Monteiro Lobato tem casarão de 1880 do escritor, cachoeira que ele batizou e comida caipira no riacho

Casinha rústica de telhado de barro com varanda e cerca de madeira entre palmeiras e morros verdes, no restaurante Beira do Riacho, em Monteiro Lobato
O restaurante Beira do Riacho, em Monteiro Lobato. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Quem cresceu lendo as histórias de Narizinho, Pedrinho e Emília pode visitar o lugar que inspirou o Sítio do Picapau Amarelo. Fica numa pequena cidade da Serra da Mantiqueira, no Vale do Paraíba, que leva o nome do próprio escritor: Monteiro Lobato. Lá está a antiga Fazenda Buquira, onde Lobato morou com a família, hoje aberta à visitação com o nome de O Verdadeiro Sítio do Picapau Amarelo.

A cidade tem pouco mais de 4 mil habitantes, ruas tranquilas em volta da igreja matriz e uma zona rural de morros verdes, riachos e cachoeiras. Além do casarão, o passeio inclui a cachoeira que o próprio Lobato batizou, uma igreja com o teto todo pintado e restaurantes de comida caipira, um deles à beira de um riacho.

O verdadeiro Sítio do Picapau Amarelo

José Bento Monteiro Lobato se mudou para a Fazenda Buquira em 1911, depois da morte do avô, o Visconde de Tremembé, que deixou as terras para a família. Ele foi para lá com a mulher, Purezinha, e os filhos, e viveu alguns anos como fazendeiro. Foi dessa experiência no campo que saíram textos como A Velha Praga e Urupês, que o tornaram conhecido antes mesmo dos livros infantis. Lobato vendeu a fazenda em 1917 e foi para São Paulo, mas a vida no campo ficou nas páginas.

Quarto do casarão do Sítio do Picapau Amarelo, em Monteiro Lobato, com cama de madeira, portas vermelhas, forro de madeira e quadros nas paredes
Um dos quartos do casarão do Sítio do Picapau Amarelo. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O casarão, construído em 1880, tem quase 20 cômodos, com bibliotecas e móveis do século passado. A visita passa pelos quartos, salas e estantes cheias de livros, e em volta da casa há uma grande área verde, com pomar e trilhas. A propriedade é particular e fica na Estrada do Livro, na zona rural.

Estante de madeira com livros de lombadas coloridas e bonecos, no casarão do Sítio
Livros e bonecos no casarão do Sítio do Picapau Amarelo. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O Sítio costuma abrir todos os dias para visitação, com cobrança de ingresso, e serve almoço nos fins de semana e feriados. Também é possível reservar o pacote Um Dia no Sítio, que junta a entrada, o almoço, a sobremesa e as bebidas. Como é um lugar pequeno e administrado pela família proprietária, vale ligar antes para confirmar horários e reservar o almoço.

O casarão do Sítio do Picapau Amarelo, em Monteiro Lobato, foi construído em 1880 e tem quase 20 cômodos.

Do Buquira para a estante de todo o Brasil

O primeiro livro infantil de Lobato, A Menina do Narizinho Arrebitado, saiu em 1920, poucos anos depois de ele deixar a fazenda. Dali nasceu o universo de Dona Benta, Tia Nastácia, Narizinho, Pedrinho, Emília e Visconde de Sabugosa, que ganhou dezenas de livros e virou série de televisão várias vezes, a primeira delas em 1952 e as mais lembradas em 1977 e 2001.

Para muita gente, visitar o casarão é reconhecer no mundo real o cenário que antes só existia na imaginação: a casa grande de janelas largas, o pomar, o ribeirão e o mato em volta. Por isso o passeio agrada tanto a famílias com crianças quanto a adultos que cresceram assistindo ao Sítio na TV.

A cachoeira Reino das Águas Claras

Dentro da propriedade, uma trilha leva à cachoeira que Lobato chamou de Reino das Águas Claras. O nome aparece nas histórias do Sítio como o reino encantado no fundo do ribeirão, visitado por Narizinho, e por isso o passeio costuma encantar as crianças que conhecem os livros.

Cachoeira descendo em degraus sobre pedras escuras no meio da mata fechada, a Reino das Águas Claras
A Cachoeira Reino das Águas Claras, no Sítio. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A água desce em degraus sobre pedras escuras, no meio da mata, e o caminho passa por árvores frutíferas e bichos da fazenda. É o tipo de cenário que ajuda a entender de onde saíram tantas aventuras.

De Buquira a Monteiro Lobato

Durante muito tempo, a cidade se chamou Buquira. O nome mudou para Monteiro Lobato em 1948, ano da morte do escritor, quando o antigo distrito se separou de São José dos Campos e virou município, em homenagem ao seu morador mais famoso.

A cidade cresceu em volta da Igreja Matriz Nossa Senhora do Bonsucesso, cuja freguesia foi criada em 1849. Por dentro, ela chama a atenção: o teto e as paredes do altar são cobertos de pinturas de santos, e os vitrais coloridos completam a decoração.

Teto da igreja todo pintado com imagens de santos, arcos decorados e cores fortes, na Matriz de Monteiro Lobato
O teto pintado da Paróquia Nossa Senhora do Bonsucesso. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Em volta da praça, o centro é pequeno e fácil de percorrer a pé, com casas antigas, lojinhas e restaurantes.

Comida caipira, do riacho à praça

A comida é parte importante do passeio. Na zona rural, no bairro dos Souzas, o Beira do Riacho serve comida típica aos sábados, domingos e feriados, feita no fogão a lenha, num terreno à beira de um riacho com pequenas quedas d’água. O lugar tem ainda artesanato e música de viola, e é bom para esticar o almoço ao ar livre.

No centro, de frente para a praça, o restaurante Tia Nastácia, que leva o nome da cozinheira do Sítio, serve comida caseira mineira desde 1988. O cardápio tem pratos como costelinha, torresmo, carne de lata e feijoada, além de opções mais leves, como omeletes.

Fachada branca do restaurante Tia Nastácia, com janelas de madeira e letreiro azul
O restaurante Tia Nastácia, no centro. Foto: Aniello de Vita / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Como chegar a Monteiro Lobato

Monteiro Lobato fica perto de São José dos Campos, no caminho da Rodovia Monteiro Lobato, a SP-50, que sobe a Serra da Mantiqueira. A cidade está a 685 metros de altitude, e a estrada até lá passa por pastos, matas e morros.

Como o Sítio e as cachoeiras ficam na zona rural, em estradas de terra, o ideal é ir de carro e evitar os dias logo depois de chuva forte. Leve repelente, calçado para trilha e roupa de banho, e reserve pelo menos um dia inteiro para conhecer o casarão com calma, fazer a trilha da cachoeira e almoçar sem pressa.

Pela mesma rodovia chega-se a São Francisco Xavier, vila de montanha com cachoeiras e picos, e dá para seguir até Campos do Jordão para completar um roteiro de fim de semana pela serra.

Monteiro Lobato é daquelas cidades que fazem o leitor voltar à infância, com um casarão cheio de livros, uma cachoeira de nome encantado e um almoço caipira sem pressa.

Qual personagem do Sítio do Picapau Amarelo você mais gostava?

Compartilhe esse conteúdo em suas redes sociais