Nos fins de semana, um trem diferente sai da Estação da Luz, no centro de São Paulo. Puxado por uma locomotiva diesel de 1952 e formado por vagões de aço inox dos anos 1960, o Expresso Turístico da CPTM leva passageiros para passar o dia em três destinos ferroviários: a vila inglesa de Paranapiacaba, Jundiaí e Mogi das Cruzes.
O passeio funciona desde abril de 2009 e é tão procurado que as passagens costumam esgotar em menos de cinco minutos depois de abertas no site. Em abril de 2026, o trem completou 17 anos de operação, e o calendário deste ano vai até dezembro, com saídas em quase todos os fins de semana.
Como funciona o Expresso Turístico
O embarque começa às 8h, nas plataformas da Estação da Luz, e o trem parte às 8h30. A chegada ao destino está prevista para cerca de 10h30, e a volta sai às 16h30, com chegada à Luz por volta das 18h30. Entre a chegada e a volta, o passageiro fica livre por cerca de seis horas para passear na cidade.
A própria partida já faz parte do passeio. A Estação da Luz, inaugurada em 1901 pela São Paulo Railway, é um dos prédios ferroviários mais bonitos do país, com torre de relógio e estrutura de ferro trazida da Inglaterra, e abriga o Museu da Língua Portuguesa.

As passagens são vendidas apenas no site da CPTM, com abertura mensal, e há desconto para quem compra para mais de uma pessoa. Como a procura é grande, o ideal é acompanhar a data de abertura das vendas e estar com tudo pronto na hora.
Pelo calendário da CPTM, ainda há viagens em 3, 4, 10, 11, 12, 17, 18, 24, 25 e 31 de outubro, em vários fins de semana e feriados de novembro, a maioria para Paranapiacaba, e em 5, 6, 12, 13, 19 e 20 de dezembro, principalmente para Jundiaí e Paranapiacaba. O destino de cada data aparece no site da CPTM.
A locomotiva de 1952 e os vagões de inox do Expresso Turístico
Parte da graça está no próprio trem. A locomotiva é uma ALCO RS-3, a diesel, fabricada em 1952, e os carros de passageiros são de aço inoxidável, feitos no Brasil pela Budd-Mafersa nos anos 1960 e cedidos pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária.

A composição tem 352 lugares e espaço reservado para cadeira de rodas, com pontos de fixação de segurança. Pela janela, o passageiro acompanha a saída da capital e a paisagem de cada trajeto, enquanto aprende um pouco da história ferroviária da região.
O Expresso Turístico usa uma locomotiva ALCO RS-3 de 1952 e vagões de inox dos anos 1960, com 352 lugares.
Paranapiacaba, o destino mais procurado
A viagem mais disputada é a de Paranapiacaba, vila ferroviária construída pelos ingleses no alto da Serra do Mar, em Santo André. Lá o passageiro encontra casas de madeira, o relógio inspirado no Big Ben, a neblina frequente e a história do antigo sistema de trens puxados por cabos, que contamos em detalhe no artigo sobre a vila inglesa de Paranapiacaba.

Nos fins de semana de mais movimento, a vila tem restaurantes, cafés e feiras, e as seis horas livres dão para caminhar entre as ruas da parte baixa e subir à parte alta, onde fica a igreja. O trajeto até lá tem cerca de 48 quilômetros, e como a vila fica no alto da serra, vale levar agasalho mesmo nos dias quentes na capital, além de calçado confortável para as ladeiras.
Jundiaí, pela ferrovia de 1867
A viagem para Jundiaí segue o traçado da primeira ferrovia paulista, aberta em 1867 pela São Paulo Railway, empresa de capital inglês criada para levar o café do interior até o porto de Santos.
Em Jundiaí, um dos passeios ligados aos trilhos é o Complexo Fepasa, hoje chamado de Espaço Expressa, antigo conjunto de oficinas ferroviárias tombado pelo Iphan, o órgão federal de patrimônio. O complexo tem 111 mil metros quadrados e abriga o Museu da Companhia Paulista, com locomotivas históricas. A cidade também tem a Serra do Japi, uma das maiores áreas de mata do interior paulista, e é porta de entrada do Circuito das Frutas e de vinícolas, como a fazenda do século 19 que contamos no artigo sobre a fazenda que hospedou um imperador.

Mogi das Cruzes, pela antiga Central do Brasil
O terceiro destino é Mogi das Cruzes, no Alto Tietê, a cerca de 48 quilômetros da Luz, num trajeto que usa trilhos da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil.
No centro histórico de Mogi, o conjunto das igrejas do Carmo é tombado pelo Iphan, e o Casarão do Carmo, construção do século 19 restaurada pela prefeitura, abriga o Museu Visconde de Mauá e espaço para exposições. Um pouco mais longe, na zona rural, fica o Casarão do Chá, construído por imigrantes japoneses em 1942, todo em madeira e com encaixes no lugar de pregos, com entrada gratuita. O casarão é um retrato da forte presença da imigração japonesa em Mogi, que se vê também na culinária e nas festas da cidade.
Para quem gosta de trens, vale conhecer também a Estação Ferroviária de Sabaúna, no distrito de mesmo nome, em Mogi. A primeira estação foi aberta em 1893, na linha da Central do Brasil que ligava São Paulo ao Rio de Janeiro, e o prédio atual é de 1932. Desde 2014, ele abriga um Museu Ferroviário, com objetos, documentos e fotos da época dos trens, e o conjunto preserva ainda a antiga casa do chefe da estação. O Expresso Turístico não para em Sabaúna, então o passeio fica como extensão para quem vai de carro.

O Expresso Turístico sai da Estação da Luz às 8h30 e volta dos destinos às 16h30, nos fins de semana.
Quem não conseguir passagem pode chegar a Jundiaí e a Mogi das Cruzes pelos trens metropolitanos comuns da CPTM, pelas linhas 7 e 11, sem o charme da locomotiva antiga, mas com o mesmo destino.
Outros passeios de trem no interior paulista são a Maria Fumaça entre Campinas e Jaguariúna e o trem de Guararema.
O Expresso Turístico sai da capital todo fim de semana e é um jeito diferente de chegar a três cidades de história ferroviária sem pegar estrada.
Para qual destino você iria no Expresso Turístico?




