Piracaia fica a cerca de 90 quilômetros de São Paulo, de uma hora e meia a duas horas de carro, entre morros verdes e represas que ajudam a abastecer a capital. A pergunta de quem procura um passeio de um dia é simples: vale a pena ir até lá e voltar no mesmo dia?
Vale, e o roteiro é fácil de montar. De manhã, a igreja com mais de 260 papas pintados no teto e a cruz de 14 metros no alto do morro. No almoço, truta na beira da represa. À tarde, uma cachoeira ou uma volta pela vila criada por um empresário tcheco nos anos 1940.
Piracaia, entre serras e águas
Piracaia nasceu em 1817 com o nome de Santo Antônio da Cachoeira e só em 1906 passou a se chamar Piracaia. A cidade, com cerca de 27 mil habitantes, faz parte do Circuito Entre Serras e Águas, perto da Serra da Mantiqueira, e tem boa parte do território em áreas de manancial do Sistema Cantareira.
A paisagem é de morros, matas e água, com sítios, pousadas e restaurantes espalhados pela zona rural.

É esse cenário que atrai quem quer passar um dia fora da cidade grande sem pegar estrada longa. Em dias limpos, a água azul da represa contrasta com o verde dos morros, e o lugar vira cenário de foto em vários pontos da estrada.
A cruz de 14 metros no Morro da Penha
O ponto mais alto do passeio é o Santo Cruzeiro, uma cruz de 14 metros com a imagem de Cristo, inaugurada no fim dos anos 1940 no alto do Morro da Penha. Dá para subir de carro ou encarar a escadaria de 590 degraus.
Lá de cima, a vista alcança a cidade inteira e os morros em volta. É o melhor lugar para entender a geografia de Piracaia, com o centro no vale e a represa entre as serras.
Uma igreja com mais de 260 papas no teto
A Igreja Matriz de Santo Antônio da Cachoeira, construída em 1884, guarda uma curiosidade no teto da nave: pinturas de todos os papas, de São Pedro aos mais recentes. São mais de 260 retratos, e vale levantar a cabeça com calma para procurar os papas mais conhecidos.
Mais antiga ainda é a Igreja Nossa Senhora do Rosário, inaugurada em 1871. Ela conserva paredes de taipa, a técnica de barro socado usada nas construções coloniais, com quase um metro de espessura, altares de madeira e o brasão do Império, lembrança do tempo de Dom Pedro II.

Piracaia tem uma igreja de 1884 com mais de 260 papas pintados no teto.
Represa, truta e cachoeiras
Piracaia se apresenta como a Capital da Truta e da Tilápia. Os peixes aparecem nos cardápios de restaurantes, pousadas e quiosques à beira das estradas, e a cidade promove um Festival da Truta, que reúne pratos com o peixe, cervejas artesanais, comidas caipiras e produtos da região. A represa, parte do Sistema Cantareira, é usada para passeios de barco e esportes aquáticos.
Para quem quer se refrescar, a Cachoeira do Pião, no bairro do mesmo nome, a cerca de 27 quilômetros do centro, tem uma queda sobre as pedras e uma lagoa com partes rasas, boas para banho. O acesso é por trilha leve. A Cachoeira do Pimenta é outra opção, conhecida pela vista.

Batatuba, a vila do empresário tcheco
No distrito de Batatuba, uma vila operária dos anos 1940 conta uma história pouco conhecida. Ela foi criada a partir do projeto do empresário tcheco Jan Antonín Baťa, dono de uma das maiores fábricas de calçados do mundo, que fundou núcleos industriais no Brasil.

Um mapa antigo do Instituto Geográfico e Geológico mostra o desenho da vila, com as ruas de casas operárias, a ferrovia e o Rio Cachoeira. Hoje Batatuba recebe encontros de carros antigos e visitas guiadas que contam essa história, um programa diferente para quem já conhece o centro.
Congada, artesanato e festa
Piracaia mantém viva a tradição da congada, com grupos como a Congada Peixe Frito, dedicada a São Benedito, e a Congada dos Canarinhos, que desfilam com roupas coloridas, tambores e estandartes nas festas religiosas da região.

Para levar uma lembrança, a Casa do Artesão José Bonetti reúne artes plásticas, esculturas em madeira, cerâmica e outros trabalhos de artistas locais. No centro, o Parque Ecológico, com 40 mil metros quadrados, tem pista de caminhada, quadra de areia, horto com viveiro de mudas e playground. Perto dali, uma gruta construída em 2004 abriga a imagem de Nossa Senhora Aparecida e recebe fiéis durante todo o ano.

Roteiro de um dia em Piracaia
Saindo cedo de São Paulo, dá para chegar a Piracaia antes das 10h. Comece pelo Santo Cruzeiro, enquanto o sol ainda está fraco, e desça para as igrejas do centro. Almoce truta em um dos restaurantes da cidade ou da beira da represa.
À tarde, escolha entre a Cachoeira do Pião, para quem quer banho, ou Batatuba, para quem gosta de história. No fim do dia, a represa entre as serras é o cenário para a volta.
Dicas para visitar Piracaia
O trajeto de São Paulo leva de uma hora e meia a duas horas, dependendo do trânsito. Para as cachoeiras, use calçado de trilha e leve roupa de banho. Nos fins de semana, as cachoeiras e os restaurantes de truta ficam mais cheios, então saia cedo.
Na mesma região, a Pedra Grande, em Atibaia, tem vista para Piracaia, e Joanópolis guarda a Cachoeira dos Pretos. Bragança Paulista também fica perto.
Uma cruz no alto do morro, papas no teto da igreja e truta no prato: Piracaia cabe inteira num dia e ainda deixa vontade de voltar.
Você faria um bate e volta até Piracaia?



