Lorena tem solar que hospedou D. Pedro II, palacete veneziano de Ramos de Azevedo e a única basílica de São Benedito do mundo

Palacete Veneziano, em Lorena, com cúpula, varanda em colunas e escadaria, entre palmeiras
O Palacete Veneziano, de 1919. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

No centro de Lorena, um casarão do tempo do café guarda uma lembrança ilustre: ali dormiram o imperador D. Pedro II, a Princesa Isabel e o Conde d’Eu. A poucas quadras, um palacete em estilo veneziano parece ter saído de um canal da Itália, e uma basílica neogótica é a única do mundo dedicada a São Benedito.

Lorena fica no Vale do Paraíba, a cerca de 190 km de São Paulo, e foi uma das cidades mais ricas do ciclo do café no século 19. Fundada no século 17, recebeu os dois imperadores do Brasil e guarda até hoje casarões, igrejas e uma estação que contam essa história.

O solar onde dormiu a família imperial

O Solar do Conde de Moreira Lima foi construído entre 1852 e 1856 por Joaquim José Moreira Lima, lembrado como o maior benfeitor da cidade. Na época, era considerado o casarão mais importante de Lorena, e ali se hospedaram D. Pedro II, a Princesa Isabel e o Conde d’Eu.

Solar do Conde de Moreira Lima, casarão de dois andares creme com janelas verdes e sacadas, numa esquina de Lorena
O Solar do Conde de Moreira Lima, que hospedou a família imperial. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O solar é tombado pelo Condephaat e hoje funciona como Casa da Cultura, com exposições e atividades. É a melhor porta de entrada para entender a Lorena do café, quando as fazendas do Vale do Paraíba sustentavam boa parte da economia do Império.

O Palacete Veneziano de Ramos de Azevedo

Em 1919, o médico Machado Coelho, que morava no Rio de Janeiro, encomendou em Lorena um palacete com arquitetura inspirada em Veneza. O projeto é de Francisco de Paula Ramos de Azevedo, um dos arquitetos mais importantes de São Paulo na virada do século 20.

O Palacete Veneziano, na Rua Dom Bosco, no centro, mistura elementos neoclássicos e barrocos e é considerado um dos imóveis mais singulares do interior paulista. Hoje faz parte do campus do Unisal, e a fachada é um dos lugares mais fotografados da cidade.

O Solar dos Azevedos e os casarões do café

O Solar dos Azevedos é outro casarão tombado pelo Condephaat e um dos mais antigos de Lorena. Ao lado de outros prédios do século 19, como a casa dos Barões de Santa Eulália, na praça do mesmo nome, ele forma o conjunto que lembra a riqueza da cidade no auge do café.

Fachada salmão do Solar dos Azevedos, em Lorena, com janelas altas e portão de ferro
O Solar dos Azevedos. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Caminhar pelo centro, olhando as fachadas, janelas altas e sacadas de ferro, é um passeio por mais de 150 anos de história.

A única basílica de São Benedito do mundo

A Basílica Menor de São Benedito nasceu da antiga irmandade de São Benedito e foi inaugurada em 1884. O templo tem estilo neogótico com elementos barrocos, ornamentos ricos e acabamento caprichado, e é tão especial que é considerado um museu eclesiástico.

Interior da Basílica de São Benedito, com cúpula pintada, lustre e altares neogóticos
O interior da Basílica de São Benedito. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Por dentro, a cúpula pintada, os altares neogóticos e as imagens de santos em nichos dourados impressionam quem entra pela primeira vez. Desde 1917, ela é ligada à Basílica de São Pedro, em Roma, e é a única basílica do mundo dedicada a São Benedito. O prédio é tombado pelo conselho de patrimônio do município e recebe fiéis de toda a região.

Catedral, Rosário e a origem da Canção Nova

A Catedral de Nossa Senhora da Piedade tem cerca de 300 anos de história e é o centro da fé dos lorenenses. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário, ligada aos devotos negros da santa, tem estilo neoclássico e planta em forma de cruz grega.

Torre branca com detalhes vermelhos e relógio da Catedral de Nossa Senhora da Piedade
A torre da Catedral de Nossa Senhora da Piedade. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Lorena tem também uma curiosidade religiosa: foi aqui que Jonas Abib reuniu os primeiros 12 jovens da Canção Nova, comunidade que depois se mudou para a vizinha Cachoeira Paulista. Na cidade fica ainda a Casa Bethânia, obra social fundada pelo padre Léo.

A estação e o tempo do café em Lorena

A estação ferroviária de Lorena foi um marco no crescimento da cidade, quando os trens levavam o café do Vale do Paraíba. O prédio amarelo, com o nome da cidade no alto e a plataforma coberta, está preservado e hoje vê passar os trens de carga da MRS, que seguem levando mercadorias pelo Vale, como faziam os trens do café no século 19.

Estação ferroviária amarela com o nome Lorena no alto e trilhos em primeiro plano
A estação ferroviária de Lorena. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Para quem quer ver fazendas do café, o Vale tem outros destinos com casarões abertos à visita, como Bananal, no extremo leste do estado.

Dicas para visitar Lorena

Alguns casarões, como o Palacete Veneziano, ficam dentro de instituições de ensino ou têm horários de visita restritos, então vale ligar antes para saber se é possível entrar. Mesmo quando as portas estão fechadas, as fachadas já valem o passeio. Nas igrejas, respeite os horários de missa e evite o flash nas fotos.

Use sapato confortável, porque o melhor jeito de conhecer o centro histórico é a pé. E aproveite para provar os doces e o café das padarias da região, herança dos tempos em que o Vale do Paraíba era o maior produtor de café do país.

Como chegar a Lorena

Lorena fica a cerca de 190 km de São Paulo, pela Rodovia Presidente Dutra, sentido Rio de Janeiro, em umas duas horas e meia de viagem. Está entre Guaratinguetá e Cachoeira Paulista, o que facilita juntar várias cidades num roteiro.

Roteiro de um dia em Lorena

Comece pela Basílica de São Benedito e pela Catedral, no centro. Siga para o Solar do Conde de Moreira Lima e, depois, para a Rua Dom Bosco, para ver o Palacete Veneziano. Almoce no centro e, à tarde, caminhe pelas ruas dos casarões até a estação.

Para um fim de semana de fé no Vale do Paraíba, Lorena combina com Aparecida, Guaratinguetá e Cachoeira Paulista, todas a poucos minutos de distância pela Dutra.

Em Lorena, o tempo do café ainda está nas fachadas: basta levantar os olhos para ver os palacetes e solares que receberam até a família imperial.

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.