Existe um ponto no mapa de São Paulo onde dois rios se encontram e as águas seguem lado a lado, cada uma com a sua cor. Fica em Rosana SP, no extremo oeste do estado, a 755 km da capital. A cidade se apresenta com um lema simples: aqui começa São Paulo.
É um destino de rio, de barco e de pôr do sol, com praias de areia, ilhas e uma usina que dá para visitar. Quem vem de longe encontra um lugar tranquilo, onde o programa principal é pegar um barco e olhar a água.
Passeio de barco em Rosana SP até o encontro dos rios
O principal atrativo é o encontro dos rios Paraná e Paranapanema. O Paranapanema desce avermelhado, por causa dos solos argilosos e da agricultura das margens. O Paraná é mais esverdeado e corre por terras mais arenosas. Quando as duas águas se juntam, o contraste aparece na superfície, e dá para ver a mudança de cor.

O ponto marca o início do estado de São Paulo, perto da divisa com o Paraná e o Mato Grosso do Sul. O acesso por terra passa por propriedade particular, então o jeito certo de chegar é de barco, de preferência com um guia de turismo. Os passeios saem do Balneário Municipal.
Ilhas e prainhas do Rio Paraná
Em volta do balneário, o Rio Paraná forma ilhas de vegetação e bancos de areia. Cada ilha tem o seu jeito: umas são só mata, outras têm faixas de areia onde os barcos encostam. Elas dão ao passeio um ar de paisagem de outro lugar: mata densa saindo da água, silêncio e água clara.

Uma das mais bonitas é a Prainha Jurerê Nacional, de água clara e areia. Em terra, há um jeito de ver essa prainha de cima: a Trilha das Três Rampas, de cerca de 100 metros, em Mata Atlântica, termina num mirante natural, o ponto mais alto do município. O percurso é fácil, sem guia, e começa ao lado do portal do balneário.
Balneário Municipal, a base para curtir Rosana SP
O Balneário Municipal é o ponto de encontro de quem visita Rosana SP. A entrada é gratuita, o acesso é fácil e bem sinalizado, e a estrutura atende a família inteira, com policiamento e posto de bombeiros no local: quiosques com churrasqueira, banheiros com ducha, estacionamento, quadras de areia, campo de futebol e playground.

Na beira do rio, a praia de areia dourada recebe os barcos e as pessoas que só querem sentar e olhar a água. Quem gosta de esporte náutico encontra caiaque e outros esportes náuticos, e a cidade é conhecida pela pesca esportiva, com tucunaré, pintado e jaú entre as espécies.
Se você gosta de praia de rio, vale comparar com a Presidente Epitácio, também às margens do Paraná, e com Ilha Solteira.
Usina Sérgio Motta e a eclusa de Porto Primavera
A usina hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta, mais conhecida como Porto Primavera, fica na SP-613, no km 78. Ela barra o Rio Paraná e forma um grande lago, e quem olha de cima vê a barragem cortando o azul e o verde da água.

O mais curioso é a eclusa. Ela funciona como um elevador de barcos: a embarcação entra num canal, o nível da água sobe ou desce, e o barco segue viagem do outro lado, vencendo o desnível da barragem. A usina também tem escada e elevador para peixes, que ajudam os animais a subir o rio na época da piracema.
A visita é guiada e exige agendamento prévio. Antes de ir, confirme com a administração da usina se as visitas estão abertas.
Quem se interessa por escada de peixes pode ver outro exemplo no passeio por Piraju, no Rio Paranapanema.
Primavera, o distrito de Rosana SP em forma de barco
A cerca de 12 km da sede fica o distrito de Primavera, construído para abrigar os trabalhadores da usina. O projeto é diferente de tudo na região: as ruas são onduladas, como as águas do rio, e o conjunto inteiro lembra um barco.

O símbolo mais fácil de reconhecer é a igreja matriz, branca e inclinada, no formato da proa de um barco. Perto dela, a Casa da Cultura funciona num antigo cine-teatro restaurado, com filmes e eventos culturais, muitas vezes de entrada gratuita. A vila nasceu como moradia dos funcionários da usina e hoje é um bom exemplo de como o projeto de uma cidade pode contar a história do lugar. Vale a parada de uma hora, só para fotografar e caminhar.
Museu Regional, para entender a relação da cidade com o rio
Para quem quer saber como a cidade nasceu, o Museu Regional reúne um acervo que explica a relação do Rio Paraná com Rosana. As fotos antigas em painéis mostram como era a região antes da usina e do lago.

A visita também precisa de pré-agendamento. Reserve esse programa para a parte do dia em que o sol está forte, quando o passeio de barco fica para depois.
O que fazer em Rosana SP num fim de semana
No sábado de manhã, saia de barco do balneário até o encontro dos rios e passe pelas ilhas. À tarde, relaxe na praia ou faça a Trilha das Três Rampas para ver a prainha do mirante. No domingo, visite a usina e o distrito de Primavera.
São 755 km da capital, uma viagem longa, e por isso o ideal é emendar um feriado ou ficar pelo menos duas noites. Leve protetor solar, boné e repelente. Antes de ir, confirme com a prefeitura os passeios de barco, a visita à usina e o museu, que dependem de agendamento ou de guia.
Rosana não tem pressa nem multidão. Tem um rio dividido em duas cores, e quem fica sentado na areia por uma hora entende por que a cidade escolheu o lema que escolheu.





