A Ilha Comprida faz jus ao nome: são 74 quilômetros de praia em linha quase reta, de Iguape a Cananéia, no litoral sul de São Paulo. A água é classificada como boa para banho o ano inteiro, as dunas são as últimas preservadas do estado, e nos manguezais do lado de dentro vivem os guarás, aves de um vermelho tão forte que parecem pintadas.
Entre o mar aberto e o Mar Pequeno, o canal que separa a ilha do continente, ficam vilas de pescadores, uma capela de 1770 e montes de conchas deixados por povos que viveram ali há milhares de anos.
74 km de praia na Ilha Comprida
A faixa de areia da Ilha Comprida é dividida em 22 praias, cada uma com 2 a 4 quilômetros. Ao longo do ano inteiro, a Cetesb classifica as águas como “sistematicamente boas”, a melhor nota do monitoramento das praias paulistas.

No norte, perto da ponte que chega de Iguape, o mar é mais calmo e fica a maior parte da estrutura, com quiosques, restaurantes e a orla requalificada do Boqueirão Norte, a área mais movimentada da ilha. A Praia do Encanto também está entre as mais procuradas, e a de Itanhaém, mais tranquila, atrai quem quer sossego. Quanto mais ao sul, mais rústicas e vazias ficam as praias, com ondas boas para o surfe. Na Ponta da Praia, onde o mar encontra o Mar Pequeno, a correnteza é forte, e o banho exige cuidado. Desde 2023, a cidade proíbe som alto nas praias e barracas fixas na faixa de areia, o que ajuda a manter o clima tranquilo.
A Ilha Comprida tem 74 km de praia, e a água é classificada como boa para banho o ano todo.
As últimas dunas de São Paulo
As Dunas do Juruvauva são consideradas as últimas dunas preservadas do estado. Algumas chegam a cerca de 10 metros de altura e funcionam como mirantes naturais, com vista para o mar, para o Rio Cordeirinho e para a vegetação de restinga em volta.

As Dunas do Araçá, menores e com pouca estrutura, ficam a cerca de 6 quilômetros do Boqueirão Norte. Para chegar às áreas mais afastadas, há passeios off-road em veículos UTV, os chamados safáris ecológicos.
Guarás vermelhos nos manguezais
O lado da ilha voltado para o Mar Pequeno é tomado por manguezais, e é ali que aparecem os guarás. A ave, de penas vermelho-vivas, vive no estuário entre Cananéia, Iguape e a Ilha Comprida, e já foi registrada se reproduzindo nos manguezais da ilha.

Os guarás aparecem o ano todo, mas a melhor época para observar é de setembro a fevereiro, quando o número de aves é maior. A cor vem da alimentação, à base de caranguejos e outros crustáceos do mangue. Garças e socós completam o cenário para quem gosta de observar aves. Leve binóculo e mantenha distância, porque a visitação nas áreas de reprodução é monitorada.
Pedrinhas e as vilas caiçaras
À beira do Mar Pequeno ficam as vilas caiçaras, com barcos de pesca, redes estendidas na areia e restaurantes de pescado. A mais conhecida é a Vila de Pedrinhas, procurada por pescadores e surfistas, com casas de veraneio e vista para as serras do continente.

Das vilas saem passeios de barco pelo complexo de canais e mangues, e em alguns trechos é possível avistar golfinhos. Um catamarã com andar superior também faz passeios pelo Mar Pequeno. Para quem prefere caminhar, a Trilha Juruvauva–Pedrinhas liga vilas pelo meio da restinga, e a Trilha Vila Nova, que só se alcança de barco, passa por comunidades caiçaras. Há ainda a Trilha da Trincheira, entre as opções de caminhada pela ilha.
A capela de 1770 e os sambaquis
A Capela Nossa Senhora da Conceição, fundada em 1770, é o principal marco da antiga vila de onde nasceu a cidade. Pequena, branca e de porta azul, fica cercada de árvores e é um dos poucos vestígios dessa época.

Muito antes da capela, a ilha já era ocupada por povos que deixaram sambaquis, grandes montes de conchas e restos de alimentação que hoje são sítios arqueológicos. O Sambaqui do Nóbrega é o maior deles, com camadas de conchas visíveis no chão da mata.

Cultura e natureza protegida na Ilha Comprida
No centro, o Espaço Cultural Plínio Marcos recebe exposições, feiras de artesanato, sessões de cinema, peças de teatro e oficinas, e é um bom programa para dias de chuva.
Todo o território da Ilha Comprida é uma Área de Proteção Ambiental, e o município faz parte da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica reconhecida pela Unesco. Por isso, as dunas, a restinga e os manguezais continuam preservados, e a maior parte da estrutura turística fica no norte da ilha.
Dicas para visitar a Ilha Comprida
A Ilha Comprida fica a cerca de 210 quilômetros de São Paulo, pela Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), uma viagem de duas a três horas de carro. O clima é agradável o ano todo, mas chove com frequência, então leve capa de chuva. A entrada principal é pela ponte Laércio Ribeiro, que sai de Iguape, cidade histórica vizinha. Quem vem de Cananéia atravessa de balsa e chega ao sul da ilha.
O verão, o Carnaval e os feriados são os períodos mais cheios. Para comer, os melhores lugares são os restaurantes do Boqueirão Norte e as vilas do Mar Pequeno, com pratos de peixe e frutos do mar. Para completar a viagem pelo Lagamar, a Ilha do Cardoso, parque estadual sem carros, fica logo ao sul.
Praia boa para banho, dunas de areia branca e um pássaro vermelho no mangue: a Ilha Comprida mostra o litoral paulista ainda pouco tocado.
Você já conhecia a Ilha Comprida?




