Brotas tem rafting, cachoeira de 55 metros, quadriciclo e parque grátis com usina de 1911 no centro

Bote de rafting com seis pessoas de capacete e colete descendo uma corredeira de água branca no rio Jacaré-Pepira, em Brotas
Rafting no rio Jacaré-Pepira, em Brotas. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Brotas, a cerca de 244 quilômetros da capital, ganhou fama como uma das cidades da aventura do interior paulista. O rio Jacaré-Pepira corta a cidade com corredeiras perfeitas para o rafting, e em volta dele há cachoeiras, tirolesas, arvorismo, boia cross, quadriciclo e cavalgada para todos os níveis de coragem.

Quem prefere um ritmo mais calmo também encontra o que fazer: um parque gratuito com quedas d’água no meio da cidade, cachoeiras com trilhas fáceis, uma nascente onde a areia faz barulho quando é pisada e um museu de carros antigos. Dá para encher um fim de semana inteiro sem repetir o programa.

Rafting no rio Jacaré-Pepira

O passeio mais famoso de Brotas é o rafting no Jacaré-Pepira. Em botes infláveis, grupos de cinco ou seis pessoas descem as corredeiras com um instrutor, que comanda as remadas e explica o que fazer nos trechos mais agitados. As corredeiras do rio vão do nível II ao IV, o que garante emoção sem exigir experiência anterior.

O passeio completo, da saída da base até a volta à cidade, leva cerca de três horas, com equipamento de segurança incluído, como capacete e colete. O nível do rio muda com as chuvas, e com ele a intensidade da descida: na cheia, o rafting fica mais rápido e radical; na seca, mais tranquilo e um pouco mais longo.

Para quem quer algo mais leve no mesmo rio, a boia cross desce trechos de corredeira em boias individuais, num passeio de cerca de duas horas, com parada no Poção, ponto onde o Jacaré-Pepira se alarga e forma um lago com prainha de areia.

O rafting de Brotas é feito no rio Jacaré-Pepira, com corredeiras do nível II ao IV, e o passeio completo leva cerca de três horas.

Parque dos Saltos, de graça no centro de Brotas

Antes de cair na aventura, vale começar pelo Parque dos Saltos, um dos cartões-postais da cidade. Ele fica no centro de Brotas, no ponto onde o Jacaré-Pepira forma três quedas d’água e corredeiras, com pequenas trilhas até as corredeiras e uma ponte sobre o rio. A entrada é gratuita, e o parque abre todos os dias, das 8h às 18h.

Queda d'água e corredeiras do rio Jacaré-Pepira entre pedras escuras, com ponte pênsil e árvores ao fundo, no Parque dos Saltos
As quedas do Parque dos Saltos, no centro de Brotas. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O parque nasceu do aproveitamento do desnível do rio para gerar energia. Ali funcionou uma usina hidrelétrica de 1911, e o prédio histórico da antiga casa de máquinas continua de pé, entre a mata. Graças a ela, Brotas teve iluminação elétrica pública antes mesmo de alguns bairros da capital paulista.

Prédio histórico amarelo com porta em arco, cercado de mata e palmeira, no Parque dos Saltos, em Brotas
Prédio histórico no Parque dos Saltos. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

As cachoeiras de Brotas

Brotas tem muitas cachoeiras, a maioria em propriedades particulares com estrutura e cobrança de entrada. Uma das mais bonitas é a Cachoeira da Roseira, com 55 metros de queda, dentro do Recanto das Cachoeiras. Até ela, a trilha tem cerca de 1.200 metros, é pavimentada, passa pela mata e leva uns 20 minutos. No mesmo parque fica a Cachoeira Santo Antônio, e o poço tem estrutura adaptada para o banho, o que facilita a vida de quem vai com crianças ou idosos.

Cachoeira alta e fina caindo de um paredão coberto de mata num poço raso, com uma pessoa de braços abertos lá embaixo
A Cachoeira da Roseira, em Brotas. Foto: Patricialaraia / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Outra opção é o Sítio Três Quedas, que, como o nome diz, reúne três cachoeiras numa só trilha: a da Nascente, a Andorinha e a Figueira. O lugar tem camping, lanchonete e restaurante com pratos típicos da região, e as quedas menores são boas para quem viaja com crianças.

Cachoeira fina descendo por um paredão de pedra alaranjada no meio da mata, no Sítio Três Quedas
Uma das cachoeiras do Sítio Três Quedas. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O Recanto das Cachoeiras também tem piscina, playground, restaurante e um mirante com vista para o vale, ótimo para descansar depois da trilha.

Deque de madeira de um mirante sobre o vale verde, com campos e morros ao fundo, no Recanto das Cachoeiras
 O mirante do Recanto das Cachoeiras, em Brotas. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Na zona rural fica ainda a nascente da Areia que Canta, onde os grãos de quartzo fazem um som curioso quando são pisados, que contamos no artigo sobre a areia que canta em Brotas. Ela fica a cerca de 15 quilômetros do centro, e uma trilha fácil de 1,5 quilômetro leva até a piscina natural de água de nascente.

Tirolesa, quadriciclo, cavalgada e outros esportes radicais

Além do rafting, Brotas tem um cardápio extenso de aventura. As tirolesas atravessam vales e trechos de mata pendurados num cabo de aço, e os centros de aventura da cidade reúnem arvorismo, rapel, canionismo, escalada e circuitos de tirolesa num mesmo lugar.

Homem de capacete atravessando de tirolesa por cima da mata, de braços abertos, em Brotas
Tirolesa em Brotas. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Para quem gosta de motor, o passeio de quadriciclo segue por trilhas em mata nativa, estradas de terra e até travessias de rio, em veículos para uma ou duas pessoas. E quem prefere um ritmo mais tranquilo pode fazer cavalgada pelas fazendas e campos da região, com guias. Há também passeios de off road e cicloturismo.

Cada operadora tem regras próprias de idade, altura e peso para as atividades, principalmente rafting e tirolesa, então vale consultar antes de reservar, sobretudo quem vai com crianças.

Brotas além da aventura

Entre um passeio e outro, o centro tem atrações tranquilas. O Museu do Calhambeque reúne carros antigos, com destaque para os Fordinhos dos anos 1930, e a Igreja de Santa Cruz, à beira do Jacaré-Pepira, marca o lugar onde começou o povoamento de Brotas, em 1839. O largo em volta tem muros e fachadas pintados por artistas, com uma imagem de Nossa Senhora de Brotas.

Para levar um pouco de Brotas para casa, a cidade tem alambique artesanal aberto à visita, onde dá para provar e comprar cachaças e doces da região, e ateliê de cerâmica que mostra técnicas artesanais como a queima raku, que pode ser vista com agendamento. São paradas boas para o fim da tarde, depois de um dia no rio.

A melhor época depende do estilo da viagem. Entre setembro e novembro, as primeiras chuvas deixam o rio mais cheio e o rafting mais emocionante. Entre março e maio, o clima é mais ameno e os passeios ficam mais tranquilos.

Na mesma região, vale conhecer a Cachoeira do Saltão, em Itirapina, e o Morro do Cuscuzeiro, em Analândia.

Brotas tem aventura para todos os níveis, do rafting nas corredeiras ao banho de cachoeira no fim da trilha, e é difícil voltar para casa sem planejar a próxima visita.

Qual aventura de Brotas você teria coragem de encarar?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.