A cerca de 50 quilômetros da capital, no Alto Tietê, Mogi das Cruzes guarda um pedaço do Japão. Os imigrantes japoneses que chegaram à região no século 20 deixaram marcas na culinária, nas festas e nas paisagens da zona rural, e o símbolo maior dessa história é o Casarão do Chá, uma antiga fábrica de chá de 1942 construída inteira de madeira, com encaixes no lugar de pregos.
Em volta dele, a cidade tem um parque dedicado à imigração japonesa, um orquidário que começou com uma única espécie de flor e uma reserva de mata atlântica com passarela suspensa sobre o rio. No centro, igrejas e casarões antigos completam o roteiro, que dá para fazer num bate-volta de fim de semana.
O Casarão do Chá, de 1942
O Casarão do Chá fica no bairro rural de Cocuera e foi projetado e construído pelo mestre carpinteiro japonês Kazuo Hanaoka para ser uma fábrica de chá. O prédio ficou pronto em 1942 e mistura técnicas tradicionais japonesas com materiais brasileiros: a estrutura é de eucalipto, com as formas dos galhos à mostra, as peças se encaixam sem pregos nem parafusos, e o telhado em camadas segue o estilo irimoya, inspirado em templos e castelos do Japão. Cada encaixe da madeira tem marcações em kanji, a escrita japonesa, que indicavam onde cada peça devia entrar. Ao mesmo tempo, o casarão usa telhas francesas e paredes de taipa, comuns nas construções do interior paulista, o que faz dele uma mistura rara das duas culturas.
Por mais de 20 anos, o casarão funcionou como fábrica de chá preto, que chegou a ser exportado, e deu emprego a imigrantes japoneses da região. A produção parou em 1968, e o prédio passou anos se deteriorando, até ser tombado pelo Condephaat, em 1982, e pelo Iphan, em 1986. O restauro foi concluído em 2014, com técnicas trazidas do Japão.
Hoje o Casarão do Chá abre aos domingos, das 9h às 17h, com entrada gratuita, e nos dias de semana recebe visitas agendadas. Aos domingos, a área externa ganha uma feira com comidas típicas e artesanato, o que transforma o passeio num programa de manhã inteira.
O Casarão do Chá, em Mogi das Cruzes, foi construído em 1942 sem pregos nem parafusos e é tombado pelo Iphan.
Parque Centenário da Imigração Japonesa
Para conhecer mais dessa história, a próxima parada é o Parque Centenário da Imigração Japonesa, criado para homenagear os imigrantes. São cerca de 215 mil metros quadrados de área verde, dentro da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê, com quatro lagos atravessados por pontes flutuantes, trilhas, pista de caminhada, quadras e playground.

Dentro do parque fica o Museu Taro Konno, que conta a trajetória dos japoneses que chegaram à região e o trabalho deles na lavoura. O parque abre todos os dias, das 7h às 17h, e é bom para um piquenique com as crianças.
Orquidário Oriental
Na zona rural, o Orquidário Oriental é outro passeio ligado à colônia japonesa. Tudo começou em 1984, com a produção de uma única variedade, o Dendrobium nobile, orquídea conhecida como olho-de-boneca. Com o tempo, o orquidário passou a cultivar muitas outras espécies e virou referência na produção de orquídeas.

O orquidário abre de terça a domingo, inclusive feriados, das 9h às 17h. A visita é um passeio colorido entre estufas e flores, bom para fotos e para quem gosta de plantas. Ao longo do ano, o lugar também recebe festivais de orquídeas.
O centro histórico de Mogi das Cruzes
Fundada no século 16, Mogi das Cruzes tem um centro com construções de várias épocas. O conjunto das igrejas do Carmo é tombado pelo Iphan, e ao lado fica o Casarão do Carmo, construção do século 19 restaurada pela prefeitura, que abriga o Museu Visconde de Mauá e espaço para exposições. A Catedral de Sant’Anna, de 1902, foi erguida no lugar da primeira capela da cidade.

No distrito de Sabaúna, a antiga estação ferroviária da Central do Brasil, aberta em 1893, com prédio atual de 1932, abriga um Museu Ferroviário desde 2014. O Expresso Turístico da CPTM também chega a Mogi em algumas datas do ano, saindo da Estação da Luz, como contamos no artigo sobre o Expresso Turístico.

Parque das Neblinas, a mata entre a serra e o mar
Na divisa com Bertioga, o Parque das Neblinas é uma reserva particular de mata atlântica administrada pelo Instituto Ecofuturo e reconhecida, desde 2006, como Posto Avançado da Reserva da Biosfera. O parque tem trilhas autoguiadas e monitoradas, uma delas até a Cachoeira da Mineração, e uma passarela suspensa de 100 metros sobre a mata. São seis trilhas autoguiadas, das mais curtas, com cerca de 360 metros, até a de bicicleta, com 4,7 quilômetros. A trilha da cachoeira tem perto de 1 quilômetro.

As trilhas autoguiadas funcionam aos sábados e domingos, e as monitoradas, de terça a sexta. Todas as visitas precisam ser agendadas com antecedência, e há cobrança de ingresso. Também há atividades como canoagem no rio Itatinga.
Para ver Mogi das Cruzes do alto, o Pico do Urubu, na Serra do Itapety, tem 1.160 metros de altitude, vista de 360 graus e tradição de mais de 30 anos em voo livre.
Dicas para visitar Mogi das Cruzes
O melhor dia para o roteiro japonês é domingo, quando o Casarão do Chá abre e tem feira. Dá para começar por ele de manhã, almoçar comida japonesa na cidade, seguir para o Parque Centenário e fechar no Orquidário Oriental à tarde. O Parque das Neblinas pede um dia separado e reserva.
Quem viaja com crianças no feriado de outubro encontra outras ideias de passeio no nosso guia do Dia das Crianças no interior de SP.
Mogi das Cruzes mostra, num só fim de semana, como a imigração japonesa ajudou a desenhar o interior paulista, da fábrica de chá às orquídeas.
Você já conhecia o Casarão do Chá, em Mogi das Cruzes?




