Bate e volta em Piracaia vale a pena? A cidade tem represa, truta, igreja com teto de papas e cruz de 14 metros no morro

Santo Cruzeiro de Piracaia, cruz alta de 14 metros com Cristo crucificado, sobre base de concreto num gramado sob céu azul
O Santo Cruzeiro, no alto do Morro da Penha, em Piracaia. Foto: Elias Gomes / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Piracaia fica a cerca de 90 quilômetros de São Paulo, de uma hora e meia a duas horas de carro, entre morros verdes e represas que ajudam a abastecer a capital. A pergunta de quem procura um passeio de um dia é simples: vale a pena ir até lá e voltar no mesmo dia?

Vale, e o roteiro é fácil de montar. De manhã, a igreja com mais de 260 papas pintados no teto e a cruz de 14 metros no alto do morro. No almoço, truta na beira da represa. À tarde, uma cachoeira ou uma volta pela vila criada por um empresário tcheco nos anos 1940.

Piracaia, entre serras e águas

Piracaia nasceu em 1817 com o nome de Santo Antônio da Cachoeira e só em 1906 passou a se chamar Piracaia. A cidade, com cerca de 27 mil habitantes, faz parte do Circuito Entre Serras e Águas, perto da Serra da Mantiqueira, e tem boa parte do território em áreas de manancial do Sistema Cantareira.

A paisagem é de morros, matas e água, com sítios, pousadas e restaurantes espalhados pela zona rural.

Represa de água azul entre morros verdes, com um eucalipto na margem e céu limpo
A represa em Piracaia. Foto: João Batista Shimoto / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada)

É esse cenário que atrai quem quer passar um dia fora da cidade grande sem pegar estrada longa. Em dias limpos, a água azul da represa contrasta com o verde dos morros, e o lugar vira cenário de foto em vários pontos da estrada.

A cruz de 14 metros no Morro da Penha

O ponto mais alto do passeio é o Santo Cruzeiro, uma cruz de 14 metros com a imagem de Cristo, inaugurada no fim dos anos 1940 no alto do Morro da Penha. Dá para subir de carro ou encarar a escadaria de 590 degraus.

Lá de cima, a vista alcança a cidade inteira e os morros em volta. É o melhor lugar para entender a geografia de Piracaia, com o centro no vale e a represa entre as serras.

Uma igreja com mais de 260 papas no teto

A Igreja Matriz de Santo Antônio da Cachoeira, construída em 1884, guarda uma curiosidade no teto da nave: pinturas de todos os papas, de São Pedro aos mais recentes. São mais de 260 retratos, e vale levantar a cabeça com calma para procurar os papas mais conhecidos.

Mais antiga ainda é a Igreja Nossa Senhora do Rosário, inaugurada em 1871. Ela conserva paredes de taipa, a técnica de barro socado usada nas construções coloniais, com quase um metro de espessura, altares de madeira e o brasão do Império, lembrança do tempo de Dom Pedro II.

Altar dourado e ornamentado da Igreja Nossa Senhora do Rosário, com imagens de santos e pintura de Cristo
O altar da Igreja do Rosário, de 1871. Foto: Elias Gomes / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Piracaia tem uma igreja de 1884 com mais de 260 papas pintados no teto.

Represa, truta e cachoeiras

Piracaia se apresenta como a Capital da Truta e da Tilápia. Os peixes aparecem nos cardápios de restaurantes, pousadas e quiosques à beira das estradas, e a cidade promove um Festival da Truta, que reúne pratos com o peixe, cervejas artesanais, comidas caipiras e produtos da região. A represa, parte do Sistema Cantareira, é usada para passeios de barco e esportes aquáticos.

Para quem quer se refrescar, a Cachoeira do Pião, no bairro do mesmo nome, a cerca de 27 quilômetros do centro, tem uma queda sobre as pedras e uma lagoa com partes rasas, boas para banho. O acesso é por trilha leve. A Cachoeira do Pimenta é outra opção, conhecida pela vista.

Cachoeira do Pião, em Piracaia, caindo entre pedras num poço largo cercado de mata
A Cachoeira do Pião, a 27 km do centro. Foto: Nelson Ricanelo de Godoy / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Batatuba, a vila do empresário tcheco

No distrito de Batatuba, uma vila operária dos anos 1940 conta uma história pouco conhecida. Ela foi criada a partir do projeto do empresário tcheco Jan Antonín Baťa, dono de uma das maiores fábricas de calçados do mundo, que fundou núcleos industriais no Brasil.

Mapa antigo desenhado à mão da vila de Batatuba, com o Rio Cachoeira e a ferrovia
Mapa antigo de Batatuba, do Instituto Geográfico e Geológico. Arquivo Público do Estado de São Paulo / Wikimedia Commons, domínio público (recortada)

Um mapa antigo do Instituto Geográfico e Geológico mostra o desenho da vila, com as ruas de casas operárias, a ferrovia e o Rio Cachoeira. Hoje Batatuba recebe encontros de carros antigos e visitas guiadas que contam essa história, um programa diferente para quem já conhece o centro.

Congada, artesanato e festa

Piracaia mantém viva a tradição da congada, com grupos como a Congada Peixe Frito, dedicada a São Benedito, e a Congada dos Canarinhos, que desfilam com roupas coloridas, tambores e estandartes nas festas religiosas da região.

Grupo de congada de Piracaia vestido de branco e azul, com chapéus e o estandarte da Congada Peixe Frito
A Congada Peixe Frito, de Piracaia, em 2024. Foto: RedrumCarol / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Para levar uma lembrança, a Casa do Artesão José Bonetti reúne artes plásticas, esculturas em madeira, cerâmica e outros trabalhos de artistas locais. No centro, o Parque Ecológico, com 40 mil metros quadrados, tem pista de caminhada, quadra de areia, horto com viveiro de mudas e playground. Perto dali, uma gruta construída em 2004 abriga a imagem de Nossa Senhora Aparecida e recebe fiéis durante todo o ano.

Salão da Casa do Artesão com peças de madeira, brinquedos e artesanato expostos em mesas
A Casa do Artesão José Bonetti. Foto: Elias Gomes / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Roteiro de um dia em Piracaia

Saindo cedo de São Paulo, dá para chegar a Piracaia antes das 10h. Comece pelo Santo Cruzeiro, enquanto o sol ainda está fraco, e desça para as igrejas do centro. Almoce truta em um dos restaurantes da cidade ou da beira da represa.

À tarde, escolha entre a Cachoeira do Pião, para quem quer banho, ou Batatuba, para quem gosta de história. No fim do dia, a represa entre as serras é o cenário para a volta.

Dicas para visitar Piracaia

O trajeto de São Paulo leva de uma hora e meia a duas horas, dependendo do trânsito. Para as cachoeiras, use calçado de trilha e leve roupa de banho. Nos fins de semana, as cachoeiras e os restaurantes de truta ficam mais cheios, então saia cedo.

Na mesma região, a Pedra Grande, em Atibaia, tem vista para Piracaia, e Joanópolis guarda a Cachoeira dos Pretos. Bragança Paulista também fica perto.

Uma cruz no alto do morro, papas no teto da igreja e truta no prato: Piracaia cabe inteira num dia e ainda deixa vontade de voltar.

Você faria um bate e volta até Piracaia?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.