Na estrada para Ibiúna, os morros vão ficando cobertos de canteiros verdes, alface, couve e legumes em fileiras retas, até onde a vista alcança. A cidade, a cerca de 70 km de São Paulo, é uma das grandes produtoras de hortaliças do cinturão verde paulista e uma estância turística com represa, cachoeiras e trilhas na Mata Atlântica.
Ibiúna recebeu imigrantes de muitos lugares, como portugueses, italianos, árabes e japoneses, e essa mistura aparece até na paisagem: no meio do verde, um templo de madeira vermelha em estilo japonês guarda o santuário da Seicho-No-Ie. A cidade também tem uma capela no ponto mais alto, uma feira de artesanato e um capítulo importante da história do país, o congresso da UNE de 1968.
A Represa de Itupararanga
A Represa de Itupararanga é o principal passeio de natureza de Ibiúna. As águas se espalham entre morros e matas, dentro de uma Área de Proteção Ambiental, e têm prainhas para passar o dia.

Na represa dá para praticar stand-up paddle e passear de barco, numa rota de turismo náutico que a prefeitura chama de Costa Náutica. Nos fins de semana de calor, as prainhas recebem famílias com cadeira, guarda-sol e churrasqueira.
As hortas do cinturão verde
Ibiúna tem cerca de 3 mil pequenas propriedades rurais que cultivam hortaliças, folhas e legumes, e faz parte do cinturão verde que abastece a Grande São Paulo.
Para o visitante, as hortas formam a paisagem mais típica da cidade, com canteiros desenhando os morros. Nas feiras da cidade dá para comprar verdura fresca, e o turismo rural é uma das rotas incentivadas pela prefeitura.
A Academia da Seicho-No-Ie em Ibiúna
A Seicho-No-Ie, movimento religioso de origem japonesa, mantém em Ibiúna desde 1955 a sua academia de treinamento espiritual da América do Sul. O espaço tem uma extensa área verde, alojamentos, refeitório, livraria e o Santuário Hōzō, um templo de madeira em estilo japonês cercado de pedras com inscrições e árvores.
A academia recebe seminários e retiros ao longo do ano, e todo ano faz a festividade do santuário. Como é um centro religioso em funcionamento, quem quiser visitar deve consultar a programação e as regras antes de ir.
A capela no ponto mais alto de Ibiúna
No ponto mais alto da cidade, a Capela do Bom Jesus da Prisão é um dos cartões-postais de Ibiúna. Construída nos anos 1920, ela tem fachada amarela, porta azul em arco e uma cruz no alto, e é tombada pelo patrimônio histórico.

A subida vale também pela vista dos telhados e dos morros em volta, principalmente no fim da tarde.
Santuário de São Sebastião e a Matriz
O Santuário de São Sebastião é um dos lugares mais frequentados da cidade. Lá ficam a capela e a gruta de São Sebastião, ponto de chegada de uma romaria tradicional que reúne milhares de pessoas.

No centro, a Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores nasceu de uma antiga capela em homenagem à padroeira e ainda conserva o estilo colonial, com detalhes de decoração da época.
O congresso da UNE de 1968 em Ibiúna
Em outubro de 1968, em plena ditadura, a União Nacional dos Estudantes, que atuava na clandestinidade, organizou o seu 30º congresso num sítio da zona rural de Ibiúna. A movimentação chamou a atenção, a polícia chegou ao local e centenas de estudantes foram presos. Lideranças como Luís Travassos, Vladimir Palmeira, Franklin Martins e José Dirceu foram levadas para o Dops, e os demais estudantes seguiram para o Presídio Tiradentes, na capital. O episódio ficou conhecido como a “queda de Ibiúna” e enfraqueceu o movimento estudantil nos anos seguintes.

A cidade guarda essa memória no Monumento à Memória Estudantil, criado pelo artista plástico Cláudio Tozzi, com painéis que trazem nomes e imagens dos estudantes. É uma parada rápida, mas que ajuda a entender um momento importante da história do Brasil.
Feira de artesanato de Ibiúna
Nos fins de semana e feriados, a feira de artesanato reúne bonecas, peças de madeira, quadros, panos de prato bordados e pintados à mão e outras lembranças feitas na cidade.

É um bom lugar para levar um presente e, de quebra, comprar verduras e produtos da roça.
Cachoeiras e trilhas perto de Ibiúna
Quem gosta de natureza tem mais opções na zona rural. A Cachoeira Vargem do Salto é procurada para banho, e a Estrada dos Antigos Carvoeiros é a rota preferida para passeios de bike, jipe, moto e a cavalo.
Ibiúna também dá acesso ao Parque Estadual do Jurupará, com cerca de 26 mil hectares de Mata Atlântica, trilhas a pé e roteiros de bicicleta. O parque abre de quarta a domingo. Na divisa com Juquitiba, fica ainda a represa da Cachoeira do França.
Como chegar a Ibiúna
De São Paulo, o caminho mais usado é pela Rodovia Raposo Tavares, num total de cerca de 70 km e uma hora e quarenta minutos de viagem. A vizinha São Roque, com o Roteiro do Vinho, fica perto e pode entrar no mesmo fim de semana.
Roteiro de um dia em Ibiúna
Comece pela Capela do Bom Jesus da Prisão, com a cidade ainda acordando, e passe pela Matriz e pelo Santuário de São Sebastião. Almoce no centro, visite o Monumento à Memória Estudantil e siga para a Represa de Itupararanga para passar a tarde numa prainha ou num stand-up. Se for fim de semana, encaixe a feira de artesanato antes de pegar a estrada.
Ibiúna é verde de um jeito diferente: o verde das hortas, da represa e da mata, com um templo japonês no meio. É uma cidade para ir sem pressa e voltar com a sacola cheia de verdura.



