Pardinho SP é uma daquelas cidades que a gente só descobre quando alguém mostra uma foto: um café de fazenda com vista para a serra, árvores enormes formando um portal no meio do pasto e um monumento de violão na entrada. Tem pouco mais de sete mil moradores, fica a cerca de 200 km da capital e guarda a vista mais bonita do Gigante Adormecido.
Cerca de 70% do território está numa área de proteção ambiental, e o resultado aparece na paisagem: morros verdes, estradas de terra, vendas de beira de estrada e música de viola.
Café da Cuesta, o mirante mais famoso de Pardinho SP
O programa mais procurado é o Café da Cuesta, que funciona num mirante natural na entrada da Fazenda São Pedro do Pardinho. A propriedade é biodinâmica, certificada, e produz o café que dá nome ao lugar. Da mesa, a vista se abre sobre a Cuesta, o degrau de serra que corta o interior paulista.

Além do café com vista, a fazenda tem tour pela produção, da lavoura até a xícara, em construções do século 19. É uma boa pedida para o fim de tarde, quando a luz deixa os morros dourados.
Portal Saladin e a paisagem rural de Pardinho SP
No meio da zona rural, o Portal Saladin é um dos lugares que mais rendem foto. Árvores grandes, as ficheiras, erguem-se lado a lado e formam uma moldura natural para a vista panorâmica do campo.

Vale chegar sem pressa e ficar um tempo olhando o campo aberto, que é o programa em si.
Para quem prefere aventura, há passeios de buggy pela Cuesta, que passam por paisagens rurais, mirantes e cachoeiras e mostram como é a vida no campo por ali. Pergunte na cidade qual operadora está atendendo.
Quem quer ver de perto o outro símbolo da Cuesta pode fazer o passeio do Gigante Adormecido em Bofete, cidade vizinha. De Pardinho, a vista da formação é considerada uma das melhores.
Fazenda dos Bambus, a natureza preservada em Pardinho SP
A Fazenda dos Bambus é a opção para quem busca natureza de verdade. A propriedade segue princípios ecológicos, com agricultura orgânica, e protege as áreas de preservação e a reserva legal. Cerca de metade dos 211 hectares é coberta por floresta nativa, e a fazenda tem capacidade para hospedar até 35 pessoas.
Entre as paisagens, há um abrigo de rocha avermelhada, coberto de musgo, com passarela de madeira e mata ao redor. É um daqueles cenários que parecem de outra região do país e ficam bem no meio do interior paulista.
Centro Max Feffer, a arquitetura sustentável
No centro da cidade, o Centro Max Feffer de Cultura e Sustentabilidade chama atenção pelo prédio, de cobertura ondulada feita de bambu. É um espaço premiado pela arquitetura sustentável, com oficinas e eventos gratuitos voltados à cultura e ao meio ambiente.

À noite, a iluminação deixa a cobertura dourada, e vale passar para ver. Dê uma olhada na programação antes de ir, porque as atividades mudam ao longo do ano.
Matriz do Divino Espírito Santo
A Igreja Matriz do Divino Espírito Santo é de 1894 e é parada obrigatória para quem gosta de turismo religioso. O que mais impressiona é o teto, pintado com um medalhão no centro e faixas coloridas em azul e dourado.

A visita é rápida e combina bem com uma caminhada pela praça, antes do almoço.
Cultura caipira em Pardinho SP: o Monumento ao Ferreirinha
A cidade tem orgulho da sua tradição caipira. Logo na entrada, o Monumento ao Ferreirinha mostra um cavaleiro de chapéu sobre um cavalo empinado, ao lado de um violão gigante. É um tributo à moda de viola e ao personagem Ferreirinha, de uma música conhecida do repertório sertanejo de raiz.

A música caipira aparece também nos grupos locais, como o Caipiras da Cuesta, que tocam viola e violão em duplas, no estilo clássico de primeira e segunda voz. Se a cidade tiver apresentação enquanto você estiver por lá, vale parar para ouvir.
Outra parada com cara de roça é a feira de artesanato, com peças feitas pelas senhoras do bairro em madeira, bambu, tecido e palha. É uma boa chance de levar uma lembrança que nasceu na própria cidade.
O que comer em Pardinho SP: mingau de milho e vendas de estrada
A comida é parte do passeio. O prato mais típico é o mingau caipira de milho, servido com bolinho frito, receita simples e de sabor de roça.

Para comer bem, a cidade tem a Venda do Vivan, parada tradicional de estrada, o Rancho do Maluli, com churrasco, o restaurante Paineira Velha e o Deck 976, bar com vista para o pôr do sol. Quem gosta de roteiro rural pode combinar a viagem com o roteiro de Itupeva, e quem quer mais serra e cachoeira tem Botucatu por perto.
Como montar um dia em Pardinho SP
Comece de manhã pelo centro: Matriz, Centro Max Feffer e uma volta pela praça. Almoce mingau e bolinho numa venda de beira de estrada. À tarde, vá ao Portal Saladin e à Fazenda dos Bambus. No fim do dia, termine no Café da Cuesta, com a serra se apagando na frente da mesa.
São cerca de 200 km da capital, pouco mais de duas horas de estrada. Confirme horários e reservas antes de ir, principalmente nos passeios em fazendas.
Pardinho é pequena e não quer ser mais do que é. Entre o café, a viola e a vista de morro, ela entrega o essencial de uma viagem de interior: tempo para olhar.



