No fim da tarde, quem sobe ao Pico do Olho d’Água vê o sol descer sobre os morros da Cantareira e, quando escurece, as luzes de São Paulo acendendo no horizonte. Mairiporã fica a cerca de 40 km da capital, num vale abraçado pela serra, e é um dos refúgios verdes mais perto de quem mora na cidade grande.
Além do pico, Mairiporã tem uma represa grande cercada de morros, uma antiga pedreira com lago, cachoeiras em trilhas na mata e O Velhão, uma vila inteira construída com material de demolição.
Pico do Olho d’Água, o ponto mais alto de Mairiporã
O pico é o ponto mais alto da cidade, a mais de mil metros de altitude, e um dos mais altos da Serra da Cantareira. Uma estrada asfaltada leva até perto do topo, com acesso a partir da ponte do Rio Juqueri.
Lá em cima, a vista pega toda a cidade, a represa e, nos dias de céu limpo, parte de São Paulo. Nas manhãs frias, é comum ver um mar de nuvens cobrindo os vales. O pico também é ponto de saída de voo livre: quando o vento ajuda, instrutores credenciados levam visitantes em voos duplos de parapente.
O lugar tem pouca estrutura, então vale levar água, lanche e um saco para recolher o lixo. É ponto de encontro de ciclistas e motociclistas e cenário de muitas fotos de casais.
A represa de Mairiporã
A maior referência da cidade é a represa que faz parte do Sistema Cantareira, um dos que abastecem a Grande São Paulo. A água entra pelos vales e forma braços cercados de morros verdes, com casas de campo e pousadas nas margens.

Na represa há prática de vela e de esportes náuticos, e a vista mais bonita é a da Ponte Santa Inês, na divisa com Franco da Rocha. Perto dali, a barragem de Sete Quedas atrai pescadores durante a semana e banhistas nos fins de semana.
O Velhão, a vila feita de demolição
O passeio mais curioso de Mairiporã é O Velhão, um complexo de 57 mil metros quadrados na Serra da Cantareira. Ele começou a ser construído nos anos 1970 pelo casal Moacyr e Iracema Archanjo, com tijolos, janelas, portões, pisos e madeiras vindos da demolição de casarões e obras de São Paulo.

O resultado parece uma pequena cidadela antiga, em que cada construção tem um detalhe diferente. Há restaurante com comida feita no fogão a lenha, padaria, cachaçaria, cervejaria, pizzaria, lojas e oficinas de marcenaria e serralheria da própria família. Aos domingos, tem café colonial. O lugar também recebe casamentos e eventos.
Pedreira com lago, escalada e cachoeiras
Uma antiga pedreira, conhecida como Pedreira DIB ou Pedreira Mantiqueira, virou ponto de escalada e rapel. São três paredões de pedra que descem até um lago verde, formado pela água da chuva e do lençol freático.

A mata de Mairiporã também esconde cachoeiras. A Cachoeira da Caceia fica no fim de trilhas usadas por ciclistas, e a Trilha dos Macacos passa por quedas d’água no meio da mata. Parte da cidade fica dentro do Parque Estadual da Cantareira, uma das maiores florestas urbanas do mundo, que faz parte da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo, reconhecida pela Unesco. Para quem gosta de trilha, o vizinho Parque Estadual do Juquery fica a poucos quilômetros.
Igreja Matriz e a basílica dos Arautos
No centro, a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Desterro começou como uma capela simples e, depois de reformas, virou o templo de hoje, com a serra ao fundo. Em outro ponto alto da cidade, um cruzeiro de 7 metros é o maior símbolo de fé de Mairiporã.

Muita gente que visita Mairiporã aproveita para conhecer, já em Caieiras, na divisa com Mairiporã, a basílica de Nossa Senhora do Rosário dos Arautos do Evangelho. Construída entre 2006 e 2008, ela foi inspirada nas catedrais góticas da Europa, como Notre-Dame e a Sainte-Chapelle, de Paris, com vitrais coloridos e teto azul estrelado. Virou basílica em 2012 e é conhecida pelas missas com canto gregoriano.
Estrada do Rio Acima
Para quem gosta de dirigir sem pressa, a Estrada do Rio Acima liga Mairiporã a Nazaré Paulista, passando entre morros, mata e sítios. No fim da tarde, o céu fica vermelho sobre a serra.

É uma boa forma de emendar dois destinos no mesmo fim de semana: um dia em Mairiporã, outro na represa e nas trilhas de Nazaré.
Quando ir a Mairiporã
Os meses mais secos, de maio a setembro, costumam ter o céu mais limpo para ver São Paulo do alto do pico, e as manhãs frias são as melhores para pegar o mar de nuvens. No verão, as chuvas deixam as cachoeiras mais cheias e a mata mais verde, mas as trilhas ficam escorregadias. Em qualquer época, os fins de semana são mais movimentados, principalmente no pico no fim da tarde e nos restaurantes na hora do almoço.
Como chegar a Mairiporã
De São Paulo, o caminho é pela Rodovia Fernão Dias, sentido Minas Gerais. São cerca de 40 km e uma hora de viagem, dependendo do trânsito na saída da capital. O acesso ao Pico do Olho d’Água sai perto da ponte do Rio Juqueri, e O Velhão fica na Estrada Prefeito Sarkis Tellian.
Roteiro de um dia em Mairiporã
Comece cedo com o café colonial d’O Velhão (aos domingos) ou um café no centro, passe pela Igreja Matriz e siga para a represa e a Ponte Santa Inês. Almoce no fogão a lenha e, à tarde, conheça a pedreira ou faça uma trilha curta na mata. Deixe o fim do dia para o Pico do Olho d’Água: o pôr do sol lá de cima é o melhor jeito de terminar o passeio.
Mairiporã mostra que a Cantareira não é só a mata que se vê da janela de São Paulo. Do outro lado da serra tem pico, represa, cachoeira e uma vila de demolição, tudo a uma hora de casa. Para outro passeio de natureza perto da capital, veja também Juquitiba.



