Piraju tem torta Napoleão dos anos 50, ponte sobre a usina e escada onde os peixes sobem o rio na piracema

Fatia de torta Napoleão de Piraju com camadas de massa e creme, cobertura de chocolate com granulado e um morango no topo
A torta Napoleão, criada em Piraju nos anos 1950. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Em 1955, numa festa de família, uma moradora de Piraju provou um docinho em camadas, levou a ideia para casa e criou uma torta que virou símbolo da cidade. Até hoje, quem passa por Piraju, a cerca de 320 quilômetros de São Paulo, sai com uma fatia de torta Napoleão no prato ou uma inteira na mão.

A cidade fica às margens do Rio Paranapanema, um dos poucos rios grandes não poluídos do estado. E é em volta dele que estão os passeios: uma ponte sobre a barragem, uma escada por onde os peixes sobem o rio, corredeiras, tirolesa e praia de água doce.

A torta Napoleão de Piraju

Quem criou a receita foi Anita Vecchia. Em 1955, ela conheceu um pequeno doce em camadas, chamado Napoleão, e o transformou numa torta, acrescentando uma cobertura de chocolate com granulado. Nas festas juninas, fazia a torta aos montes e vendia para ajudar o asilo da cidade. Mais tarde, a nora trocou o chocolate ao leite por uma ganache meio amarga, e a receita foi passando de família em família.

Em Piraju, a torta Napoleão é tratada como patrimônio cultural da cidade desde que nasceu, em 1955.

Hoje a torta Napoleão é vista como patrimônio cultural e gastronômico de Piraju, ganhou edição especial do jornal local e aparece no cardápio de confeitarias e restaurantes da cidade. Vale provar e levar uma para casa.

A ponte sobre a usina

O cartão-postal da cidade é a Ponte Engenheiro Nelson de Godoy, que passa por cima da barragem de uma usina hidrelétrica construída nos anos 1920. Dali se tem uma das melhores vistas do Paranapanema, com a água descendo pela barragem, uma queda que é iluminada à noite.

Ponte Engenheiro Nelson de Godoy, em Piraju, com grade azul, passando sobre a barragem da usina no Rio Paranapanema
A Ponte Engenheiro Nelson de Godoy, sobre a barragem. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A escada de peixes e a piracema

Perto da barragem fica a escada de peixes, uma sequência de degraus com água corrente que permite aos peixes vencer o desnível e continuar subindo o rio. Na época da piracema, quando os cardumes sobem o rio para desovar, o movimento atrai muitos visitantes, que param para ver os peixes saltando de degrau em degrau.

Degraus de concreto da escada de peixes com a água descendo em pequenas quedas, protegidos por uma tela
A escada de peixes, perto da barragem. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A ligação com os peixes está até no nome da cidade. Piraju vem do tupi e quer dizer peixe amarelo, uma referência ao dourado, peixe que fez a fama do rio entre os pescadores.

Garganta do Diabo e tirolesa sobre o rio

Dentro da cidade, o Paranapanema se espreme entre grandes rochas e forma a Garganta do Diabo, uma corredeira de água branca e espumante. O trecho é usado para canoagem e rafting, e a cidade tem tradição em formar atletas de canoagem.

Corredeira da Garganta do Diabo, em Piraju, com o Rio Paranapanema passando branco e espumante entre grandes rochas
A corredeira da Garganta do Diabo. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Para ver as corredeiras de cima, a Tirolesa das Corredeiras, inaugurada em 2020, sai do Mirante Gilberto Polenghi e percorre quase 500 metros sobre o rio, a cerca de 80 metros de altura no ponto mais alto. Confirme dias e horários antes de ir.

Pessoa de capacete descendo pela tirolesa no alto, com o rio correndo entre pedras e mata lá embaixo
A Tirolesa das Corredeiras, sobre o Paranapanema. Foto: Maycon Grilo, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Prainha, pier e cachoeiras de Piraju

A cerca de 16 quilômetros do centro, a Prainha é uma praia de água doce na Represa de Jurumirim, a mesma que banha Avaré. A entrada é gratuita, e nos fins de semana de verão ela chega a receber 5 mil pessoas. Ao lado dela, a Pedrinha é uma ponta de mata e pedras avermelhadas que entra na represa, numa área particular procurada por pescadores e campistas, com lanchonete e espaço para esportes náuticos.

Vista aérea da Pedrinha, em Piraju, ponta de terra com mata e grandes pedras avermelhadas entrando na represa do Rio Paranapanema
A Pedrinha, na Represa de Jurumirim. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Mais perto da cidade, o Pier Canto do Rio é o ponto de quem gosta de stand up e de um banho na represa.

Represa de água calma com reflexos do sol, píer de madeira na margem e casas entre as árvores
O Pier Canto do Rio, na represa. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Na zona rural, a Cachoeira Palmital, pela estrada de Timburi, tem mais de 50 metros de queda e recebe praticantes de rapel. Já a Cachoeira Capitão Mourão tem estrutura para visitantes e uma das poucas saunas a lenha do estado.

Matriz de São Sebastião e o centro

No centro de Piraju, a Igreja Matriz de São Sebastião, de estilo gótico, guarda uma imagem antiga do santo esculpida em madeira. A paróquia é a mais antiga da cidade, criada em 1872.

Igreja Matriz de São Sebastião de Piraju, em estilo gótico, com torre do relógio e palmeiras altas sob céu azul
A Igreja Matriz de São Sebastião. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Na praça da igreja, o Lago da Deusa Flora tem carpas e a estátua que lhe dá nome. A história local lembra ainda que Piraju libertou os seus escravizados em 1888, antes da Lei Áurea.

Dicas para visitar Piraju

Piraju fica a cerca de 320 quilômetros de São Paulo, no sudoeste paulista. Para ver a escada de peixes em ação, a melhor época é a da piracema, que começa em novembro. Para a Prainha e as cachoeiras, prefira os dias quentes, de outubro a março.

Reserve um fim de tarde para a ponte e a noite para ver a queda iluminada. E não vá embora sem a torta Napoleão.

Uma torta nascida numa festa de família, um rio limpo cheio de corredeiras e peixes subindo degrau por degrau: Piraju é daquelas cidades que a gente descobre e quer contar para todo mundo.

Você já provou a torta Napoleão de Piraju?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.