Aos sábados e domingos, uma locomotiva a vapor de quase 100 anos solta fumaça em plena Zona Leste de São Paulo. A Maria Fumaça da Mooca puxa vagões de madeira por cerca de 3 quilômetros de trilhos, saindo em frente ao Museu da Imigração, o prédio que recebeu milhões de imigrantes que chegavam de trem ao planalto.
O passeio dura cerca de meia hora e é feito pelo mesmo ramal ferroviário que levava as famílias recém-chegadas do porto de Santos até a antiga Hospedaria dos Imigrantes.
A antiga Hospedaria dos Imigrantes
Entre 1887 e 1978, o prédio onde hoje funciona o Museu da Imigração foi a Hospedaria dos Imigrantes do Brás. Os estrangeiros desembarcavam no porto de Santos, subiam a serra de trem e eram levados direto para a hospedaria, construída ao lado da linha da antiga São Paulo Railway.

Ali eles ficavam alguns dias, tinham onde dormir e comer, até serem encaminhados para as fazendas de café e para as cidades do interior. Ao longo de mais de 90 anos, passaram pela hospedaria cerca de 2,5 milhões de pessoas, de mais de 70 nacionalidades. Só a primeira parte do prédio já tinha espaço para cerca de 1.200 hóspedes.

Nas paredes ainda aparecem avisos pintados em italiano, com as regras da casa para quem chegava. O prédio é tombado e, depois de um longo restauro, reabriu como museu em 2014. A única mudança grande foi um elevador para pessoas com deficiência. Parte do antigo conjunto também abriga o Arsenal da Esperança, que acolhe pessoas em situação de rua.
O caminho dos imigrantes até a Mooca
A viagem que o passeio relembra começava no mar. Os navios atracavam no porto de Santos, perto da Estação do Valongo, de onde os trens da São Paulo Railway subiam a Serra do Mar. No alto da serra, na vila ferroviária de Paranapiacaba, os vagões eram puxados por cabos nos trechos mais íngremes, até chegar ao planalto.
Dali, os trens seguiam até o Brás, onde um ramal levava os passageiros direto para a porta da hospedaria. Era o primeiro contato de muitas famílias com São Paulo, e o mesmo trilho hoje é usado só pelo trem turístico, chamado também de Trem Cultural dos Imigrantes.
O passeio de Maria Fumaça da Mooca
O passeio é organizado pela ABPF, a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, que tem sua base de São Paulo bem em frente ao museu. O embarque é na plataforma da associação, na Rua Visconde de Parnaíba. A ABPF é uma organização sem fins lucrativos que restaura locomotivas e vagões antigos, e é a mesma que opera o passeio de Maria Fumaça entre Campinas e Jaguariúna.

A locomotiva a vapor puxa vagões de madeira da antiga São Paulo Railway e carros de aço inox da antiga Estrada de Ferro Araraquarense, todos restaurados na oficina da ABPF. O trem segue pelo Ramal dos Imigrantes até a estação Juventus-Mooca, onde a locomotiva manobra, e depois volta passando em frente ao museu até perto da estação Brás. No caminho dá para ver outras locomotivas históricas paradas no pátio.
A Maria Fumaça da Mooca roda pelo mesmo ramal que levava os imigrantes até a antiga Hospedaria do Brás.
Durante a viagem, monitores da associação contam a história da locomotiva e encenam costumes das antigas viagens de trem. O passeio leva de 25 a 30 minutos.
Dias e horários da Maria Fumaça da Mooca
A Maria Fumaça da Mooca circula aos sábados, domingos e feriados, com saídas ao longo do dia, das 11h às 16h30, em intervalos de cerca de uma hora entre uma viagem e outra. Os horários podem mudar conforme o movimento, então chegue cedo, principalmente nos fins de semana de férias.
Os ingressos do trem são vendidos só na própria plataforma de embarque. Para chegar até ela, é preciso passar pelo Museu da Imigração, e por isso o ingresso do museu também é necessário. Vale combinar os dois programas no mesmo dia.
O que ver no Museu da Imigração
O museu conta a história das pessoas que chegaram ao Brasil e a São Paulo, dos imigrantes que passaram pela hospedaria aos migrantes e refugiados de hoje. Uma maquete mostra como era o conjunto da hospedaria, com os pavilhões, o pátio e a linha do trem ao lado.

Um dos espaços mais marcantes reconstitui um dormitório da época, com beliches de ferro enfileirados, para dar ideia de como as famílias dormiam nos primeiros dias no país.

A exposição de longa duração reúne objetos, móveis e documentos, além de mesas interativas. O acervo inclui listas de passageiros de navios e livros de registro da hospedaria, material que ajuda famílias a pesquisar a chegada dos antepassados. Há ainda um espaço para tirar fotos com roupas de época, e o museu recebe exposições temporárias, como mostras sobre refugiados que vivem hoje em São Paulo. No jardim, um trenzinho de madeira faz a alegria das crianças enquanto esperam o horário do passeio.

Dicas para o passeio de Maria Fumaça da Mooca
O Museu da Imigração fica na Rua Visconde de Parnaíba, 1.316, na Mooca, perto das estações de trem e metrô da região do Brás. Abre de terça a sábado, das 9h às 17h, e aos domingos, das 10h às 17h. Como o trem só roda nos fins de semana e feriados, programe a visita para esses dias.
Para quem gosta de trens, São Paulo tem outros passeios: o Expresso Turístico da CPTM sai da Estação da Luz rumo a Jundiaí, Mogi e Paranapiacaba, a Maria Fumaça de Campinas roda até Jaguariúna, e o bonde de Santos passeia pelo centro histórico, onde os imigrantes desembarcavam.
Vapor, apito e vagões de madeira no meio da cidade: a Maria Fumaça da Mooca refaz um pedaço da viagem de quem chegou a São Paulo para começar a vida.
Você já sabia que dava para andar de Maria Fumaça em plena São Paulo?





