Ilha Comprida tem 74 km de praia, as últimas dunas preservadas de SP e guarás vermelhos nos manguezais

Praia de areia clara à beira do Mar Pequeno, na Ilha Comprida, com um pinheiro em primeiro plano, píer e serras ao fundo sob céu azul
A Ilha Comprida, no litoral sul de São Paulo. Foto: Otávio Nogueira / Wikimedia Commons, CC BY 2.0 (recortada)

A Ilha Comprida faz jus ao nome: são 74 quilômetros de praia em linha quase reta, de Iguape a Cananéia, no litoral sul de São Paulo. A água é classificada como boa para banho o ano inteiro, as dunas são as últimas preservadas do estado, e nos manguezais do lado de dentro vivem os guarás, aves de um vermelho tão forte que parecem pintadas.

Entre o mar aberto e o Mar Pequeno, o canal que separa a ilha do continente, ficam vilas de pescadores, uma capela de 1770 e montes de conchas deixados por povos que viveram ali há milhares de anos.

74 km de praia na Ilha Comprida

A faixa de areia da Ilha Comprida é dividida em 22 praias, cada uma com 2 a 4 quilômetros. Ao longo do ano inteiro, a Cetesb classifica as águas como “sistematicamente boas”, a melhor nota do monitoramento das praias paulistas.

Praia longa e quase deserta, com ondas suaves e céu azul com nuvens, na Ponta da Praia da Ilha Comprida
A Ponta da Praia, no sul da ilha. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

No norte, perto da ponte que chega de Iguape, o mar é mais calmo e fica a maior parte da estrutura, com quiosques, restaurantes e a orla requalificada do Boqueirão Norte, a área mais movimentada da ilha. A Praia do Encanto também está entre as mais procuradas, e a de Itanhaém, mais tranquila, atrai quem quer sossego. Quanto mais ao sul, mais rústicas e vazias ficam as praias, com ondas boas para o surfe. Na Ponta da Praia, onde o mar encontra o Mar Pequeno, a correnteza é forte, e o banho exige cuidado. Desde 2023, a cidade proíbe som alto nas praias e barracas fixas na faixa de areia, o que ajuda a manter o clima tranquilo.

A Ilha Comprida tem 74 km de praia, e a água é classificada como boa para banho o ano todo.

As últimas dunas de São Paulo

As Dunas do Juruvauva são consideradas as últimas dunas preservadas do estado. Algumas chegam a cerca de 10 metros de altura e funcionam como mirantes naturais, com vista para o mar, para o Rio Cordeirinho e para a vegetação de restinga em volta.

Dunas de areia com vegetação rasteira de restinga e o mar ao fundo, nas Dunas do Juruvauva
As Dunas do Juruvauva. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

As Dunas do Araçá, menores e com pouca estrutura, ficam a cerca de 6 quilômetros do Boqueirão Norte. Para chegar às áreas mais afastadas, há passeios off-road em veículos UTV, os chamados safáris ecológicos.

Guarás vermelhos nos manguezais

O lado da ilha voltado para o Mar Pequeno é tomado por manguezais, e é ali que aparecem os guarás. A ave, de penas vermelho-vivas, vive no estuário entre Cananéia, Iguape e a Ilha Comprida, e já foi registrada se reproduzindo nos manguezais da ilha.

Guará de penas vermelho-vivas pousado num tronco, com folhagem verde ao fundo
Um guará fotografado na Ilha Comprida. Foto: Renato Augusto Martins / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada

Os guarás aparecem o ano todo, mas a melhor época para observar é de setembro a fevereiro, quando o número de aves é maior. A cor vem da alimentação, à base de caranguejos e outros crustáceos do mangue. Garças e socós completam o cenário para quem gosta de observar aves. Leve binóculo e mantenha distância, porque a visitação nas áreas de reprodução é monitorada.

Pedrinhas e as vilas caiçaras

À beira do Mar Pequeno ficam as vilas caiçaras, com barcos de pesca, redes estendidas na areia e restaurantes de pescado. A mais conhecida é a Vila de Pedrinhas, procurada por pescadores e surfistas, com casas de veraneio e vista para as serras do continente.

Barco de pesca verde na areia ao lado de uma rede, com píer de madeira e serras ao fundo, na Vila de Pedrinhas
A Vila de Pedrinhas, à beira do Mar Pequeno. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Das vilas saem passeios de barco pelo complexo de canais e mangues, e em alguns trechos é possível avistar golfinhos. Um catamarã com andar superior também faz passeios pelo Mar Pequeno. Para quem prefere caminhar, a Trilha Juruvauva–Pedrinhas liga vilas pelo meio da restinga, e a Trilha Vila Nova, que só se alcança de barco, passa por comunidades caiçaras. Há ainda a Trilha da Trincheira, entre as opções de caminhada pela ilha.

A capela de 1770 e os sambaquis

A Capela Nossa Senhora da Conceição, fundada em 1770, é o principal marco da antiga vila de onde nasceu a cidade. Pequena, branca e de porta azul, fica cercada de árvores e é um dos poucos vestígios dessa época.

Capela branca simples com porta azul em arco, cercada de árvores, na Ilha Comprida
A Capela Nossa Senhora da Conceição, de 1770. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Muito antes da capela, a ilha já era ocupada por povos que deixaram sambaquis, grandes montes de conchas e restos de alimentação que hoje são sítios arqueológicos. O Sambaqui do Nóbrega é o maior deles, com camadas de conchas visíveis no chão da mata.

Monte de conchas antigas no chão da mata, no Sambaqui do Nóbrega
Conchas do Sambaqui do Nóbrega. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Cultura e natureza protegida na Ilha Comprida

No centro, o Espaço Cultural Plínio Marcos recebe exposições, feiras de artesanato, sessões de cinema, peças de teatro e oficinas, e é um bom programa para dias de chuva.

Todo o território da Ilha Comprida é uma Área de Proteção Ambiental, e o município faz parte da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica reconhecida pela Unesco. Por isso, as dunas, a restinga e os manguezais continuam preservados, e a maior parte da estrutura turística fica no norte da ilha.

Dicas para visitar a Ilha Comprida

A Ilha Comprida fica a cerca de 210 quilômetros de São Paulo, pela Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), uma viagem de duas a três horas de carro. O clima é agradável o ano todo, mas chove com frequência, então leve capa de chuva. A entrada principal é pela ponte Laércio Ribeiro, que sai de Iguape, cidade histórica vizinha. Quem vem de Cananéia atravessa de balsa e chega ao sul da ilha.

O verão, o Carnaval e os feriados são os períodos mais cheios. Para comer, os melhores lugares são os restaurantes do Boqueirão Norte e as vilas do Mar Pequeno, com pratos de peixe e frutos do mar. Para completar a viagem pelo Lagamar, a Ilha do Cardoso, parque estadual sem carros, fica logo ao sul.

Praia boa para banho, dunas de areia branca e um pássaro vermelho no mangue: a Ilha Comprida mostra o litoral paulista ainda pouco tocado.

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.