Brotas, a cerca de 244 quilômetros da capital, ganhou fama como uma das cidades da aventura do interior paulista. O rio Jacaré-Pepira corta a cidade com corredeiras perfeitas para o rafting, e em volta dele há cachoeiras, tirolesas, arvorismo, boia cross, quadriciclo e cavalgada para todos os níveis de coragem.
Quem prefere um ritmo mais calmo também encontra o que fazer: um parque gratuito com quedas d’água no meio da cidade, cachoeiras com trilhas fáceis, uma nascente onde a areia faz barulho quando é pisada e um museu de carros antigos. Dá para encher um fim de semana inteiro sem repetir o programa.
Rafting no rio Jacaré-Pepira
O passeio mais famoso de Brotas é o rafting no Jacaré-Pepira. Em botes infláveis, grupos de cinco ou seis pessoas descem as corredeiras com um instrutor, que comanda as remadas e explica o que fazer nos trechos mais agitados. As corredeiras do rio vão do nível II ao IV, o que garante emoção sem exigir experiência anterior.
O passeio completo, da saída da base até a volta à cidade, leva cerca de três horas, com equipamento de segurança incluído, como capacete e colete. O nível do rio muda com as chuvas, e com ele a intensidade da descida: na cheia, o rafting fica mais rápido e radical; na seca, mais tranquilo e um pouco mais longo.
Para quem quer algo mais leve no mesmo rio, a boia cross desce trechos de corredeira em boias individuais, num passeio de cerca de duas horas, com parada no Poção, ponto onde o Jacaré-Pepira se alarga e forma um lago com prainha de areia.
O rafting de Brotas é feito no rio Jacaré-Pepira, com corredeiras do nível II ao IV, e o passeio completo leva cerca de três horas.
Parque dos Saltos, de graça no centro de Brotas
Antes de cair na aventura, vale começar pelo Parque dos Saltos, um dos cartões-postais da cidade. Ele fica no centro de Brotas, no ponto onde o Jacaré-Pepira forma três quedas d’água e corredeiras, com pequenas trilhas até as corredeiras e uma ponte sobre o rio. A entrada é gratuita, e o parque abre todos os dias, das 8h às 18h.

O parque nasceu do aproveitamento do desnível do rio para gerar energia. Ali funcionou uma usina hidrelétrica de 1911, e o prédio histórico da antiga casa de máquinas continua de pé, entre a mata. Graças a ela, Brotas teve iluminação elétrica pública antes mesmo de alguns bairros da capital paulista.

As cachoeiras de Brotas
Brotas tem muitas cachoeiras, a maioria em propriedades particulares com estrutura e cobrança de entrada. Uma das mais bonitas é a Cachoeira da Roseira, com 55 metros de queda, dentro do Recanto das Cachoeiras. Até ela, a trilha tem cerca de 1.200 metros, é pavimentada, passa pela mata e leva uns 20 minutos. No mesmo parque fica a Cachoeira Santo Antônio, e o poço tem estrutura adaptada para o banho, o que facilita a vida de quem vai com crianças ou idosos.

Outra opção é o Sítio Três Quedas, que, como o nome diz, reúne três cachoeiras numa só trilha: a da Nascente, a Andorinha e a Figueira. O lugar tem camping, lanchonete e restaurante com pratos típicos da região, e as quedas menores são boas para quem viaja com crianças.

O Recanto das Cachoeiras também tem piscina, playground, restaurante e um mirante com vista para o vale, ótimo para descansar depois da trilha.

Na zona rural fica ainda a nascente da Areia que Canta, onde os grãos de quartzo fazem um som curioso quando são pisados, que contamos no artigo sobre a areia que canta em Brotas. Ela fica a cerca de 15 quilômetros do centro, e uma trilha fácil de 1,5 quilômetro leva até a piscina natural de água de nascente.
Tirolesa, quadriciclo, cavalgada e outros esportes radicais
Além do rafting, Brotas tem um cardápio extenso de aventura. As tirolesas atravessam vales e trechos de mata pendurados num cabo de aço, e os centros de aventura da cidade reúnem arvorismo, rapel, canionismo, escalada e circuitos de tirolesa num mesmo lugar.

Para quem gosta de motor, o passeio de quadriciclo segue por trilhas em mata nativa, estradas de terra e até travessias de rio, em veículos para uma ou duas pessoas. E quem prefere um ritmo mais tranquilo pode fazer cavalgada pelas fazendas e campos da região, com guias. Há também passeios de off road e cicloturismo.
Cada operadora tem regras próprias de idade, altura e peso para as atividades, principalmente rafting e tirolesa, então vale consultar antes de reservar, sobretudo quem vai com crianças.
Brotas além da aventura
Entre um passeio e outro, o centro tem atrações tranquilas. O Museu do Calhambeque reúne carros antigos, com destaque para os Fordinhos dos anos 1930, e a Igreja de Santa Cruz, à beira do Jacaré-Pepira, marca o lugar onde começou o povoamento de Brotas, em 1839. O largo em volta tem muros e fachadas pintados por artistas, com uma imagem de Nossa Senhora de Brotas.
Para levar um pouco de Brotas para casa, a cidade tem alambique artesanal aberto à visita, onde dá para provar e comprar cachaças e doces da região, e ateliê de cerâmica que mostra técnicas artesanais como a queima raku, que pode ser vista com agendamento. São paradas boas para o fim da tarde, depois de um dia no rio.
A melhor época depende do estilo da viagem. Entre setembro e novembro, as primeiras chuvas deixam o rio mais cheio e o rafting mais emocionante. Entre março e maio, o clima é mais ameno e os passeios ficam mais tranquilos.
Na mesma região, vale conhecer a Cachoeira do Saltão, em Itirapina, e o Morro do Cuscuzeiro, em Analândia.
Brotas tem aventura para todos os níveis, do rafting nas corredeiras ao banho de cachoeira no fim da trilha, e é difícil voltar para casa sem planejar a próxima visita.
Qual aventura de Brotas você teria coragem de encarar?





