Ribeirão Pires tem capela de 1714, templo oriental na Billings e Vila do Doce, a 40 km de SP de trem

Jardim Oriental de Ribeirão Pires com lago de carpas, pedras, pinheiro e ponte vermelha em estilo japonês
O Jardim Oriental, no centro de Ribeirão Pires. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Do outro lado da Represa Billings, um pagode vermelho de 32 metros aparece entre a mata, e só se chega até ele de barco. Do lado de cá, uma capela branca de taipa de pilão, erguida em 1714, ainda marca o ponto de onde a cidade começou. As duas cenas estão em Ribeirão Pires, a cerca de 40 km da capital, e dá para chegar lá de trem.

A estância turística do Grande ABC fica numa área de proteção de mananciais, com morros cobertos de Mata Atlântica, e foi classificada pelo governo do estado como a oitava melhor estância entre 78 municípios com o mesmo título. Tem jardins japoneses, mirantes acima de 800 metros, uma pedra de quase mil metros para trilha e uma rua inteira dedicada aos doces.

A capela de 1714 de onde nasceu Ribeirão Pires

No alto de uma colina, a Capela de Nossa Senhora do Pilar foi construída em taipa de pilão a pedido do Capitão-Mor Antônio Correia de Lemos e abençoada por Frei Pacífico, em 1714. A cidade cresceu em volta dela, e a capela é um dos monumentos religiosos mais antigos do Grande ABC.

Capela de Nossa Senhora do Pilar, em Ribeirão Pires, branca com torre de cantos marrons e mata ao fundo
A Capela de Nossa Senhora do Pilar, de 1714. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Tombada pelo Condephaat, ela passou por restaurações sem perder o desenho original: paredes brancas grossas, torre com cantos em tom de terra e uma porta de madeira em arco. Fica numa área verde, cercada de mata.

Todo ano, a Festa de Nossa Senhora do Pilar reúne fiéis e visitantes em volta da capela, com missas e apresentações de música. A tradição já passou da 80ª edição e é uma das mais antigas do calendário da cidade.

A Torre de Miroku, do outro lado da Billings

A maior torre em estilo japonês do Brasil fica em Ribeirão Pires, às margens da Billings. A Torre de Miroku tem cerca de 32 metros e faz parte do Templo Luz do Oriente, da comunidade messiânica. Foi inspirada na torre de mesmo nome no Japão e pensada como um lugar de contemplação da paz, da beleza e da arte.

Torre de Miroku, pagode vermelho de vários andares em estilo japonês, cercado de mata em Ribeirão Pires
A Torre de Miroku, no Templo Luz do Oriente. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O caminho até ela já é metade do passeio. A travessia é feita no barco Koryu, em cerca de 10 minutos pela represa, com saída do Parque Oriental ou do Tahiti Náutica Clube. As visitas acontecem aos sábados, domingos e feriados, sempre com agendamento prévio pelo site oficial e com número limitado de lugares no barco.

Do lado de lá, a visita é guiada e passa pelos jardins e pelo entorno da torre. Em alguns horários há um breve cerimonial com oração. Vale reservar com antecedência, porque as vagas no barco são limitadas.

Parque Oriental, na beira da represa

O ponto de embarque para a torre é também um passeio à parte. O Parque Oriental Municipal Milton Marinho de Moraes ocupa 60 mil metros quadrados às margens da Billings, na Estância Noblesse, e ganhou o formato atual, com tema japonês, em 2020.

Gramado com árvores e quiosques de sapê no Parque Municipal Milton Marinho de Moraes
O Parque Municipal Milton Marinho de Moraes, hoje Parque Oriental. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Tem Jardim Oriental, Jardim Zen, Casa do Origami, o monumento a Sadako Sasaki (a menina de Hiroshima que dobrava tsurus de papel), pavilhão de exposições, píer, restaurante, playground e trilhas para caminhar e observar aves. Funciona de terça a domingo, das 8h às 17h, com entrada gratuita, e tem um Centro de Informações Turísticas para quem chega sem roteiro.

A influência japonesa em Ribeirão Pires é forte desde meados dos anos 1940, quando famílias de imigrantes se instalaram na região, como aconteceu também em Mogi das Cruzes. Ela aparece nos jardins, nos restaurantes e num festival oriental que a cidade passou a promover.

O Jardim Oriental no centro de Ribeirão Pires

Bem antes do parque grande, o centro já tinha o seu pedaço de Japão. O Jardim Oriental da Praça Mitio Tanaka, que está na foto de capa deste texto, tem lago com carpas, caminhos sinuosos, pedras e uma ponte vermelha. O paisagismo é mantido há mais de 50 anos e é considerado um marco da colônia japonesa na cidade.

