Muito antes de existir cidade, café ou fábrica de biscoito, um crocodilo pequeno, de pernas compridas, caminhava por terra firme no lugar onde hoje fica Marília. Viveu há mais de 80 milhões de anos, dividindo a paisagem com dinossauros gigantes, e ganhou o nome científico de Mariliasuchus. Saber o que fazer em Marília começa por esse encontro com a pré-história e termina num poema de amor do século 18, que deu nome à cidade.
Marília fica no Centro-Oeste paulista, a 438 km de São Paulo. Cresceu com o café e hoje é conhecida como Capital Nacional do Alimento, por causa das fábricas de biscoitos, doces e massas instaladas ali. Mas, para o turista, o que surpreende é o passado muito mais antigo.
O Museu de Paleontologia e o crocodilo pré-histórico
O passeio obrigatório é o Museu de Paleontologia. A estrela do acervo é o Mariliasuchus amarali, um crocodilo diferente dos atuais: tinha cerca de um metro, focinho curto e patas mais altas, adaptadas para andar em terra. Os fósseis foram encontrados na região, e o museu mostra réplicas do Mariliasuchus e do Adamantinasuchus, outro crocodilo pré-histórico, ao lado de pedaços de rocha com fósseis.
O museu guarda também fósseis de titanossauro, os dinossauros herbívoros de pescoço longo que estão entre os maiores animais que já andaram pelo Brasil. Para as crianças, há recursos interativos, como óculos de realidade virtual e QR codes que contam a história de cada peça. A entrada costuma ser gratuita, mas confira horários e endereço antes de ir, porque as informações mudam.
Vale reservar pelo menos uma hora para a visita. Os painéis explicam como os fósseis se formam, como os paleontólogos encontram e retiram as peças da rocha e por que o oeste paulista concentra tantos achados de fósseis do período Cretáceo, a última fase da era dos dinossauros. Para quem viaja com crianças, é uma aula de ciência que não parece aula.
O que fazer em Marília fora do centro: o Vale dos Dinossauros
Fora do centro, o Vale dos Dinossauros mostra onde parte dessa história foi encontrada. Ali, entre paredões de arenito com 65 a 70 milhões de anos e quedas d’água cercadas de mata, fica uma fazenda experimental da Universidade de Marília, a Unimar, onde vários fósseis de dinossauros foram identificados.

O vale tem um pequeno museu com fósseis, painéis e fotografias das escavações. Como a área é ligada à universidade, consulte a Unimar sobre as regras de visita antes de ir. Mesmo de longe, a paisagem de rochas alaranjadas e mata fechada já vale a parada.
Um nome tirado de um poema
O nome da cidade tem uma origem literária. Marília homenageia Marília de Dirceu, o livro de poemas de amor escrito por Tomás Antônio Gonzaga, um dos inconfidentes mineiros, para a jovem que ele chamava de Marília. O município ganhou esse nome na década de 1920, quando a região se desenvolvia com o café e a ferrovia.
Essa história é contada no Museu Histórico e Pedagógico, criado em 1959, que tem parte do acervo dedicada à Inconfidência Mineira e ao poeta. O museu reúne ainda objetos ligados à formação da cidade e às famílias de imigrantes que ajudaram a construí-la, como uma armadura de samurai que chama a atenção de quem passa.

O que fazer em Marília no centro
No centro, a Basílica de São Bento teve a pedra fundamental lançada em 1929 e foi a primeira paróquia criada na diocese de Marília. Por dentro, a cúpula pintada em raios coloridos e o grande painel do altar, com anjos e um céu azul, fazem o visitante parar e olhar para cima.

A Paróquia Santo Antônio começou como uma capela simples em 1924 e, depois de várias reformas, virou Igreja Matriz em 1934. A torre branca com relógio é uma das imagens mais conhecidas da cidade.

Outro conjunto histórico é o Complexo Santa Casa, Igreja e Educandário, que remonta a 1928, quando Marília ainda dava os primeiros passos. O prédio do Educandário, verde-claro e cercado de palmeiras, guarda a arquitetura daquela época.

Roteiro de um dia: o que fazer em Marília
Marília fica longe da capital, então o ideal é dormir na cidade ou encaixá-la numa viagem maior pelo oeste paulista, passando por Bauru no caminho. A cidade tem boa estrutura de hotéis e restaurantes, e o centro é fácil de percorrer.
Comece pelo Museu de Paleontologia pela manhã, quando as crianças estão mais animadas. Depois, visite o Museu Histórico e as igrejas do centro e faça uma pausa na Praça Saturnino de Brito, o tradicional ponto de encontro da cidade, com jardins, coreto e monumentos. À tarde, se tiver combinado a visita, siga para o Vale dos Dinossauros. Para fechar, o Bosque Municipal é um bom lugar para caminhar à sombra, e no fim da tarde a praça central volta a encher de moradores, um bom momento para sentir o ritmo tranquilo da cidade antes do jantar.

Quem gosta de dinossauros pode montar um roteiro pré-histórico pelo estado. Em Itatiba, o museu de dinossauros fica ao lado do Zooparque, e em Salto há um parque temático com réplicas em tamanho real. No caminho para Marília, Bauru rende uma parada para o museu ferroviário e o sanduíche que leva o nome da cidade.
Ficar diante de um crocodilo que viveu ali há 80 milhões de anos e, no mesmo dia, ouvir a história de um poema de amor é o tipo de contraste que faz de Marília uma surpresa no mapa do interior.




