Cachoeira de 154 metros na capital do lobisomem em SP tem tirolesa, boia cross e poços para banho

Cachoeira dos Pretos descendo em várias quedas brancas por um paredão de pedra no meio da mata verde
A Cachoeira dos Pretos, em Joanópolis. Foto: joao batista Shimoto / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada)

Joanópolis, no interior paulista, ficou famosa como a capital do lobisomem, mas o que mais atrai visitantes à cidade é uma queda d’água. A Cachoeira dos Pretos tem 154 metros de altura e é considerada a segunda maior cachoeira do estado de São Paulo. Fica a 18 quilômetros do centro, numa Área de Proteção Ambiental cercada de mata.

Ao pé da queda há poços para banho, lago com pedalinho, tirolesa, descida de boia pelas corredeiras e uma trilha até o alto da cachoeira. Tudo isso fica a pouco mais de 100 quilômetros da capital paulista, perto da divisa com Minas Gerais.

Queda longa e branca da Cachoeira dos Pretos na encosta verde, com construções e carros na estrada em primeiro plano
A queda vista da área de visitação, em Joanópolis. Foto: joao batista Shimoto / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada)

Como é a Cachoeira dos Pretos

A queda desce por um paredão de pedra no meio da mata e pode ser vista de longe, ainda na estrada. A área principal, junto à base da cachoeira, tem acesso livre, sem trilha nem obstáculos, o que facilita a visita com crianças e pessoas mais velhas.

Na parte de baixo, a água forma poços naturais onde os visitantes costumam se banhar, e há um lago com pedalinhos. O acesso a partir do centro de Joanópolis tem cerca de 6 quilômetros de asfalto e 12 de estrada de terra. Em dias secos o caminho é tranquilo, mas depois de chuva forte vale ir com calma. Durante a semana a cachoeira fica mais vazia, e nos fins de semana e feriados de calor o movimento aumenta bastante.

Rio correndo entre grandes pedras no meio da mata, com a queda da Cachoeira dos Pretos ao fundo
A Cachoeira dos Pretos e as corredeiras do rio, em Joanópolis. Foto: Elias Gomes / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A cachoeira fica aos pés da Serra da Mantiqueira, numa região de morros, pastos e mata, e o caminho de terra até ela já faz parte do passeio, com vista para os vales e para as montanhas da divisa com Minas Gerais.

O nome não tem relação com a lenda do lobisomem. Ele vem de uma família de origem portuguesa, a Preto de Oliveira, que deu nome ao bairro e à cachoeira.

A Cachoeira dos Pretos, em Joanópolis, tem 154 metros de queda e é a segunda maior do estado de São Paulo.

Tirolesa, boia cross e trilha até o topo da Cachoeira dos Pretos

Para quem gosta de aventura, a Cachoeira dos Pretos tem tirolesa e boia cross, a descida de boia pelas corredeiras do rio, oferecida por operadores que ficam junto à cachoeira.

Quem quer ver a queda do alto pode subir por uma trilha de cerca de 40 minutos até o topo, com mirante sobre o vale, ou fazer o caminho em passeios de jipe ou de trator. Lá de cima dá para ver a água despencando e a paisagem de morros da região.

Para aproveitar o dia, vale levar roupa de banho, toalha e um calçado firme para a trilha, e chegar cedo nos fins de semana e feriados, quando o movimento é maior. Visitas em grupo e excursões devem ser agendadas com a Secretaria de Turismo de Joanópolis.

Restaurante caipira, artesanato e a Casa do Lobisomem

A estrutura é a mais completa entre as cachoeiras da cidade. Ao redor da base há restaurantes de comida caipira, lanchonetes, banheiros, lojas de artesanato e estacionamento pago.

Restaurante rural de telhado vermelho com mesas ao ar livre num gramado cercado de pinheiros e morros verdes
O restaurante O Caipirão, em Joanópolis. Foto: Elias Gomes / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada

Ali também fica a Casa do Lobisomem, atração temática que está entre os destaques do lugar. É um dos pontos mais fotografados da visita, e ajuda a entender por que a lenda virou marca da cidade.

Ao pé da Cachoeira dos Pretos há restaurante caipira, lojas de artesanato e a Casa do Lobisomem.

Por que Joanópolis é a capital do lobisomem

A fama vem de histórias contadas na cidade desde o século 19. Elas foram estudadas pela folclorista Maria do Rosário de Souza Tavares de Lima, que registrou os relatos em livro, e ganharam o país quando moradores de Joanópolis participaram de um comercial de televisão sobre lendas brasileiras.

Com o tempo, a cidade deixou de lado o incômodo e adotou o lobisomem como símbolo. Hoje ele aparece em esculturas, praças e no comércio, em lembranças, camisetas e até nomes de lojas, e Joanópolis é Estância Turística do estado.

O centro de Joanópolis é pequeno e dá para percorrer a pé. A igreja matriz, na praça central, é dedicada a São João Batista, padroeiro de Joanópolis, e a fundação da cidade é lembrada no dia do santo.

Igreja matriz amarela de torre alta na praça central de Joanópolis, com árvores e decoração de Natal
A praça central e a igreja matriz de Joanópolis. Foto: Cowilliam / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Outros passeios em Joanópolis

A Cachoeira dos Pretos não é a única da cidade. A Cachoeira dos Pires, a 3,7 quilômetros do centro, tem várias quedas e piscinas naturais de profundidades diferentes, e a Cachoeira Escondida, a 10 quilômetros, é indicada pela prefeitura como boa opção para crianças, com acesso mediante aviso aos proprietários.

O Gigante Adormecido é uma montanha da Serra do Lopo, a 12 quilômetros do centro, com 1.725 metros de altitude, cuja silhueta lembra um homem deitado. Ao entardecer, o contorno do gigante fica recortado contra o céu, e é uma das imagens mais conhecidas da cidade. Na mesma serra, na divisa com Minas Gerais, ficam duas rampas de voo livre, de onde saem pilotos de asa-delta e parapente e que também servem de mirante para a região, e a 4 quilômetros do centro está a Represa Jaguari/Jacareí, com acesso público pelo Mangue Seco. A represa faz parte do Sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo, e suas margens formam uma paisagem de água cercada de montanhas.

O Gigante Adormecido ao entardecer, em Joanópolis. Foto: Noemia negrini / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)
O Gigante Adormecido ao entardecer, em Joanópolis. Foto: Noemia negrini / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Outros passeios de natureza no interior paulista são a Pedra Grande de Atibaia, na mesma região, e a Cachoeira do Saltão, em Itirapina.

Um fim de semana em Joanópolis pode juntar a manhã na cachoeira, a tarde no centro, entre as esculturas do lobisomem e a praça da matriz, e o pôr do sol com vista para o Gigante Adormecido.

Em Joanópolis, a maior atração de uma cidade famosa por uma lenda é uma queda d’água de 154 metros.

Você teria coragem de descer de boia pelas corredeiras da Cachoeira dos Pretos?

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