É uma parada rápida, de 15 ou 20 minutos, e fica perto do comércio. Dá para combinar com a Vila do Doce no mesmo trecho a pé.

Vila do Doce e o Festival do Chocolate de Ribeirão Pires

Na Rua Boa Vista, no centro, casinhas coloridas de telhado de barro formam a Vila do Doce, inaugurada em janeiro de 2008. São quiosques de doces tradicionais e modernos, salgados, artesanato e lembranças, além de bares e restaurantes em volta.

Casinhas coloridas de telhado de barro na Vila do Doce, em Ribeirão Pires, com mesas na calçada
A Vila do Doce, no centro. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A vila é também o ponto de partida dos passeios guiados gratuitos que a prefeitura organiza em datas especiais, com roteiro pelos mirantes, pela Capela do Pilar e pelos parques. O agendamento é feito pela Secretaria de Turismo.

O doce virou marca da cidade por causa do Festival do Chocolate, que acontece desde 2005, entre julho e agosto, no Complexo Ayrton Senna. São chalés de comida em praças cobertas, artesanato e shows nos fins de semana, e o evento faz parte do calendário turístico do estado. Para quem gosta de chocolate, vale anotar na agenda do ano que vem.

Os mirantes de Ribeirão Pires

A cidade é chamada de Pérola da Serra, e o apelido faz sentido do alto. O Mirante Santo Antônio, no bairro Bocaina, fica a 807 metros de altitude e tem vista para a cidade e para a Billings. A capela branca e azul foi inaugurada em 1919, depois de uma promessa a Santo Antônio, e levou quase dez anos para ficar pronta.

Capela branca e azul do Mirante Santo Antônio, com jardim, palmeiras e bandeira do Brasil
A capela do Mirante Santo Antônio, a 807 metros de altitude. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O outro é o Mirante São José, a cerca de 801 metros, com a estátua do padroeiro da cidade e um deque de madeira. O fim de tarde é o melhor horário, quando o sol baixa atrás dos morros e as luzes da cidade começam a acender.

Museu, arte na rua e a Pedra do Elefante

No centro, o Centro de Exposições e História reúne o Museu Histórico Municipal Família Pires, uma pinacoteca, a Sala do Patrimônio e a Escola Municipal de Artes. É o lugar para entender como a vila em volta da capela virou cidade, com a chegada da ferrovia no século 19.

Prédio amarelo com janelas em arco e torre de relógio, sob céu azul com nuvens
O Centro de Exposições e História. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A arte também está espalhada pelas ruas. O Museu Aberto de Arte Contemporânea tem mais de 120 obras ao ar livre, e algumas delas, como o “Tucano” e a “Torre de Metal”, ficam no Parque Luiz Carlos Grecco, o antigo Parque Pérola da Serra. São 36 mil metros quadrados de área arborizada perto do centro, com trilhas circulares e uma gruta de Nossa Senhora Aparecida.

Para quem gosta de trilha, o desafio é a Pedra do Elefante, no bairro Quarta Divisão. Com 977,7 metros, é a pedra mais alta da região, e o nome vem do formato da rocha. A subida é de nível moderado e a pedra é usada para trekking, rapel e escalada, com vista panorâmica lá de cima. É bom ir com guia e olhar a previsão do tempo antes.

Como chegar a Ribeirão Pires

De trem, basta pegar a Linha 10-Turquesa da CPTM até a estação Ribeirão Pires, aberta em 1885. A viagem leva cerca de uma hora a partir da capital. A mesma linha leva a Paranapiacaba, a vila inglesa da serra, e passa pelo roteiro do Expresso Turístico.

De carro, o caminho é pela Rodovia Anchieta, sentido Santos, com saída para Riacho Grande e depois pela Rodovia Índio Tibiriçá. São cerca de 40 km da capital.

Roteiro de um dia em Ribeirão Pires

Num sábado ou domingo, comece cedo pela Capela do Pilar e siga para o Parque Oriental, onde sai o barco para a Torre de Miroku (com horário reservado). Na volta, almoce no centro, passe pelo Jardim Oriental e termine a tarde com um doce na Vila do Doce. Se sobrar fôlego, suba ao Mirante Santo Antônio para ver o pôr do sol sobre a Billings.

Num dia só, Ribeirão Pires mistura o que o paulista pouco espera tão perto de casa: um pagode japonês do outro lado da represa, uma capela que já tem mais de 300 anos e uma rua de casinhas coloridas cheirando a chocolate. Tudo a uma viagem de trem da capital.

Para quem gosta de represa e igreja antiga, Nazaré Paulista é outro bate e volta perto de São Paulo.

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.