Bananal tem fazendas do café com salões pintados, cachoeira de 70 metros e centro tombado

Ilustração da sede amarela da Fazenda Resgate cercada de jardim e mata, com montanhas e o mar da baía de Angra dos Reis ao fundo
Ilustração gerada por inteligência artificial, com referência em fotos da Fazenda Resgate (Vladimir Benincasa, CC BY-SA 4.0) e da vista da baía de Angra dos Reis do alto da Cachoeira do Bracuí (Leo.dobbin, CC BY-SA 3.0). Não é uma fotografia: a vista do mar é uma composição.

Bananal, no Vale do Paraíba paulista, tem cerca de 10 mil habitantes e um conjunto de fazendas do tempo do café que ainda recebe visitantes. A sede da Fazenda Resgate tem salões pintados à mão, a Fazenda Loanda é de 1791, e a Fazenda dos Coqueiros guarda um lavador de café de pedra. Na Serra da Bocaina há uma cachoeira cuja última queda tem 70 metros.

Segundo o Censo de 2022, a cidade tem 9.969 habitantes, em 616 quilômetros quadrados, no extremo leste do estado, entre a Serra da Bocaina e a Serra da Mantiqueira. O centro histórico é tombado, e uma estação de trem de aço, vinda da Bélgica, completa o passeio.

Fazenda Resgate, a sede com salões pintados

A sede da Fazenda Resgate foi construída por volta de 1820 e chegou ao auge com Manuel de Aguiar Vallim, um dos maiores produtores de café da província, que morreu em 1878 e também era dono das fazendas Independência, Três Barras e Bocaina. Em 1858, numa reforma, ele contratou o pintor catalão José Maria Villaronga, que decorou o segundo andar: o saguão ganhou pinturas de produtos agrícolas, e a sala de visitas, aves brasileiras com detalhes barrocos.

Sala de jantar com mesa longa de madeira, lustre dourado e paredes com pinturas de paisagem e gaiola, na Fazenda Resgate
Sala de jantar da Fazenda Resgate, com pinturas nas paredes. Foto: Vladimir Benincasa / Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Manuel de Aguiar Vallim contratou o pintor José Maria Villaronga em 1858 para decorar a sede da Fazenda Resgate.

A capela da fazenda também chama atenção, pelas pinturas e pelos detalhes de madeira com folha de ouro. O Iphan tombou a sede em 1969, e o Condephaat, em 1982, e a restauração começou em 1970. Em Jundiaí, outra fazenda de café que hospedou um imperador virou vinícola.

Fazenda Loanda, de 1791 e aberta a visitas guiadas

A Fazenda Loanda foi fundada em 1791, segundo a Wikipédia, e começou com cana-de-açúcar, anis e milho antes de virar cafezal no século XIX. Em 1844 pertencia a Pedro Ramos Nogueira, futuro Barão de Joatinga, que morreu na fazenda em 1885. Uma grande reforma por volta de 1850 acrescentou elementos neoclássicos ao casarão colonial.

O casarão tem fundações de pedra e paredes de madeira preenchidas com barro, e o acervo inclui pinturas francesas, cristais, porcelanas e móveis da época. Em 2000, a propriedade foi comprada por um novo dono, para restauração. Hoje a fazenda recebe visitas guiadas.

A Fazenda Loanda remonta a 1791 e recebe visitas guiadas.

Fazenda dos Coqueiros e Boa Vista

A Fazenda dos Coqueiros foi construída em 1855 para o major Cândido Ribeiro Barbosa e Joaquina Maria de Jesus. O casarão tem um só andar sobre porão de pedra, com fachada simétrica, escada central e jardim na frente. Segundo a Wikipédia, o lavador de café original, de pedra, e os canais subterrâneos de água seguem preservados.

A sede da Fazenda dos Coqueiros, em Bananal. Foto: Vladimir Benincasa / Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)
 A sede da Fazenda dos Coqueiros, em Bananal. Foto: Vladimir Benincasa / Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

A propriedade foi vendida ao comerciante Luiz Dias no início do século XX, e a família dele continua no local. A Fazenda Boa Vista tem uma sede considerada um dos exemplos mais destacados das casas rurais da região. Em 1854, era do comendador Luciano José de Almeida, sogro de Vallim.

 Sala ampla com forro pintado, portas e janelas de moldura azul, piso de madeira e móveis antigos, na Fazenda Boa Vista
Sala da sede da Fazenda Boa Vista, em Bananal. Foto: Vladimir Benincasa / Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Centro histórico, Solar Vallim e a estação de aço

Ao redor da Praça da Matriz ficam a Igreja do Senhor Bom Jesus do Livramento, um coreto e um chafariz de ferro de origem europeia. Perto estão o Solar da Matriz e o Sobrado Aguiar Vallim, casarões do tempo do café. O Condephaat tombou o núcleo urbano da cidade, e a Casa do Artesão mostra o crochê de barbante, artesanato típico da região.

Praça ampla do centro histórico de Bananal, com árvore grande, marco de pedra e casarões ao fundo sob céu azul
O centro histórico de Bananal. Foto: Yurai123 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)
Detalhe da fachada da estação de Bananal, com placas de aço almofadadas em tom creme, janelas de madeira e telhado metálico vinho
Detalhe das placas de aço almofadadas da estação de Bananal. Foto: Thaismay / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

A estação ferroviária foi inaugurada na virada de 1888 para 1889. É toda de aço, importada da Bélgica em peças desmontáveis, com cerca de 2 mil placas ajustadas por parafusos, segundo o portal Memórias Belgas. O assoalho é de pinho de riga e as paredes são ocas. É considerada a única do tipo montada no continente americano, e o prédio foi restaurado no centenário, quando parte do mobiliário foi levada ao Museu Imperial, em Petrópolis. Outra estação do interior paulista que preserva a história do trem é a de Guararema.

Bracuí e Sete Quedas, as cachoeiras da Serra da Bocaina

A Cachoeira do Bracuí é uma sequência de cinco quedas que somam 1.100 metros, e a última tem 70 metros, segundo o Guia Vale do Paraíba. A trilha tem cerca de 3 quilômetros e leva cerca de uma hora, com grande volume de água, um poço para banho e vista para as escarpas da Serra da Bocaina e as ilhas de Angra dos Reis.

A última queda da Cachoeira do Bracuí tem 70 metros.

A Cachoeira das Sete Quedas fica na Estação Ecológica de Bananal, área que protege remanescentes de Mata Atlântica, e reúne sete quedas independentes de um mesmo rio de água cristalina. A sexta e a sétima são consideradas as mais bonitas, segundo o site Trilhas da Bocaina.

A cidade que já foi a maior produtora de café de SP

A origem de Bananal remonta a 1783, quando uma capela de Bom Jesus do Livramento foi levantada na região. O povoado virou freguesia em 1811 e cidade em 3 de abril de 1849. Em 1836 e 1837, produziu 64.822 arrobas de café, cerca de 11% do total da província, e em 1854 já era a maior produtora do estado.

Bananal produziu 64.822 arrobas de café em 1836 e 1837, cerca de 11% do total da província de São Paulo.

Essa riqueza foi produzida por mão de obra escravizada: em 1887, segundo a Wikipédia, Bananal era um dos municípios com mais pessoas escravizadas do país. O que sobrou desse período está de pé e à vista: as fazendas, a praça, os casarões e as cachoeiras da serra. Bananal é um lugar real, para conhecer com calma.

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