Pedreira, a capital da porcelana, tem centenas de lojas, estação de 1875 e morro com via-sacra

Prateleiras de vidro com potes de porcelana listrados e vasos vermelhos e dourados numa loja de Pedreira
Peças de porcelana numa loja do centro de Pedreira. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Quem passa por Pedreira dificilmente volta de mãos vazias. A cidade da Região Metropolitana de Campinas, entre Amparo e Jaguariúna, ficou conhecida em todo o país como a capital da porcelana, e o centro é tomado por centenas de lojas de louça, porcelana, vidro, decoração, cama, mesa e banho. É programa certo para quem está montando casa ou procurando presente.

Mas Pedreira vai além das compras. A cidade tem uma estação de trem de 1875, um museu que conta a história da porcelana, mirantes com via-sacra e painéis de azulejo, igrejas cheias de história e um bosque com bichos para as crianças. Faz parte do Circuito das Águas Paulista e combina com um fim de semana pela região.

A capital da porcelana

A tradição começou no início do século 20, quando a economia do café entrou em crise. Descendentes de italianos, os irmãos Angelo e Antonio Rizzi abriram em Pedreira a primeira fábrica de louças da cidade, a Santa Rita, e com a ajuda de ceramistas e técnicos também italianos deram início à produção de porcelana. Outras fábricas vieram depois, e a cidade virou um dos maiores polos de porcelana do país. Em 2013, Pedreira comemorou os 100 anos da porcelana.

Prato comemorativo de porcelana branca e azul com a inscrição 100 anos de porcelana 1913-2013, exposto numa prateleira de loja
Prato comemorativo do centenário da porcelana de Pedreira. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Hoje o comércio é o motor do turismo. As lojas se espalham pelo centro, com peças de porcelana, louça, vidro, alumínio, madeira, gesso e resina, de pratos e jogos de jantar a vasos, objetos de decoração e lembrancinhas. A variedade atrai tanto quem compra uma peça só quanto quem vai encher o porta-malas.

Para aproveitar melhor, vale chegar cedo, levar uma lista do que procura e comparar preços entre as lojas antes de fechar as compras. Leve também caixas ou jornal para proteger as compras na volta, se a loja não embalar.

Pedreira é conhecida como a capital da porcelana e tem centenas de lojas de louça, porcelana e decoração.

O Museu Histórico e da Porcelana

Para entender como tudo começou, o passeio é o Museu Histórico e da Porcelana de Pedreira, instalado num sobrado do fim do século 19 na Praça Coronel João Pedro, no centro. O acervo reúne fotografias, objetos da ferrovia, peças da imigração italiana e uma mini fábrica que mostra como a porcelana é feita.

Sala de museu com paredes amarelas, máquinas de escrever antigas e vitrines com objetos e fotografias antigas
Uma das salas do Museu Histórico e da Porcelana de Pedreira. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A entrada é gratuita. O prédio original passou por reforma, e nesse período parte do acervo foi exposta em outro endereço do centro, então vale confirmar no posto de informação turística, na antiga estação, onde o museu está recebendo visitantes.

A estação da Mogiana, de 1875

A Praça Coronel João Pedro é considerada o marco inicial de Pedreira. Em volta dela ficam as construções mais antigas, como o sobrado do museu, a casa que abrigou o primeiro hotel da cidade e a antiga estação de trem da Companhia Mogiana, inaugurada em novembro de 1875. Foi em torno dela que a cidade cresceu, primeiro com o café e depois com a porcelana. O povoado virou município em 1896, e em 2026 Pedreira completa 130 anos de emancipação.

Antiga estação de trem amarela com a placa Pedreira no alto, toldos de feira e carros estacionados na frente
A antiga estação da Companhia Mogiana, em Pedreira. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Os trilhos foram desativados em 1967, e a estação amarela, restaurada, hoje funciona como posto de informação turística. Nos fins de semana e feriados, ela recebe uma feira de arte e artesanato, boa para quem quer levar peças feitas à mão além da porcelana de fábrica.

Morro do Cristo e Morro de Maria, os mirantes de Pedreira

Para ver Pedreira do alto, o destino é o Complexo Turístico do Morro do Cristo. O acesso ao morro foi aberto em 1932 por soldados da Revolução Constitucionalista, e a partir dos anos 1980 o lugar ganhou as estações da via-sacra, que sobem até o alto, onde a vista alcança toda a cidade e os morros em volta.

Imagem de Nossa Senhora Aparecida em azul diante de painel de azulejos pintados, com a cidade de Pedreira e os morros ao fundo
O Complexo Turístico do Morro do Cristo. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O complexo tem ainda a praça Nossa Senhora Aparecida, um monumento à Revolução Constitucionalista e painéis de azulejos pintados por artistas da cidade. É ali que acontece a tradicional encenação da vida de Cristo, que reúne milhares de pessoas.

Ainda no centro, a Praça Ângelo Ferrari é um respiro entre as lojas, com árvores enormes e monumentos que contam a trajetória da cidade. E o Morro de Maria, inaugurado nos festejos de 110 anos da cidade, também tem vista bonita e painéis de azulejo que retratam os Mistérios do Rosário.

Igrejas, rio e bosque

A Igreja Matriz de Sant’Ana, construída na virada do século 19 para o 20 em estilo neogótico, tem vitrais com passagens bíblicas e a Capela do Santíssimo pintada.

Fachada neogótica rosa-clara da Igreja Matriz de Sant'Ana, com torre pontiaguda e janelas em arco, atrás de uma praça com palmeiras e um totem de placas azuis
A Igreja Matriz de Sant’Ana, em Pedreira. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Já a Igreja de Santa Rita de Cássia, de 1957, faz parte da antiga vila operária criada por uma fábrica de vidros da cidade e recebe uma procissão concorrida no mês de maio.

Igreja azul-clara com detalhes brancos, torre baixa e janelas em arco, a Igreja de Santa Rita de Cássia
A Igreja de Santa Rita de Cássia, na antiga vila operária. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

À beira do rio Jaguari, o Boulevard, acessado por uma ponte pênsil, é um espaço verde para caminhar, pedalar e ver o rio. E, para as crianças, o Zoo Bosque Municipal ocupa 33 mil metros quadrados de mata nativa, com animais, aves, playground e quiosques. Ele abre de quarta a domingo, das 9h às 16h, com entrada até as 15h, e é um bom intervalo entre uma loja e outra para quem viaja com crianças.

Dicas para visitar Pedreira

O ideal é ir de carro, para facilitar o transporte das compras. Nos fins de semana, a estação tem feira de artesanato e o centro costuma ficar mais cheio, então chegue cedo para estacionar. Separe a manhã para as lojas e a tarde para o museu, a estação e o Morro do Cristo.

Pedreira fica perto de outros destinos que já mostramos, como a Maria Fumaça entre Campinas e Jaguariúna e Socorro, a cidade da aventura no Circuito das Águas.

Em Pedreira, a porcelana é só o começo: a cidade tem história nos trilhos, nos morros e nas igrejas para quem quiser ir além das vitrines.

O que você compraria numa viagem a Pedreira?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.