Cunha tem campo de lavanda florido o ano todo, ateliês de cerâmica e montanha de 1.840 metros

Ilustração de um campo de lavanda florido ao lado de uma bancada com peças de cerâmica, com montanhas ao fundo, em Cunha
Ilustração gerada por inteligência artificial, com referência em fotos do Lavandário e de cerâmica de Cunha (Rosanetur / Wikimedia Commons, CC BY 2.0). Não é uma fotografia.

Cunha, no Vale do Paraíba paulista, tem 22.110 habitantes, um campo de lavanda florido o ano todo, um forno japonês de cerâmica que queima a 1.400 graus e uma montanha de 1.840 metros na divisa com o Rio de Janeiro. A cidade é a Capital Nacional da Cerâmica de Alta Temperatura, título dado por lei federal em 2022. Ali também há cachoeiras, festivais e a maior produção de pinhão do estado.

O visitante encontra ateliês de cerâmica nas ruas do centro, um parque estadual de serra com trilhas até cachoeiras e uma trilha curta até um mirante com vista para o mar. Tudo isso fica na Serra da Bocaina, na divisa com o Rio de Janeiro.

O forno japonês que trouxe a cerâmica de alta temperatura

O forno em questão se chama noborigama, palavra japonesa que junta “noboru”, subir, e “gama”, forno. As câmaras de queima são construídas em aclive, no terreno inclinado, e o fogo é alimentado por etapas, chegando a cerca de 1.400 graus. Por isso a cerâmica feita ali é chamada de cerâmica de alta temperatura.

O primeiro forno do tipo em Cunha nasceu em 1975. Segundo o blog Jacuhy, quatro ceramistas chegaram à cidade em 20 de abril daquele ano, no aniversário municipal: os japoneses Mieko e Toshiyuki Ukeseki, o português Alberto Cidraes e os irmãos Vicente e Antônio Cordeiro. Escolheram um antigo matadouro abandonado, e a primeira queima foi em dezembro de 1975.

O primeiro forno noborigama de Cunha foi montado em 1975 num antigo matadouro municipal.

A região já tinha a tradição das paneleiras, que faziam louça de uso diário com técnicas de origem indígena, como Nhá Núncia e dona Dita Paneleira. Argila, eucalipto para a lenha, feldspato e caulim para o esmalte eram fáceis de achar por ali.

Como funciona uma abertura de fornada

No fim dos anos 1980, os ceramistas Gilberto Jardineiro e Kimiko Suenaga passaram a fazer eventos de abertura de fornada. Em vez de vender por intermediários, eles abriram as portas do forno para o público ver as peças saírem, e isso atraiu compradores direto para os ateliês e ajudou a criar o turismo da cerâmica.

Um forno noborigama grande pode levar de 1.500 a 2.000 peças por queima, segundo o Sebrae. As câmaras são interligadas, e o fogo passa de uma para outra por bocas laterais. Segundo o portal O Antagonista, o Ateliê Suenaga e Jardineiro faz a queima a cada dois meses e abre a fornada ao público em datas marcadas.

Capital Nacional da Cerâmica de Alta Temperatura

A Lei federal 14.363, de 2022, deu a Cunha o título de Capital Nacional da Cerâmica de Alta Temperatura. A cidade tem mais de 20 ateliês espalhados pelo centro, com peças de autor, e a Casa do Artesão reúne ceramistas locais numa associação.

Entre os nomes conhecidos estão o Ateliê Suenaga e Jardineiro, que tem forno noborigama de quatro câmaras, e o Ateliê do Augusto e do Leí, com o maior forno noborigama da região, segundo um guia de turismo. A tradição da queima em forno japonês segue no lugar onde começou.

