No alto da Serra da Mantiqueira, a cerca de 150 quilômetros da capital, São Francisco Xavier tem jeito de vila de montanha: uma igreja de fachada azul na praça, ruas com restaurantes e lojinhas de artesanato e serras em volta. O distrito pertence a São José dos Campos, fica a 720 metros de altitude e é cercado por picos que passam dos 2 mil metros, com cachoeiras, trilhas e mirantes a poucos quilômetros do centro.
São Francisco Xavier foi criado oficialmente em 1892 e nasceu como ponto de parada dos comerciantes que desciam de Minas Gerais. Desde 2002, a região é protegida como Área de Proteção Ambiental estadual, e hoje recebe quem procura natureza, comida caipira e um fim de semana sem pressa a cerca de duas horas de São Paulo.

Como chegar a São Francisco Xavier
O distrito fica a 54,8 quilômetros do centro de São José dos Campos, pela Rodovia Monteiro Lobato, a SP-50. De São Paulo, o caminho mais comum é seguir pela Rodovia Presidente Dutra ou pela Ayrton Senna até São José dos Campos e, de lá, subir a serra.
O trecho final tem curvas e subidas, e a paisagem muda aos poucos: os pastos dão lugar a matas, araucárias e morros cada vez mais altos. Muitas atrações ficam em estradas de terra, então vale ir com calma e checar as condições depois de dias de chuva. Com um carro comum dá para chegar à maioria dos lugares citados aqui, e o próprio caminho já é parte do passeio.
As cachoeiras de São Francisco Xavier
A cachoeira mais fácil de visitar é a Pedro David, com cerca de 15 metros de altura divididos em várias quedas, que formam poços entre grandes pedras. O acesso é gratuito, e o lugar tem estrutura com vestiários, banheiros, área para alimentação e playground, o que faz dela um bom programa para famílias com crianças. A cachoeira fica no Recanto Turístico Pedro David, e a trilha até as quedas é curta e bem marcada, acessível até para quem não tem costume de caminhar.

Rio abaixo, a água corre sobre lajes de pedra e forma poços de água verde, bons para molhar os pés em dia de calor.

A mais alta das cachoeiras conhecidas do distrito é a do Sabão, com 25 metros em três quedas, dentro da Reserva Ecológica Augusto Ruschi. A lista segue com as cachoeiras das Couves, da Gruta, do Roncador e várias outras espalhadas pelos vales.
Outra opção é o Pouso do Rochedo, uma propriedade particular com um circuito de trilhas que passa por cachoeiras, mirantes e piscinas naturais. A visita é paga, por pessoa, e o passeio completo toma boa parte do dia, então vale sair cedo e levar lanche e água.

A Cachoeira Pedro David, em São Francisco Xavier, tem cerca de 15 metros em várias quedas, acesso gratuito e estrutura com vestiários e playground.
Pico do Selado, Queixo d’Anta e os mirantes de São Francisco Xavier
O ponto mais alto do distrito é o Pico do Selado, com 2.082 metros de altitude, na divisa com Camanducaia, em Minas Gerais, e Joanópolis, em São Paulo. Lá de cima, a vista alcança Monte Verde, São José dos Campos e outras cidades da região. A subida é puxada e indicada para quem já tem experiência com trilhas de montanha.
Outro desenho que chama a atenção na paisagem é o do Queixo d’Anta, serra de 1.740 metros. Ao lado fica o Pico do Focinho d’Anta, com 1.712 metros. O Queixo d’Anta aparece ao longe em vários trechos das estradas rurais do distrito.
Para quem quer vista sem esforço, o programa é o Mirante da Pedra de São Francisco, também chamada de Pedra do Porquinho. O acesso é gratuito, com uma caminhada de poucos minutos a partir do estacionamento, e no alto há um restaurante com vista para a Serra da Mantiqueira. O caminho até lá passa por estradas de terra com pinheiros, hortênsias e gado pastando.

O fim de tarde é o melhor horário para os mirantes, quando o sol se põe atrás das montanhas e o céu fica alaranjado. Com tanta montanha, o distrito também atrai praticantes de parapente, mountain bike e escalada.

O Pico do Selado, ponto mais alto de São Francisco Xavier, tem 2.082 metros de altitude.
A vila, a comida caipira e o muriqui
Depois das trilhas, o programa é voltar à vila. A igreja de São Francisco Xavier, de fachada azul, fica na Praça Cônego Antônio Manzi, e as ruas em volta reúnem restaurantes, cafés e lojas de artesanato em tecido e madeira, além de produtos da roça, como geleias e doces caseiros. Muitos sítios da região também vendem verduras e frutas orgânicas direto do produtor.
A cozinha local é caipira. No cardápio aparecem pratos com pinhão, o bolinho caipira e o João Deitado, pão tradicional da região. O calendário tem festas populares como a do Tropeiro e a de São Gonçalo, que mantêm vivas as tradições do tempo em que a vila era parada de tropas.
As matas da região também guardam o muriqui, o maior primata das Américas, ameaçado de extinção pela destruição da Mata Atlântica. Avistar um deles na mata é raro, mas a presença do muriqui é um dos motivos da proteção ambiental da serra.
Quando ir
Cada estação tem seu encanto. O verão é mais quente e chuvoso, e a melhor época para as cachoeiras. Outono e primavera têm temperaturas amenas e menos movimento. No inverno, as noites são geladas, e os dias secos costumam deixar a vista dos mirantes mais limpa.
Na mesma serra, vale conhecer também a Pedra do Baú, em São Bento do Sapucaí, a Cachoeira dos Pretos, em Joanópolis, cidade vizinha do Pico do Selado, e Campos do Jordão.
São Francisco Xavier segue com cara de vila de montanha, e um fim de semana dá para alternar cachoeira, mirante e mesa caipira sem olhar o relógio.
Você prefere o mirante fácil ou encarar a subida do Pico do Selado?




