O Monumento Natural Estadual da Pedra Grande, em Atibaia, tem uma laje de granito a 1.418 metros de altitude, segundo o guia oficial de áreas protegidas de São Paulo. Do alto, em dias claros, o visitante enxerga várias cidades da região. A mesma pedra serve de rampa natural de voo livre, de onde pilotos decolam de asa-delta e parapente.
A unidade de conservação se espalha por quatro municípios: Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Nazaré Paulista e Mairiporã. A gestão é da Fundação Florestal, e a visitação é organizada e monitorada pelo Estado. Quem sobe encontra trilhas, blocos de granito e trechos de mata, além do mirante e da rampa.
A laje de granito a 1.418 metros
A Pedra Grande é uma rocha de granito pré-cambriana, ou seja, da fase mais antiga da história geológica da Terra. Tem mais de 600 milhões de anos e aparece exposta no alto da serra, em forma de laje. Por ficar a 1.418 metros, o lugar funciona como mirante natural para todo o entorno. Segundo a Wikipédia, o granito é feito sobretudo de microclina, cerca de 40%, e quartzo, cerca de 35%.
A proteção da serra também é antiga. O Condephaat, órgão estadual de patrimônio, tombou a Serra de Atibaia (Itapetinga) em 6 de julho de 1983, bem antes de o local virar monumento natural. Segundo o portal Atibaia e Região, foi o primeiro tombamento específico de uma área natural no Brasil, fruto de um movimento popular de moradores iniciado em 1980 e 1981. Em Brotas, a geologia também é o motivo da visita: lá fica uma nascente onde a areia canta, outro ponto do interior paulista.
A área do monumento soma 3.297 hectares, criada pelo Decreto 55.662, de 30 de março de 2010.
A vista de várias cidades em dias claros
Em dias claros, quem está no topo enxerga Bragança Paulista, Piracaia, São José dos Campos, Jundiaí, Bom Jesus dos Perdões e Nazaré Paulista. Ao fundo aparecem picos distantes, como o do Jaraguá e a Serra do Japi. Com neblina ou nuvens baixas, o alcance diminui, e por isso a vista depende do tempo de cada dia.
Bom Jesus dos Perdões e Nazaré Paulista dividem o monumento com Atibaia, enquanto Bragança, Piracaia, Jundiaí e São José dos Campos ficam além dos limites dele. A própria Atibaia, no vale abaixo, é a Capital Nacional do Morango, título dado por lei federal de 2022.

A rampa onde pilotos decolam de asa-delta e parapente
Além de mirante, a Pedra Grande é uma rampa natural de voo livre, nome que reúne a asa-delta e o parapente. Segundo o Guia 4 Ventos, especializado no esporte, é um clássico do voo livre paulista. É da própria rocha que os pilotos decolam, e o pouso oficial fica a cerca de 4 quilômetros dali, no bairro Flamboyant.
O Clube Atibaiense de Voo Livre foi fundado em 2 de agosto de 1979 e, segundo o mesmo guia, é um dos mais antigos do país. O interior paulista tem outra rampa em Serra Negra, no Alto da Serra, e o esporte não se limita a Atibaia.

A trilha, a estrada de terra e a mata ao redor
A pedra pode ser alcançada por trilha ou por estrada de terra. A caminhada leva cerca de duas horas, segundo o portal BM&C. Segundo a Wikipédia, há três trilhas até o topo: Minha Deusa, com cerca de 2,4 km, Mangueira, com 2,6 km, e Monges, com 3 km, a mais bonita e mais difícil. O guia oficial lista o que o monumento permite: bicicleta, observação de fauna, flora e aves, montanhismo, rapel, escalada e parapente. O lugar também é procurado para fotografia e observação de astros, segundo a Wikipédia.
Bromélias, orquídeas, musgos e amarílis estão entre as plantas que crescem no monumento.
No topo fica a Pedra Rachada, também chamada de Pedra Partida, formada por grandes blocos de granito. O monumento integra o corredor Cantareira-Mantiqueira, que leva o nome de duas serras da região. Entre os bichos da unidade está a rã Megaelosia boticariana, espécie rara, segundo o guia oficial.

Pedra do Coração, Mirante dos Camargos e Atibainha: o entorno
O monumento se espalha por quatro municípios, e cada um tem atrações na região. Segundo a Wikipédia, em Bom Jesus dos Perdões ficam a Pedra do Coração e o Mirante dos Camargos, em Mairiporã o Pico do Olho d’Água e o Cruzeiro, e em Nazaré Paulista a Represa Atibainha. Em Atibaia, o destaque é a própria Pedra Grande.
A subida de 1º de maio e as regras de hoje
Segundo a SIMBiOSE, a tradição de subir a Pedra Grande começou no início do século XX, com funcionários da Companhia Têxtil Brasileira.
Segundo a SIMBiOSE, a Companhia Têxtil Brasileira, antes chamada Fábrica de Tecidos São João, tinha uma grande fazenda na Serra do Itapetinga, de onde tirava madeira para as caldeiras da fábrica. No feriado de 1º de maio, oferecia um churrasco a funcionários e famílias, que iam a pé, e um grupo aproveitou para subir à Pedra Grande e pegar o sol do outono. Com o tempo vieram amigos, piqueniques, o nascer do sol no topo e até missas campais.
Em 2007, mais de 4 mil pessoas subiram a Pedra Grande no 1º de maio, segundo a SIMBiOSE.
Em 2006, voluntários apagaram mais de 50 fogueiras na laje, e as regras mudaram: a partir de 2021, segundo a mesma organização, não houve mais tentativa de subida durante a noite. A subida do 1º de maio ainda atrai centenas de moradores e visitantes, agora com subida organizada e monitorada pelo Estado, com apoio da prefeitura, da Polícia Militar Ambiental e da Guarda Civil Municipal. Hoje, as regras são simples: Prefeitura e Fundação Florestal proíbem acampar e pernoitar, e o guia oficial também veta lixo, animais domésticos e fogueira. A Pedra Grande é um lugar real, aberto à visitação organizada pelo Estado, para subir, olhar a vista e voltar no mesmo dia.
Você já subiu a Pedra Grande, ou tem outro mirante de pedra do interior paulista na lista?
