Faltam poucos dias para o 12 de outubro, e Aparecida, no Vale do Paraíba, se prepara para receber multidões. A cidade guarda a imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e o Santuário Nacional, a segunda maior basílica do mundo, menor apenas que a de São Pedro, no Vaticano.
Mas Aparecida vai além da missa. Uma passarela de cerca de 390 metros liga o Santuário à Basílica Velha, bondinhos cruzam a Rodovia Presidente Dutra até o Morro do Cruzeiro, e às margens do rio Paraíba do Sul fica o porto onde, em 1717, três pescadores tiraram a imagem da água. Em 2026, o feriado cai numa segunda-feira, e o fim de semana prolongado deve lotar a cidade.

O Santuário Nacional, a segunda maior basílica do mundo
O Santuário Nacional começou a ser construído em 1955 e é considerado o maior santuário dedicado a Maria no mundo. Os números impressionam: a cúpula tem 70 metros de altura, a torre do relógio chega a 109 metros, e a nave comporta cerca de 30 mil pessoas. O prédio tem formato de cruz grega, e as paredes de tijolos aparentes dão ao interior um tom avermelhado. Somando estacionamentos, praças e prédios de apoio, o complexo inteiro ocupa uma área maior que a do Vaticano.

É ali que fica a pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida, num nicho que os romeiros visitam em fila. O complexo recebe milhões de visitantes todos os anos: foram 8,8 milhões em 2023, e o recorde é de 13 milhões, em 2017, ano dos 300 anos do encontro da imagem.
Além das missas, dá para visitar a Sala das Promessas, onde ficam fotos, cartas e objetos deixados como agradecimento por graças alcançadas, e o museu dedicado à santa. Para ver a cidade do alto, a Torre Brasília, a torre do relógio, tem um mirante com vista para o Vale do Paraíba, o rio Paraíba do Sul e a Dutra.
O Santuário Nacional de Aparecida tem cúpula de 70 metros, torre de 109 metros e espaço para cerca de 30 mil pessoas.
A Basílica Velha de Aparecida e a Passarela da Fé
Antes do Santuário, a imagem ficou por muito tempo na igreja que hoje todos chamam de Basílica Velha, ou Matriz Basílica, no alto do morro, no centro de Aparecida. O prédio atual, com duas torres e fachada amarela, foi concluído em 1888, no lugar onde antes havia a primeira capela construída para a santa.

Para ir de uma basílica à outra, o caminho é a Passarela da Fé, inaugurada em 1972. Com cerca de 390 metros de comprimento e até 35 metros de altura, ela faz curvas sobre as ruas da cidade, e a caminhada leva poucos minutos. Alguns romeiros fazem o trajeto de joelhos, como pagamento de promessa, e a vista do Santuário no fim da passarela é uma das mais fotografadas de Aparecida.
Bondinho, teleférico e o Morro do Cruzeiro de Aparecida
Um passeio que agrada também a quem não é devoto são os Bondinhos Aéreos, inaugurados em 2014. As cabines fechadas, com lugar para seis pessoas, saem da área do Santuário e percorrem cerca de 1,1 quilômetro por cima da Via Dutra até o Morro do Cruzeiro. Algumas cabines são adaptadas para cadeira de rodas.
No alto do morro, esculturas representam as estações da Via Sacra, e o mirante tem vista para o Santuário Nacional e para as cidades vizinhas. No fim da tarde, quando as luzes da basílica se acendem, a paisagem fica ainda mais bonita.

Aparecida tem ainda um teleférico de cadeirinhas coloridas, que liga a parte baixa da cidade à parte alta, perto da Basílica Velha. É um jeito divertido de subir o morro e ver os telhados do centro de cima.
Porto Itaguaçu, onde a imagem foi encontrada
A história de Aparecida começa no rio. Em 1717, três pescadores lançaram as redes no Paraíba do Sul, no trecho hoje chamado de Porto Itaguaçu, e recolheram primeiro o corpo e depois a cabeça de uma pequena imagem de Nossa Senhora. Logo depois, conta a tradição, a pesca foi tão farta que o episódio passou a ser contado como o primeiro milagre da santa.

O porto fica a poucos minutos do Santuário e tem uma capela, área verde e passeios de barco pelo rio, que passam pelo trecho onde a imagem teria sido encontrada. Do rio, dá para ver o Santuário ao longe, entre as árvores da margem. Ao lado fica o Parque dos Três Pescadores, uma homenagem aos homens que encontraram a imagem, com área verde e trilha, bom para uma pausa longe do movimento das basílicas.
A imagem foi proclamada padroeira do Brasil em 1930, e o 12 de outubro virou feriado nacional em 1980, ano em que o Santuário foi consagrado.
Dicas para visitar Aparecida no feriado
Nos dias que antecedem o 12 de outubro, o Santuário faz a novena da padroeira, e no dia da festa a cidade recebe romeiros de todo o país. Quem vai nessa época deve reservar hotel com antecedência, chegar cedo e contar com filas no nicho da imagem, no bondinho e nos restaurantes. Para uma visita mais tranquila, o ideal é ir fora do feriado ou em dias de semana. Boa parte do passeio é feita a pé e ao ar livre, então calçado confortável, roupa leve e protetor solar fazem diferença.
Em volta do Santuário e no centro, lojas e barracas vendem terços, imagens, velas e lembranças, e muitos romeiros voltam para casa com uma garrafinha de água benta.
Aparecida fica às margens da Via Dutra, no caminho entre São Paulo e o Rio de Janeiro, e é fácil combinar a viagem com outros destinos do Vale do Paraíba, como São Luiz do Paraitinga, Cunha e Guararema.
Com fé ou só pela curiosidade, Aparecida rende um dia inteiro entre basílicas, passarela, bondinho e a beira do rio onde tudo começou.
Você já atravessou a Passarela da Fé?





