A cidade onde nasceu o pai da Turma da Mônica fica a 50 km de SP e tem represa, igrejas coloniais e cachaça artesanal

Igreja de Monte Serrat, em Santa Isabel, com duas torres, fachada creme e janelas em arco, no alto do morro
A Igreja de Monte Serrat, a 716 metros de altitude. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Em 27 de outubro de 1935, nasceu em Santa Isabel, no interior de São Paulo, um menino chamado Mauricio de Sousa. Décadas depois, ele criaria a Mônica, o Cebolinha, o Cascão e a Magali e se tornaria o quadrinista mais famoso do país. Nesta terça-feira, dia do seu aniversário de 91 anos, vale conhecer a cidade onde tudo começou.

Santa Isabel fica a cerca de 50 km da capital e é uma cidade de muito verde, com 82,5% do território em área de proteção de mananciais. Tem uma represa enorme, igrejas do tempo colonial, um mirante com vista para a Serra da Mantiqueira, cachaça artesanal e comida da roça.

Santa Isabel, a terra de Mauricio de Sousa

Mauricio de Sousa nasceu em Santa Isabel, mas passou a maior parte da infância na vizinha Mogi das Cruzes, antes de se mudar para a capital, aos 19 anos, para trabalhar como ilustrador. A cidade natal guarda essa história com orgulho e tem uma gibiteca com o nome dele, um espaço de leitura para fãs de quadrinhos de todas as idades.

Na capital, ele começou como repórter policial no jornal Folha da Manhã e, em 1959, publicou as primeiras tirinhas com o cãozinho Bidu. A Mônica viria alguns anos depois, inspirada numa de suas filhas, e a turma não parou mais de crescer.

A obra do criador da Turma da Mônica foi declarada patrimônio cultural imaterial da cidade de São Paulo em 2025, e em 2026 ele ganhou uma estátua de bronze na Avenida Paulista. Os personagens que nasceram da imaginação dele continuam entre os mais conhecidos do Brasil.

A Represa do Jaguari

O maior atrativo natural de Santa Isabel é a Represa do Jaguari, que se estende por cerca de 60 km ao longo da estrada que liga a cidade à vizinha Igaratá. As margens têm pousadas e recantos com passeios de barco, pesca e lazer na água.

Lancha branca parada num deque de madeira na Represa do Jaguari, em Santa Isabel, com galhos de árvore em primeiro plano
Lancha na represa, no Recanto Apoena. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

É o lugar para passar o dia num recanto à beira da água, alugar um barco a remo ou só sentar no deque e ver o fim da tarde.

A Igreja do Rosário, de 1723

No centro, a Igreja do Rosário é um dos patrimônios históricos de Santa Isabel. Foi construída em 1723 por escravizados, em taipa de pilão, e preserva a arquitetura colonial da época.

Fachada lateral da Igreja do Rosário, em Santa Isabel, de paredes amarelas e portas azuis, construída em taipa de pilão
A Igreja do Rosário, de 1723. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Lá dentro, o altar-mor é todo de madeira, e a nave ainda guarda uma divisão que, no passado, separava os senhores dos escravizados durante as celebrações. É uma visita curta, mas que ajuda a entender a história da região.

A Matriz e o mirante do Monte Serrat

A Igreja Matriz de Santa Isabel foi erguida em 1812, no alto do morro, com escadaria comprida e jardins em volta. Todo ano, na Sexta-feira Santa, a escadaria vira cenário para a encenação da Paixão de Cristo.

O ponto mais alto da cidade é o Monte Serrat, a 716 metros de altitude, onde fica uma antiga igreja de taipa do século 18, a que aparece na foto de capa. Lá de cima, a vista alcança toda a cidade e boa parte da Serra da Mantiqueira, e o fim de tarde é o melhor horário para subir.

O Obelisco 13 de Maio

Santa Isabel guarda também um marco da história do Brasil. O Obelisco 13 de Maio foi construído em 1894 para comemorar a libertação dos escravizados, e ao lado fica a antiga Capela de São Benedito. Todo ano, no dia 13 de maio, a cidade celebra a festa da libertação.

Cachaça artesanal e comida da roça

A zona rural de Santa Isabel tem alambiques que abrem para visita. Na Cachaça Trato, o visitante acompanha todas as etapas da produção da cachaça artesanal, prova os sabores e encontra uma minifazenda com animais para as crianças.

Garrafas de cachaça artesanal de várias cores ao lado de uma cesta de bolinhos fritos
Cachaças artesanais produzidas em Santa Isabel. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

No Sítio Embaúba, o Museu da Casa Rural mostra como se vivia no campo antigamente, com uma casa de pau a pique e objetos da roça. O sítio tem restaurante com receitas antigas, feitas no estilo da comida caipira.

Casa de pau a pique com telhado de barro e lenha empilhada no Museu da Casa Rural, em Santa Isabel
O Museu da Casa Rural, no Sítio Embaúba. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Natureza, trilhas e cavalgadas em Santa Isabel

Com tanta área de mananciais, a cidade tem cachoeiras, riachos e ribeirões, procurados para banho e pesca amadora. Há pesqueiros com lagos, tirolesa e arvorismo, e hípicas que oferecem cavalgadas por trilhas no meio do verde.

Lago na zona rural refletindo árvores e um ipê amarelo florido, com barracas de camping na margem
Paisagem da zona rural. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Para quem gosta de aventura, há também trilhas de moto em vários níveis de dificuldade, de passeios leves a circuitos mais radicais.

Quando visitar Santa Isabel

A cidade é boa para bate e volta o ano todo, mas algumas datas têm programação especial. Na Sexta-feira Santa, a encenação da Paixão de Cristo ocupa a escadaria da Matriz. Em 13 de maio, a Capela de São Benedito celebra a festa da libertação. E, no verão, a represa e os riachos ficam mais procurados para banho e passeios de barco.

Como chegar a Santa Isabel

Santa Isabel fica a cerca de 50 km de São Paulo, perto de Arujá e Igaratá. Da capital, o caminho mais usado é pela Rodovia Presidente Dutra ou pela Ayrton Senna, com saída para a cidade, em cerca de uma hora de viagem.

Roteiro de um dia em Santa Isabel

Comece pela Igreja do Rosário e pela Matriz, no centro, e passe pela gibiteca, se for fã da Turma da Mônica. Almoce comida da roça num sítio, visite um alambique à tarde e termine o dia no mirante do Monte Serrat ou à beira da represa.

Na mesma região, Guararema e Mairiporã também são bons bate e voltas perto de São Paulo.

Santa Isabel é pequena, verde e cheia de histórias, inclusive a de um menino que nasceu ali e acabou desenhando a infância de milhões de brasileiros.

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.