O bonde de Santos sai da Estação do Valongo e segue devagar, sobre trilhos, por cerca de 5 quilômetros do centro histórico. No caminho passam o Museu do Café, casarões do tempo do porto e igrejas coloniais, e os bondes que fazem o passeio vieram de lugares como Portugal, Itália, Escócia e Japão.
A poucas quadras dali, outro veículo sobre trilhos faz uma viagem bem mais inclinada: o funicular do Monte Serrat, inaugurado em 1927, sobe o morro em poucos minutos até um mirante com vista para a cidade inteira.
Os bondes de Santos desde 1871
Santos tem uma longa história com os bondes. Os primeiros começaram a circular em 1871, puxados por burros, ligando a estação de trem à praia. Em 1909 chegaram os bondes elétricos, e no ano anterior a companhia que cuidava do serviço tinha encomendado uma leva de carros na Escócia.
Durante décadas, os bondes foram o principal transporte da cidade, com quilômetros de trilhos espalhados pela cidade. O serviço comum foi desativado no começo dos anos 1970, substituído pelos ônibus e trólebus, mas parte dos trilhos e dos carros sobreviveu.
A linha turística do bonde de Santos
Em 23 de setembro de 2000, os bondes voltaram às ruas, agora como passeio. A Linha Turística do Bonde completou 26 anos em 2026 e hoje percorre cerca de 5 quilômetros pelo centro histórico, passando por 40 pontos de interesse.

O embarque é na Estação do Valongo, em frente ao Museu Pelé. O bonde funciona de terça a domingo: nos dias úteis, das 11h às 17h, com saídas de hora em hora, e nos fins de semana e feriados a partir das 10h30. Em alguns dias circula também o Bonde Café, criado em parceria com o Museu do Café, com mesas e café servido a bordo durante o trajeto.
O bonde de Santos voltou às ruas em 2000 como passeio e hoje roda 5 km pelo centro histórico.
Bondes de Portugal, Itália, Escócia e Japão
Uma das graças do passeio é que nem sempre o bonde é o mesmo. O acervo da cidade tem 13 bondes, e seis deles circulam com regularidade. Há carros vindos dos Estados Unidos, de Portugal, da Itália, do Japão e da Escócia, além de bondes fabricados em Santos.

Os bondes portugueses chegaram do Porto em 2005, e os italianos, de Turim, no ano seguinte. Por dentro, muitos mantêm o teto e as paredes de madeira, os bancos de couro e o comando do motorneiro na frente. Em setembro de 2026, na festa dos 26 anos da linha, um bonde japonês restaurado voltou a circular.

O que dá para ver do bonde de Santos
O trajeto começa na Estação do Valongo, de 1867, ponto de chegada da antiga ferrovia que ligava o porto ao planalto. Colada à estação está a Igreja de Santo Antônio do Valongo, do século 18, com fachada branca e altar barroco, que pode ser visitada antes do embarque. Ao lado, num casarão do século 19, fica o Museu Pelé, com troféus e a história do jogador que fez carreira no Santos.

O bonde passa perto do Museu do Café, instalado no prédio da antiga Bolsa Oficial de Café, de 1922, com cúpula, vitrais e o salão onde se negociava o café que saía pelo porto. Outra parada é o Outeiro de Santa Catarina, considerado o marco do povoamento da cidade, onde foi erguida uma capela em 1532. Em 2009, a linha foi ampliada e passou a chegar perto do Outeiro e da estação do funicular do Monte Serrat, o que permite emendar os dois passeios. Vale reservar tempo, antes ou depois, para conhecer esses lugares com calma.
O funicular do Monte Serrat, de 1927
O Monte Serrat, com 157 metros, é o ponto mais alto de Santos. Para chegar ao topo, a forma mais charmosa é o funicular, planejado em 1910 e inaugurado em junho de 1927, depois de anos de atraso por causa da Primeira Guerra Mundial, que dificultou a importação das peças.

O sistema, de projeto alemão, tem dois carros que se movem juntos: enquanto um sobe, o outro desce. Cada um leva até 45 passageiros, e a viagem de 242 metros de trilho vence 147 metros de altura em cerca de quatro minutos. O funicular funciona todos os dias, com saídas frequentes da estação na Praça Correia de Mello, no centro histórico.
No alto do Monte Serrat
Lá em cima, o mirante tem vista de 360 graus para Santos e, em dias limpos, para partes de São Vicente, Cubatão e Guarujá. No topo fica a capela de Nossa Senhora do Monte Serrat, padroeira da cidade. Conta a tradição que, em 1614, invasores que atacavam Santos foram soterrados por um deslizamento de terra e pedras, atribuído à santa.

O prédio no alto do morro abrigou um cassino entre 1927 e 1946, quando o jogo foi proibido no país. Hoje é espaço de eventos, com cafeteria e mirante. Quem prefere subir a pé pode encarar a escadaria de 402 degraus, com 14 nichos da Via Sacra pelo caminho.
Dicas para andar no bonde de Santos
Santos fica a cerca de 70 quilômetros de São Paulo. Para aproveitar o passeio, combine o bonde com o Museu do Café e o funicular no mesmo dia: os três ficam no centro histórico, perto uns dos outros. Os fins de semana têm saídas mais cedo, e de segunda-feira o bonde não circula.
Quem gosta de trens pode continuar o roteiro em Paranapiacaba, a vila ferroviária no alto da serra, no Expresso Turístico da CPTM ou na Maria Fumaça de Campinas.
Bancos de madeira, casarões do tempo do porto e um carro vermelho subindo o morro: em Santos, o passeio pelo centro histórico é feito sobre trilhos.
Você já andou no bonde ou no funicular de Santos?





