Itatiba tem zoológico com museu de dinossauros, coreto de 1914 e almoço caipira no fogão a lenha

Solar Ferraz Costa, em Itatiba, casarão salmão com varanda de colunas de ferro, arcos e escadarias duplas entre palmeiras
O Solar Ferraz Costa, casarão do século 19 em Itatiba. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada

A cerca de 90 quilômetros de São Paulo, Itatiba costuma aparecer no mapa como cidade de passagem entre Campinas e Bragança Paulista. Quem para, descobre um dos maiores zoológicos particulares do país, um museu com dinossauros em tamanho real e uma praça central com coreto de ferro e basílica.

A cidade já foi conhecida como a capital brasileira do móvel colonial, faz parte do Circuito das Frutas e tem sítios que servem almoço no fogão a lenha nos fins de semana. É um bate-volta que agrada criança, avô e quem só quer comer bem.

Zooparque Itatiba, com mais de mil animais

O passeio mais famoso da cidade é o Zooparque Itatiba, à beira da Rodovia Dom Pedro I, no km 95,5. São mais de 500 mil metros quadrados com um fragmento de Mata Atlântica, onde vivem mais de mil animais, entre espécies brasileiras e de outros continentes.

Entrada da trilha Expedição Pantanal no Zooparque Itatiba, caminho de terra no meio da mata com placa de madeira
Trilha temática no Zooparque Itatiba. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada

A visita é feita a pé, por trilhas temáticas que atravessam a mata e passam pelos recintos. Há ainda um minizoo, um jardim sensorial, restaurante e loja de lembranças. O zoológico participa de programas de reprodução de espécies ameaçadas e já comemorou, por exemplo, o nascimento de micos-leões-dourados gêmeos.

O Zooparque abre das 9h às 17h. Os dias de funcionamento mudam ao longo do ano, então confira no site antes de ir, principalmente em feriados.

O museu de dinossauros dentro do zoológico

Dentro do Zooparque fica um passeio que muita gente nem sabe que existe. Inaugurado em novembro de 2020, o museu “Viagem pela Evolução e Biodiversidade do Mundo” ocupa 2.400 metros quadrados e é apresentado como o maior museu de história natural da América Latina.

O prédio tem formato de nave espacial e conta a história da vida no planeta, da origem até a Era do Gelo. No caminho aparecem réplicas de dinossauros, inclusive espécies brasileiras, de mamute e de preguiça-gigante, além de alas dedicadas aos animais de cada continente. Quem curte o tema pode emendar outro passeio no interior: o Parque dos Dinossauros de Salto.

O museu do Zooparque Itatiba tem 2.400 metros quadrados e réplicas de dinossauros, mamute e preguiça-gigante.

Praça da Bandeira e a Basílica de Itatiba

O coração de Itatiba é a Praça da Bandeira, remodelada em 1914. O destaque é o coreto de ferro, fabricado pela Fundição do Braz, de São Paulo, e o paisagismo inspirado nos jardins de Versalhes, na França.

Coreto de ferro da Praça da Bandeira, em Itatiba, com a torre branca da Basílica de Nossa Senhora do Belém ao fundo
O coreto da Praça da Bandeira e a torre da Basílica. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Ao lado fica a Basílica Menor de Nossa Senhora do Belém, a igreja matriz. As obras começaram em 1830 e terminaram em 1850, e a torre foi erguida em 1874. Em 1991, o Vaticano deu a ela o título de basílica. Lá dentro, vale reparar nos vitrais, feitos por um artista polonês.

Museu Padre Lima, num casarão de 1875

Na própria Praça da Bandeira, no número 122, um casarão colonial guarda a história da cidade. O Solar dos Godoys Moreiras foi construído em 1875 e restaurado em 1996 para receber o Museu Histórico Padre Francisco de Paula Lima.

