Capim alto, árvores de tronco torto, terra vermelha e um pôr do sol que pinta o céu de laranja: o Parque do Juquery parece um pedaço do Brasil Central, mas fica na Grande São Paulo, entre Franco da Rocha e Caieiras. É o último trecho importante de cerrado da região metropolitana, protegido como parque estadual desde 1993.
Lá dentro, trilhas levam até o Ovo da Pata, um morro arredondado de 942 metros com vista para a Serra da Cantareira, passam por lagos e cruzam campos onde vivem corujas, seriemas e tucanos. E a entrada é gratuita.
O último cerrado da Grande São Paulo
O Parque Estadual do Juquery protege cerca de 2 mil hectares de cerrado, com campos abertos, capim e árvores baixas, uma paisagem rara na região, onde quase tudo era Mata Atlântica. A área também guarda nascentes que ajudam a abastecer o Sistema Cantareira, responsável por mais da metade da água da Grande São Paulo.

Em agosto de 2021, um incêndio provocado pela queda de um balão destruiu cerca de 85% da vegetação do parque. Depois do fogo, o parque passou um período fechado, foi reaberto e hoje recebe visitantes de novo.
O Parque do Juquery protege o último trecho importante de cerrado da Grande São Paulo.
A história do Parque do Juquery
As terras do parque pertenciam à antiga Fazenda Juquery, comprada pelo governo paulista em 1895. Ali foram construídos o Hospital Psiquiátrico do Juquery, com projeto do arquiteto Ramos de Azevedo, e uma colônia agrícola. Em 1989, o conjunto de prédios, o acervo e a área verde foram tombados pelo Condephaat.
O parque estadual foi criado em junho de 1993, para conservar a vegetação nativa e proteger as nascentes da Cantareira. O nome vem de uma planta comum na beira dos rios, que os indígenas chamavam de yu-kery e da qual tiravam sal para temperar a comida. A mesma planta é conhecida como dormideira, porque fecha as folhas quando alguém encosta nelas.
A trilha do Ovo da Pata no Parque do Juquery
A trilha mais conhecida do Parque do Juquery é a do Ovo da Pata, um circuito de mais de 13 quilômetros que sobe até o ponto mais alto do parque, a 942 metros de altitude.

Lá de cima, a vista alcança o vale do Rio Juquery e a Serra da Cantareira. Há duas formas de subir: pela trilha oficial ou por um caminho mais longo que passa pela Árvore Solitária, uma copaíba isolada no meio do campo de cerrado. Perto dali, um lago tem uma pequena cachoeira e uma minirrepresa. No caminho há também uma torre de observação, que só pode ser visitada com acompanhamento de monitor. Como quase não há sombra no caminho, a caminhada pede preparo: saia cedo, leve bastante água, chapéu e protetor solar, e evite os dias de calor forte.
Lagos, mirante e outras trilhas do Parque do Juquery
O parque tem cerca de meia dúzia de trilhas autoguiadas, de menos de 1 quilômetro a mais de 13 quilômetros. A Trilha Yu-kery, a mais curta, passa por um trecho de Mata Atlântica perto da entrada principal e pela planta que dá nome ao parque. A Trilha dos Lagos contorna os espelhos d’água e chega a um ponto com vista panorâmica. Há ainda as trilhas das Colônias e do Rio Juquery. Um mapa na entrada mostra os percursos.

Para ciclistas, há um percurso de mountain bike de 14 quilômetros pelo cerrado, e uma trilha curta, de 1,3 quilômetro e autoguiada, pensada para crianças e adolescentes, que sai da área do antigo campo de aviação. Perto do mirante, o fim de tarde é o momento mais bonito, com Franco da Rocha no horizonte.

Bichos e plantas do cerrado
Mesmo tão perto da capital, o Parque do Juquery abriga bichos típicos do cerrado. Já foram registrados o veado-campeiro, o tamanduá-mirim, a jaguatirica e o cachorro-do-mato, além de saguis. Entre as aves, que somam cerca de 154 espécies, estão tucanos, corujas e a seriema, ave típica do cerrado e símbolo do parque.

A flora tem cerca de 250 espécies catalogadas, entre elas o pequi e o ipê-amarelo. No meio do capim aparecem flores pequenas, como a dormideira, de pompom lilás, a planta que inspirou o nome Juquery. O parque também enfrenta ameaças, como incêndios e plantas invasoras, entre elas pinheiros norte-americanos e agaves mexicanos.

Dicas para visitar o Parque do Juquery
O parque abre de terça a domingo, das 8h às 17h, e a entrada é gratuita. Fontes mais antigas citam horários menores, então vale confirmar com a administração antes de ir. Não é permitido levar animais de estimação, acampar, fazer churrasco nem consumir bebida alcoólica.
Perto da entrada principal há estacionamento, playground, banheiros e água potável, mas nada para comprar, então leve lanche. Na trilha do Ovo da Pata, a última água fica na Nascente do Cerrado, a uns 10 minutos do início, e o Quiosque da Seriema tem área coberta e banheiros. Use sempre as entradas oficiais.
O parque fica a cerca de 38 quilômetros do centro de São Paulo. Dá para ir de trem pela Linha 7-Rubi da CPTM até Franco da Rocha e completar de ônibus, ou de carro pela Rodovia Fernão Dias e pela Rodovia do Governo.
Use roupa leve, tênis de trilha e boné, e leve lanche e água, porque o cerrado é quente e aberto. Para quem gosta de natureza perto da capital, a Serra do Japi, a Pedra Grande, em Atibaia, e Pirapora do Bom Jesus, com o voo livre do Capuava, rendem outros passeios de um dia.
Capim dourado, um morro em forma de ovo e corujas na terra vermelha: o Parque do Juquery mostra um cerrado inteiro a poucos quilômetros de São Paulo.
Você sabia que a Grande São Paulo ainda tem um pedaço de cerrado?




