e o valor antes de ir, principalmente em feriados e nas férias de julho.
O que levar para as trilhas
Use tênis ou bota fechada, que é obrigatório nas trilhas interpretativas, e leve agasalho, mesmo em dia de sol, porque a mata é úmida e a temperatura cai rápido na sombra. Água, protetor solar, repelente e um lanche leve completam a mochila. Como as trilhas são autoguiadas, siga as placas e volte antes de escurecer.
Roteiro de um dia no Horto Florestal de Campos do Jordão
Chegue cedo, quando a mata ainda está com neblina, e comece pela Trilha da Cachoeira, a mais procurada. Na volta, faça um piquenique no gramado à beira do lago e passe pelo viveiro de mudas. À tarde, se ainda tiver fôlego, encare a Trilha dos Campos para ver as araucárias do mirante, ou fique pelas pontes e pelo riacho da entrada, ótimos para fotos.
Como chegar
O parque fica na Avenida Pedro Paulo, no bairro Loteamento Véu da Noiva, a poucos quilômetros de Capivari, em direção à serra. Quem vem de São Paulo sobe pela Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro, a partir da Via Dutra, em Taubaté.
O Horto e outros passeios na serra
O Horto combina com um dia em Campos do Jordão, com a Vila Capivari e o Palácio Boa Vista. Para quem gosta de mirantes, o Pico Agudo, em Santo Antônio do Pinhal, e a Pedra do Baú, em São Bento do Sapucaí, ficam perto. E para entender a história da serra, vale ler sobre o trem de Campos do Jordão, que acaba de passar para a CPTM.
Entre o cheiro de pinho, o som do riacho e as araucárias contra o céu, o Horto Florestal mostra a Campos do Jordão de antes das vitrines, a da montanha.