Sala do Museu Histórico Padre Francisco de Paula Lima com vitrines de vidro, quadros antigos e paredes decoradas
Sala de exposição do Museu Padre Lima. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A exposição permanente, “Caminhos do Passado”, conta como Itatiba se desenvolveu desde os tempos de vila. O museu também recebe mostras temporárias e funciona como centro cultural.

Solar Ferraz Costa e o Planetário

O casarão mais fotografado da cidade é o Solar Ferraz Costa, um palacete do século 19 com varanda de ferro, arcos e escadarias duplas. Ele foi construído como residência de Antônio Ferraz Costa e hoje abriga a Secretaria de Cultura e Turismo.

O solar fica dentro do Parque Ferraz Costa, com 256 mil metros quadrados de mata nativa, bosque com trilha, quadras e viveiro de mudas. No mesmo parque estão a Estação Ciências e o Planetário Municipal, com projeções digitais do céu que encantam a criançada.

Parque Luis Latorre, com lago e Cidade das Crianças

O maior parque de Itatiba é o Parque Luis Latorre, também chamado de Parque da Juventude. São 355 mil metros quadrados em volta de um lago, com áreas de piquenique, pista de caminhada e corrida, trilha ecológica, quadras e uma concha acústica para shows.

Pista de caminhada entre palmeiras e gramado no Parque Luis Latorre, em Itatiba, com o lago à esquerda
O Parque Luis Latorre, o maior da cidade. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Para os pequenos, a Cidade das Crianças ocupa 10 mil metros quadrados com praças temáticas e brinquedos acessíveis. O parque abre cedo e é bom para observar aves no lago e no brejo. Em abril, ele recebe a Festa do Caqui, a fruta mais famosa da cidade.

Mercado Dona Lica, numa antiga fábrica de fósforos

Para comer, o endereço é o Mercado Municipal Maria Elias de Godoy Camargo, o Dona Lica. Ele foi inaugurado em 1984 no prédio de uma antiga fábrica de palitos de fósforo e revitalizado em 2012.

Fachada do Mercado Municipal Maria Elias de Godoy Camargo, o Dona Lica, com letreiro em letras de metal
O Mercado Municipal Dona Lica. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O forte são os doces e salgados artesanais, e a praça de alimentação, com opções variadas, é um dos pontos mais movimentados do centro na hora do almoço.

Sítio São José, almoço caipira em Itatiba

Na zona rural, no bairro Tapera Grande, o Sítio São José é parada obrigatória para quem gosta de comida da roça. O sítio abre aos sábados, domingos e feriados, das 8h às 17h, com entrada gratuita e sem agendamento.

Garrafas de vinho e licores artesanais do Sítio São José, em Itatiba, com morangos, caquis, pitaias e pinhas na frente
Vinhos, licores e frutas do Sítio São José. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O almoço é servido no fogão a lenha, no sistema de buffet. Depois, dá para colher e pagar morango e amora, comprar vinhos, licores e geleias feitos ali mesmo, andar de pônei e de trenzinho e visitar o orquidário. Há também plantações de caqui e uva, frutas que dão fama à região.

Dicas para visitar Itatiba

Itatiba fica a cerca de 90 quilômetros de São Paulo, com acesso pela Rodovia Dom Pedro I. O Zooparque fica na própria rodovia, e o Sítio São José fica na Rodovia Romildo Prado, na zona rural. Para circular entre os passeios, o ideal é ir de carro.

Um roteiro de um dia funciona bem assim: Zooparque e museu de manhã, almoço no Sítio São José ou no Mercado Dona Lica e, no fim da tarde, Praça da Bandeira, Basílica e Museu Padre Lima. Se sobrar tempo, o Parque Luis Latorre é o lugar para ver o sol baixar sobre o lago.

A cidade faz parte do Circuito das Frutas, ao lado de vizinhas como Jundiaí, terra da uva Niágara, e combina com um fim de semana na região.

Bicho de perto, dinossauro em tamanho real, coreto centenário e comida no fogão a lenha: Itatiba prova que nem toda cidade de passagem merece ser só caminho.

Você já parou em Itatiba ou só passou pela Dom Pedro?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.