Muito antes de existir cidade, os moradores do vale do Rio Pardo já iam a um poço de água morna que chamavam de Poço Quente, ou Água Virtuosa. Ali nasceu Águas de Santa Bárbara, estância hidromineral a cerca de 280 km de São Paulo, onde a água sai da terra a uns 28 graus e enche as banheiras de um balneário público.
A cidade é pequena, cercada de verde, e se apresenta como “Terra do Verde, da Paz e da Saúde”. Além do banho, tem uma cascata de 37 metros, mais sete quedas d’água, uma prainha de água doce e trechos do Rio Pardo para rafting e boia-cross.
Da água virtuosa à estância
A freguesia de Santa Bárbara começou em 1868, quando famílias vindas de Minas Gerais se instalaram no vale. O poço de água quente já era conhecido e usado pelos moradores. No fim do século 19, o engenheiro Constantino Mosca, contratado para lotear as terras, levou amostras da água para São Paulo, onde foi confirmado que se tratava de água mineral.
Em 1938, o governo do estado comprou a área do poço. A água ganhou fama quando foi elogiada num congresso internacional de hidroclimatismo realizado no Rio de Janeiro, em 1940, e a cidade virou estância hidromineral em 1945, como outras cidades paulistas de água mineral, entre elas Águas de Lindóia, Águas de São Pedro e Águas da Prata.
O balneário de Águas de Santa Bárbara
O balneário que funciona hoje começou a ser construído pelo estado em 1963 e foi inaugurado no ano seguinte. Leva o nome de Balneário Mizael Marques Sobrinho e fica no centro, dentro de uma grande área verde.

Lá dentro, a água mineral é usada em banhos de imersão, saunas seca e a vapor, ducha escocesa e piscina com hidromassagem. Ela é classificada como oligomineral e hipotermal, com cerca de 28 graus e radioatividade natural, e tem fama de fazer bem à pele e à respiração. É o tipo de passeio que se faz devagar: um banho, um descanso, uma caminhada pelo parque.
O balneário é muito procurado pela terceira idade, mas famílias com crianças também passam o dia por ali. Gestantes e quem tem algum problema de saúde devem conversar com o médico antes de entrar nos banhos.
Parque das Águas
Em volta do balneário fica o Parque das Águas, com gramados, bosques, trilhas, lagos, biblioteca e parquinhos. A entrada na área verde é livre, e o parque fica às margens do Rio Pardo.

É o lugar para caminhar no começo da manhã ou no fim da tarde, quando o sol fica mais fraco. Dá para levar lanche, sentar debaixo das árvores e emendar com o banho no balneário.
Cascata Capão Rico e as outras quedas
O cartão-postal de Águas de Santa Bárbara é a Cascata Capão Rico, com 37 metros de queda e um poço de água clara embaixo. O lugar tem estrutura de restaurante, banheiros, monitores, segurança e estacionamento, e a queda é usada para rapel. Há também trilhas curtas pela mata em volta.
A Capão Rico não é a única. A cidade tem mais sete quedas d’água espalhadas pelo município, além da cascata e da cachoeira do Parque dos Lagos, que estão abertas para visita. O município guarda ainda uma APA, uma estação ecológica e uma floresta estadual, com mais de 2.700 hectares de área verde.
A prainha de água doce do Parque dos Lagos
A uns 6 km do centro, perto do trevo da Rodovia Castello Branco, o Parque dos Lagos tem uma prainha de água doce na beira de um lago grande. É o passeio preferido das famílias nos dias de calor.

O parque tem quiosques com churrasqueira, lugar para piquenique, campo de futebol, parquinho, restaurante e banheiros. O lago também é usado para pesca. Quem vai num fim de semana de sol costuma passar o dia todo ali.
Rafting e boia-cross no Rio Pardo
O Rio Pardo, que passa por Águas de Santa Bárbara, corre em parte na divisa entre São Paulo e o Paraná. Em alguns trechos, as corredeiras são usadas para rafting e boia-cross, com saídas organizadas por operadoras da cidade. Também há passeios de barco e stand-up paddle.

A descida de boia-cross é mais tranquila e boa para quem nunca fez esporte de aventura. O rafting tem mais emoção nas corredeiras. Os dois precisam de agendamento e são feitos com guia e equipamento de segurança.
Igreja Matriz e Casa do Artesão
No centro, a Igreja Matriz de Santa Bárbara funciona desde a década de 1940 e mistura os estilos helvético e gótico, com torre pontuda. Ao lado ficam restaurantes e uma feira de artesanato.

Na Casa do Artesão, artesãos da cidade vendem peças em madeira, pinturas em óleo sobre tela, bordados, tricô, velas e sabonetes. É uma boa parada para levar uma lembrança.
Como chegar a Águas de Santa Bárbara
De São Paulo, o caminho é pela Rodovia Castello Branco, num total de cerca de 280 km, ou umas três horas e meia de carro. A cidade fica no sudoeste paulista, perto de Avaré e de Santa Cruz do Rio Pardo, o que permite combinar a viagem com outros destinos da região.
Roteiro de um fim de semana em Águas de Santa Bárbara
No sábado, comece pela Cascata Capão Rico ainda de manhã, antes de o sol esquentar, e almoce por lá. À tarde, vá para o Parque dos Lagos e fique na prainha até o fim do dia. No domingo, reserve a manhã para o balneário e o Parque das Águas, e passe pela Igreja Matriz e pela Casa do Artesão antes de pegar a estrada.
Quem tem mais um dia pode encaixar o rafting ou o boia-cross no Rio Pardo. Águas de Santa Bárbara é uma cidade para ir sem pressa, onde o programa principal é a água: a que sai morna da terra, a que cai da cascata e a que corre no rio.


