Em tupi, Itararé quer dizer “pedra que o rio escavou”. O nome não é exagero: perto da cidade, o Rio Itararé se espreme entre paredões de arenito, cava poços e fendas e chega a passar por baixo das pedras. A cidade fica no sudoeste paulista, a cerca de 345 km da capital, na divisa com o Paraná, e é uma das portas da chamada Rota dos Cânions Paulista.
Além do rio escondido, Itararé tem uma cachoeira de mais de 100 metros, prainhas de água doce, mirantes para o pôr do sol e uma serra de paredões rochosos, num roteiro de natureza que ainda pouca gente conhece.
Parque da Barreira, onde o rio some
O cartão-postal de Itararé é o Parque Ecológico da Barreira, a poucos quilômetros do centro, na Rodovia SP-258. São cerca de 70 mil metros quadrados de cerrado e cânion, onde a água esculpiu cascatas, fendas e poços na rocha. A entrada é gratuita, e o parque abre todos os dias. Vá de tênis, porque há escadas, pedras molhadas e trechos estreitos entre os paredões.

O circuito principal tem cerca de 1 km de caminhada e passa pela Gruta da Santa, com uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes num abrigo de pedra, inaugurada em 1939. Diz a tradição local que quem bebe a água da gruta volta a Itararé. No caminho estão também o Brechão das Andorinhas, um mini cânion estreito com escadas dos dois lados, a Trilha do Pontilhão, numa antiga ponte ferroviária de ferro com cerca de 50 metros, e a Cascata do Chuveirinho.
No fim da tarde, o parque tem um espetáculo à parte: as andorinhas, símbolo da cidade, fazem uma revoada até os ninhos nos paredões. Quem tem mais fôlego pode seguir pela Trilha Barreira-Caiçara, de 3,8 km, com pequenas quedas d’água no caminho.
A barreira dos tropeiros e a batalha que não houve
A Barreira não é só um parque. Ali o rio se estreita e forma uma passagem natural, que por séculos foi usada pelos tropeiros que vinham do Sul levando mulas e mercadorias. As cavalgadas continuam até hoje como tradição da região.
Itararé também ficou famosa na história do Brasil. Na Revolução de 1930, os exércitos se concentraram na região à espera de um grande confronto, que acabou não acontecendo, porque o presidente foi deposto antes. O episódio virou “a batalha que não houve”, e a cidade ganhou o apelido de Sentinela da Fronteira.
A Cachoeira do Corisco
No vale do Itararé, na divisa com o Paraná, a Cachoeira do Corisco despenca de mais de 100 metros de altura no meio da mata, com vista panorâmica do vale. É um dos lugares mais bonitos da região.

O acesso passa por áreas particulares e trilhas pouco sinalizadas, por isso o recomendado é ir com guia local. Na mesma região, o Cânion do Pirituba, em Bom Sucesso de Itararé, tem paredões de arenito, mirantes e as cachoeiras do Palmito Mole e das Três Quedas.
Rio Verde e Rio da Vaca
Nos dias de calor, o programa dos moradores é ir para o rio. O Rio Verde tem esse nome por causa da cor da água, que fica esverdeada sobre o leito de pedra. Tem prainha de água doce, corredeiras para boia-cross e lanchonete na beira da estrada.

O Rio da Vaca é outro ponto concorrido no verão, com piscinas naturais, cascatas e área para banho. Para as cachoeiras mais afastadas do rio, vale contratar guia ou salvar o mapa antes, porque algumas ficam em áreas afastadas da zona rural.

Mirante do Morro Chato e Serra da Lumber
O Morro Chato é um dos pontos mais altos da região, com vista de 360 graus para as cidades vizinhas e um pôr do sol bonito. É usado para voo livre e parapente e tem lanchonete e balanço. A visitação costuma ser aos sábados à tarde e aos domingos.

Na divisa com Bom Sucesso de Itararé, a Serra da Lumber chega a cerca de 1.200 metros de altitude. Uma estrada de 4 km passa entre paredões rochosos de até 100 metros, no meio da Mata Atlântica, com vários mirantes. É o caminho preferido de quem anda de mountain bike e faz off-road.

Aventura em Itararé
Além das trilhas e cachoeiras, Itararé tem boia-cross nos rios, passeios de jipe 4×4 pelas estradas de terra, trekking pelos cânions e cavalgadas pela zona rural. Guias locais organizam esses passeios, principalmente nos fins de semana.
Como chegar a Itararé
De São Paulo, o caminho é pela Rodovia Castello Branco e, depois, pelas rodovias que seguem para o sudoeste do estado, como a SP-258. São cerca de 345 km. Quem vem de Sorocaba pode usar a SP-127 e a SP-258. Por causa da distância, o ideal é passar pelo menos um fim de semana.
Roteiro de um fim de semana em Itararé
No sábado, comece pelo Parque da Barreira e pela Gruta da Santa, almoce na cidade e, à tarde, suba ao Morro Chato para ver o pôr do sol. No domingo, reserve a manhã para a Cachoeira do Corisco ou o Cânion do Pirituba, com guia, e termine o dia numa prainha do Rio Verde.
Quem gosta do sudoeste paulista pode emendar com as águas termais de Águas de Santa Bárbara ou com a represa de Avaré.
Itararé faz jus ao nome: é a cidade onde o rio cava a pedra, e onde o visitante descobre um interior paulista de cânions e cachoeiras que parece outro estado.





