Nazaré Paulista tem igreja de 1676, represa para lancha e stand-up e trilhas no Parque Estadual Itaberaba, a 88 km de SP

Estrada de terra entre pastos verdes descendo até a Represa Atibainha, em Nazaré Paulista, com a ponte e a serra ao fundo
A Represa Atibainha, em Nazaré Paulista. Foto: Fabricio Macedo / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

No ponto mais alto de Nazaré Paulista, uma igreja construída a partir de uma capela de 1676 avisa, de longe, a quem passa pela Rodovia Dom Pedro I, que ali começa uma cidade antiga. Lá embaixo, entre os morros, a Represa Atibainha espalha suas águas calmas, com marinas, deques e barcos.

A apenas 88 quilômetros de São Paulo, cerca de uma hora e meia de carro, Nazaré Paulista junta história, represa, cachoeiras e mata preservada. Dá para conhecer num bate e volta, mas a cidade também convida a ficar o fim de semana.

A igreja de 1676 que deu nome à cidade

Nazaré Paulista nasceu em volta da capela de Nossa Senhora de Nazaré, erguida em 1676, que acabou dando nome ao povoado. No lugar da capela está hoje a Igreja Matriz, considerada a mais antiga da diocese e construída no ponto mais alto da cidade.

Fachada da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, em Nazaré Paulista, com torre e bandeirinhas de festa
A Matriz de Nossa Senhora de Nazaré. Foto: Elias Gomes / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A igreja foi erguida em estilo barroco e, depois de uma reforma, ganhou linhas neoclássicas. Por dentro, os altares entalhados em madeira e as imagens antigas trazidas de Portugal contam a história de mais de três séculos de devoção.

Interior da igreja com arcos, colunas verdes, lustres e o altar entalhado ao fundo
O interior da Matriz, com os altares entalhados. Foto: Elias Gomes / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Nazaré Paulista nasceu em volta de uma capela de 1676 e guarda a igreja mais antiga da diocese.

A Represa Atibainha

A Represa Atibainha, no pé da Serra da Mantiqueira, é o principal atrativo de Nazaré Paulista. Ela faz parte do Sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo, e preserva boa parte da vegetação nativa nas margens.

Represa Atibainha, em Nazaré Paulista, com um deque de madeira na água, a ponte e morros verdes ao fundo
Deque na Represa Atibainha. Foto: Elias Gomes / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A represa é usada para passeios de barco, pesca esportiva, jet ski e stand-up paddle, e tem várias marinas ao longo das margens. Nos dias de sol, recebe muitos visitantes. Passeios de jipe pela região sobem a mirantes com vista para a água e para a ponte que cruza a represa.

Cachoeiras, mirantes e o Parque Itaberaba

Parte do Parque Estadual Itaberaba fica dentro de Nazaré Paulista. São cerca de 15 mil hectares de mata preservada, com espécies de plantas e animais ameaçados, trilhas, cachoeiras, rios e mirantes. A entrada é gratuita.

Entre as quedas d’água da cidade estão a Cachoeira Vicente Nunes, pequena e acessada por trilha, bem procurada nos dias quentes, e a Cachoeira Gavirutuva. O Cruzeiro Mirante e a trilha da Pedra do Gavião são outros pontos com vista para a serra. Bem perto, na vizinha Bom Jesus dos Perdões, fica a Cachoeira do Barrocão.

Casarões antigos de Nazaré Paulista

Nazaré Paulista guarda construções que contam a história da região. O Casarão de Cuiabá, do século 18, também conhecido como Casa dos Escravos, abrigou pessoas escravizadas que trabalhavam nas fazendas da época. Ele fica em terreno particular, e a visita precisa ser combinada com os proprietários.

A Casa de Francisco Derosa, do começo do século 20, é outra parada para quem gosta de turismo cultural.

Cavalgadas e turismo rural em Nazaré Paulista

O turismo rural é forte em Nazaré Paulista. Sítios e fazendas oferecem passeios a cavalo durante o dia ou à noite, encerrados com almoço ou jantar caseiro. Também há hotéis-fazenda e pousadas com pensão completa, piscinas aquecidas e minifazenda com atividades para crianças, uma boa opção para quem vai com a família e quer passar o fim de semana.

Família passeando a cavalo num gramado verde cercado de árvores, num dia de sol
Passeio a cavalo na zona rural. Foto: Elias Gomes / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O IPÊ e o mico-leão-preto

Nazaré Paulista é a sede do IPÊ, o Instituto de Pesquisas Ecológicas, uma das maiores organizações ambientais do país. O instituto nasceu do trabalho de pesquisadores com o mico-leão-preto no Pontal do Paranapanema, a espécie que hoje vive no Parque Estadual Morro do Diabo, e mantém em Nazaré uma escola de conservação ambiental, criada em 1996, que hoje oferece até um mestrado profissional na área, um dos primeiros do tipo no país.

Casarão de varanda comprida do IPÊ, em Nazaré Paulista, cercado de palmeiras e árvores
A sede do IPÊ, Instituto de Pesquisas Ecológicas. Foto: Elias Gomes / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A sede promove cursos, estudos e projetos de educação ambiental. O trabalho com o mico-leão-preto continua, com monitoramento e pesquisa da espécie, que só existe no estado de São Paulo. Na mesma linha de contato com a natureza, a cidade abriga a Uniluz, uma escola de meditação com cursos de yoga, psicologia transpessoal, comunicação não violenta e danças circulares.

Festa de São Gonçalo

O turismo religioso também aparece na Festa de São Gonçalo do Amarante, que reúne devotos para orações e comemorações. A imagem do santo, com viola e fitas coloridas, é enfeitada para a festa.

Imagem colorida de São Gonçalo com viola e fitas, enfeitada para a festa
A imagem de São Gonçalo enfeitada para a festa. Foto: Elias Gomes / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Roteiro de um dia em Nazaré Paulista

Chegue cedo e comece pelo centro: suba até a Igreja Matriz, no alto da cidade, e aproveite a vista dos morros. Depois, desça em direção à Represa Atibainha para um passeio de barco ou de stand-up paddle, e almoce num dos restaurantes das margens.

À tarde, escolha entre uma trilha curta até uma das cachoeiras ou um passeio a cavalo pela zona rural. Antes de voltar, pare num dos mirantes da estrada para ver o fim de tarde sobre a represa e a ponte.

Como chegar a Nazaré Paulista

Saindo de São Paulo pela Rodovia Dom Pedro I, a viagem leva cerca de uma hora e meia. Num dia, dá para ver a igreja, almoçar perto da represa e fazer um passeio de barco ou uma trilha curta. Para as cachoeiras e o Parque Itaberaba, vale reservar um dia inteiro ou dormir na cidade.

Na mesma região, Piracaia tem a represa e a truta, e a Pedra Grande, em Atibaia, tem vista para toda a serra. Bragança Paulista também fica perto.

Uma igreja de mais de três séculos, uma represa entre morros e mata para todo lado: Nazaré Paulista é natureza e história a menos de cem quilômetros da capital.

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.