Pirassununga tem cachoeira de rio, piracema e a Esquadrilha da Fumaça: o passeio de Cachoeira de Emas

Barragem da Cachoeira de Emas com névoa sobre o Rio Mogi Guaçu e bandos de biguás e garças pousados na corredeira
Aves em festa na corredeira durante a piracema. Foto: Antonio Felippe / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Logo cedo, quando a névoa ainda cobre o Rio Mogi Guaçu, dezenas de garças e biguás se espalham pelas pedras da corredeira. Não estão ali à toa: é novembro, os peixes estão subindo o rio para se reproduzir, e a Cachoeira de Emas vira um banquete. Poucos lugares do interior paulista mostram a piracema tão de perto, e este fica a pouco mais de 200 km de São Paulo.

Cachoeira de Emas é um distrito de Pirassununga, cidade conhecida no país inteiro por outro motivo: é ali que fica a casa da Esquadrilha da Fumaça. Entre o rio e o céu, dá para montar um passeio de um dia bem diferente do comum.

Até o nome da cidade conversa com o rio. Pirassununga vem do tupi, e a tradução mais repetida pelos moradores é algo como “lugar onde o peixe faz barulho”, uma lembrança dos cardumes que sempre subiram o Mogi Guaçu.

A piracema na Cachoeira de Emas

A piracema é a época em que os peixes sobem os rios, contra a correnteza, para desovar nas cabeceiras. Nos rios paulistas, ela começa em novembro e vai até o fim do verão, período em que a pesca fica restrita para proteger a reprodução. Na Cachoeira de Emas, o rio passa por uma corredeira larga e por uma pequena barragem, e os peixes precisam vencer esse degrau.

Garças brancas pousadas em pedras ao pé da barragem da Cachoeira de Emas, com a água descendo em cascatas
Garças à espera dos peixes ao pé da barragem. Foto: Antonio Felippe / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Para ajudar na subida, a barragem tem uma escada de peixes, um canal em degraus por onde eles conseguem passar. Em grandes migrações, pesquisadores já contaram de 50 a 100 peixes por minuto atravessando a escada. Do lado de fora, as aves sabem disso: garças e biguás ficam de prontidão nas pedras, e o espetáculo é tão bonito quanto o dos peixes.

O melhor horário é de manhã cedo ou no fim da tarde, quando a luz é mais suave e as aves estão mais ativas. Leve paciência e, se tiver, uma lente com zoom.

A cena muda de um dia para o outro. Depois de chuvas fortes, o rio sobe, a água fica barrenta e a corredeira ganha volume. Em dias mais calmos, a água desce em véus pela barragem e as aves se espalham pelas pedras. Vale ficar meia hora observando: de repente, um peixe salta, uma garça mergulha o bico e um bando de biguás levanta voo ao mesmo tempo.

O que fazer na Cachoeira de Emas

Mesmo fora da piracema, o distrito é um passeio gostoso de rio. A ponte sobre o Mogi Guaçu é o melhor mirante para ver a corredeira de cima, e nos dias de rio baixo aparecem bancos de areia e lajes de pedra nas margens.

Ponte sobre o Rio Mogi Guaçu na Cachoeira de Emas, com o leito de pedras e a margem de areia em primeiro plano
A ponte sobre o Mogi Guaçu, no distrito. Foto: Berton / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada)

À beira do rio, o prédio de tijolos do Ecomuseu se destaca entre as árvores, e a área em volta tem gramado e sombra para uma pausa. Há também passeios de barco pelo Mogi Guaçu, que saem da área dos barcos, perto da ponte.

Prédio de tijolos do Ecomuseu à beira do Rio Mogi Guaçu, com gramado e árvores, na Cachoeira de Emas
O Ecomuseu, à beira do rio. Foto: Berton / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada)

Mas o programa mais tradicional da Cachoeira de Emas é sentar à mesa. O distrito tem restaurantes especializados em peixe de rio, e almoçar com vista para a corredeira faz parte do passeio. Durante a piracema, prefira pratos com peixes de criação, respeitando o período de defeso.

Antes de ir embora, vale passar pela Capela de Nossa Senhora Aparecida, de planta octogonal e paredes vermelhas, cercada por um pequeno jardim. Por dentro, os vitrais coloridos deixam a luz entrar em tons de azul e vermelho.

Capela de Nossa Senhora Aparecida, de planta octogonal, paredes vermelhas e cruz no alto, entre árvores sob céu azul
A Capela de Nossa Senhora Aparecida, no distrito. Foto: Blamed / Wikimedia Commons, domínio público (CC0) (recortada)

Quando ir: tempo de piracema ou de seca

Cada época tem sua graça. De novembro ao fim do verão, é tempo de piracema, de rio cheio e de aves pescando, mas também de chuva, então confira a previsão antes de sair. Entre abril e setembro, na seca, o rio baixa, as lajes de pedra e os bancos de areia aparecem e o passeio fica mais tranquilo, bom para caminhar pelas margens e almoçar sem pressa.

Nos fins de semana e feriados, o distrito fica mais movimentado, principalmente na hora do almoço. Durante a semana, a experiência é mais silenciosa, e é mais fácil conseguir um bom lugar para ver a corredeira.

Pirassununga, a casa da Esquadrilha da Fumaça

A poucos quilômetros do rio fica a Academia da Força Aérea, onde são formados os oficiais aviadores da FAB. É ali também que está sediada a Esquadrilha da Fumaça, nome popular do Esquadrão de Demonstração Aérea, criado em 1982. Quem passa pela cidade pode ver aviões de instrução cruzando o céu. A Esquadrilha leva o rastro de fumaça branca a apresentações em cidades de todo o país, mas é de Pirassununga que os aviões decolam para treinar as manobras em formação cerrada que fazem o público prender a respiração.

Treze aviões de instrução vermelhos e brancos voando em formação no céu azul de Pirassununga
Aviões da Academia da Força Aérea em formação sobre Pirassununga, numa formatura de 2012. Foto: Felipe Barra / Ministério da Defesa / Wikimedia Commons, CC BY 2.0 (recortada)

Em datas especiais, a Academia abre os portões para o público no Domingo Aéreo, com apresentação da Esquadrilha, exposição de aeronaves e entrada gratuita. O evento costuma reunir dezenas de milhares de pessoas, então vale acompanhar os canais da FAB para saber a próxima data e chegar cedo.

Roteiro de um dia na Cachoeira de Emas e em Pirassununga

Chegue cedo à Cachoeira de Emas para ver a corredeira com a névoa e as aves pescando. Atravesse a ponte, passe pelo Ecomuseu e pela capela e, se quiser, faça o passeio de barco. Almoce num dos restaurantes do distrito e, à tarde, siga para o centro de Pirassununga, onde o Lago Municipal tem uma passarela em arco sobre a água, boa para uma caminhada no fim da tarde.

Passarela de ferro em arco sobre o Lago Municipal de Pirassununga, entre árvores e palmeiras
A passarela do Lago Municipal de Pirassununga. Foto: Capmo / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Use roupa leve, protetor solar e calçado que possa molhar, porque as pedras perto da água são escorregadias. Não entre na corredeira: a correnteza é forte, principalmente na época das chuvas.

Pirassununga fica perto de outros passeios de natureza. Em Santa Rita do Passa Quatro, o Parque Vassununga guarda jequitibás gigantes, e Brotas tem rafting e cachoeiras. Para o verão, veja também as praias de rio no interior de SP e as cachoeiras com estrutura da região.

Ver um rio inteiro se mover com os peixes subindo e as aves à espera é lembrar que o melhor espetáculo do interior às vezes não tem ingresso nem horário marcado.

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.