Mesa com vasos, xícaras e peças de cerâmica esmaltada em azul e tons de terra em um ateliê de Cunha
Cerâmica em um ateliê de Cunha. Foto: Rosanetur / Wikimedia Commons, CC BY 2.0 (recortada)

Lavandário, o campo de lavanda que virou símbolo da cidade

O Lavandário é um campo de lavanda numa propriedade rural no alto da serra, com vista panorâmica dos canteiros roxos e da paisagem da região. Segundo o blog Carpe Mundi, foi criado pela empresária Fernanda Freire, que queria “um pedaço da Provença” na própria terra, e desde 2013 é uma das principais atrações da cidade, segundo o blog Buson.

O plantio ocupa cerca de 15 campos de futebol e tem mais de 40 mil pés de lavanda, das espécies Lavandula dentata e Lavandula stoechas, escolhidas por se adaptarem ao clima local. Graças a um sistema de plantio e poda rotativo, há lavanda em flor nos 365 dias do ano, com mais de 10 mil pés floridos ao mesmo tempo. A luz da manhã e do fim de tarde realça o roxo.

O Lavandário de Cunha tem mais de 40 mil pés de lavanda, e mais de 10 mil estão sempre em flor.

No local há mirantes de madeira, demonstrações de destilação de óleo essencial e uma loja em estilo provençal. A região é de clima ameno e noites frias, o que favorece a planta.

Pôr do sol sobre as montanhas, visto de uma encosta coberta de lavanda no Lavandário, em Cunha
Pôr do sol no Lavandário, em Cunha. Foto: Giselle Camargo / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Pedra da Macela, a montanha de 1.840 metros

A Pedra da Macela fica na Serra do Mar, na divisa entre Cunha e Paraty, no Rio de Janeiro, e é o ponto mais alto da região, com 1.840 metros, segundo a Wikipédia. Em dias claros, o alto mostra Paraty, o litoral, parte da Ilha Grande e as montanhas da Serra da Mantiqueira, entre elas o Pico dos Marins.

A trilha até o topo tem cerca de 2 quilômetros e leva cerca de uma hora, com subida forte. O nome vem da macela, arbusto que cobre as encostas e dá flores amarelas entre março e maio. De maio a agosto, o vento favorece o voo livre a partir de uma rampa natural abaixo do cume. Outra pedra de vista no interior paulista é a Pedra Grande, em Atibaia.

 Picos da região da Pedra da Macela emergindo de um mar de nuvens sob céu azul
Vista da região da Pedra da Macela, com picos acima de um mar de nuvens. Foto: Rafael Defavari / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

A Pedra da Macela tem 1.840 metros e fica na divisa de São Paulo com o Rio de Janeiro.

Cachoeiras no Parque Estadual da Serra do Mar

O Núcleo Cunha do Parque Estadual da Serra do Mar tem trilhas que levam a cachoeiras, como a do Pocinho, boa para um banho depois da caminhada. O relevo acidentado favorece as quedas nos rios Bonito, Ipiranga e Paraibuna, segundo o guia de áreas protegidas do estado, e o parque é procurado para caminhadas e passeios de bicicleta.

Rio de águas calmas com uma pequena cachoeira entre morros cobertos de mata no Parque Estadual da Serra do Mar, em Cunha
Rio Paraibuna dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, em Cunha. Foto: Diego Campos / Wikimedia Commons, domínio público (recortada)

Pinhão, festivais e uma cidade de Fuscas

Cunha é a maior produtora de pinhão do estado, e o Festival do Pinhão acontece desde 2001. Em julho, o Festival de Inverno Acordes na Serra, criado em 1994, ocupa a cidade, e a Festa do Divino Espírito Santo é no terceiro domingo do mês. Segundo a Wikipédia, Cunha também tem a maior concentração de Fuscas do Brasil.

A cidade foi fundada em 19 de março de 1724, virou vila em 1785 e cidade em 1858. Viveu do ouro, do café e, hoje, do pinhão e da cerâmica. Perto dali, Bananal guarda fazendas do tempo do café. Cunha é um lugar real, com ateliês abertos, montanha, cachoeiras e festas o ano todo.

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