Santo Antônio da Alegria: Cachoeira do Baú, Serra da Lajinha e Congado no nordeste paulista

Os três morros da Serra da Lajinha, a Ilha do Ar, em Santo Antônio da Alegria, sobre campos verdes e céu com nuvens
A Serra da Lajinha, os Três Montes. Foto: Adelmo Carneti / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

No alto de três morros perto da divisa com Minas, parapentes coloridos ganham o céu e planam sobre o vale. Lá embaixo, uma cachoeira de três quedas esconde, no meio da mata, as ruínas da primeira usina de energia da cidade. Santo Antônio da Alegria é uma pequena cidade do nordeste paulista, a cerca de 345 km de São Paulo, na região de Ribeirão Preto.

Com menos de 7 mil habitantes, a cidade virou Município de Interesse Turístico em 2017 e junta natureza, voo livre, doces caseiros e festas tradicionais, como a congada e a Folia de Reis. O nome, dizem, vem justamente das muitas festas que sempre animaram o lugar.

Uma cidade que nasceu em festa

A história de Santo Antônio da Alegria começa numa fazenda que pertencia a Batatais, onde em 1860 foi erguida uma capela dedicada a Santo Antônio de Pádua. O lugar virou parada de tropeiros, que descansavam ali antes de seguir viagem, e as celebrações frequentes deram à vila o “Alegria” do nome.

Hoje a Igreja Matriz de Santo Antônio de Pádua, no centro, continua sendo o coração da cidade, com forte devoção popular.

A Cachoeira do Baú e as ruínas da usina

O principal atrativo natural de Santo Antônio da Alegria é a Cachoeira do Baú, um conjunto de três quedas d’água cercado de mata, a cerca de 5 km do centro. O acesso é fácil, mas a cachoeira fica em área particular, então vale confirmar a visita antes.

Queda d'água da Cachoeira do Baú, em Santo Antônio da Alegria, descendo sobre pedras escuras no meio da mata
A Cachoeira do Baú. Foto: Adelmo Carneti / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

No meio da vegetação ficam as ruínas da primeira usina de energia elétrica da cidade, que aproveitava a força da água. Andar entre as paredes antigas e as quedas dá ao passeio um ar de descoberta.

A Ilha do Ar e o voo livre

A cerca de 6 km do centro, a Serra da Lajinha, também chamada de Três Montes, ganhou o apelido de Ilha do Ar. Os três morros formam uma das rampas de voo livre mais procuradas da região, com saídas de parapente e asa-delta.

A serra recebe competições que atraem pilotos do Brasil e de outros países. Quem não voa pode subir para ver as decolagens e a vista panorâmica do vale, e quem quer experimentar pode procurar instrutores para um voo duplo.

Outras cachoeiras de Santo Antônio da Alegria

Além do Baú, a cidade tem outras quedas, como a Cachoeira do Deosdédi, a cerca de 4 km do centro, também em área particular, e o Córrego Fundo, com natureza preservada em volta.

Pequena queda d'água entre pedras e mata fechada na Cachoeira do Deosdédi, com o rio verde em primeiro plano
A Cachoeira do Deosdédi. Foto: Adelmo Carneti / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O Morro da Santa Cruz tem trilhas para caminhada e off-road e, todo 3 de maio, recebe a tradicional Festa de Santa Cruz.

Congada e Folia de Reis em Santo Antônio da Alegria

A cultura popular é forte na cidade. A Praça Nossa Senhora do Rosário é o palco das principais festas tradicionais, como a congada, com dança e música que terminam com a coroação na Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário, azul com detalhes brancos e anjos no alto, na praça de Santo Antônio da Alegria
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Foto: Adelmo Carneti / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Nas ruas, os ternos de congo desfilam com roupas coloridas, fitas e tambores, num dos encontros de cultura popular mais bonitos da região.

Grupo de congada com roupas coloridas e fitas dançando na rua durante a Festa de Congo de Santo Antônio da Alegria
A Festa de Congo nas ruas da cidade. Foto: Terno de Sainha Irmãos Paiva / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Em janeiro, a Festa de Santos Reis toma os bairros rurais, com refeições comunitárias e doces, e a praça recebe o encontro das companhias de Reis, que atrai visitantes de vários lugares.

Rua da Gastronomia: doces, geleias e queijos

Santo Antônio da Alegria tem tradição em doces caseiros. Na Rua da Gastronomia, pequenas fábricas vendem doces, bolachas, geleias e queijos feitos com receitas passadas de geração em geração. Entre as especialidades está a geleia de mocotó, que muita gente leva para casa.

É a parada obrigatória para quem quer levar um pedaço da cidade na sacola.

Parque Ecológico e passeios rurais

O Parque Ecológico José Jorge Felício tem lago, pista de caminhada, ciclovia, playground e quiosques, e recebe festas da cidade, como o carnaval.

Lago com palmeiras e gramado no Parque Ecológico José Jorge Felício
O Parque Ecológico José Jorge Felício. Foto: Adelmo Carneti / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Na zona rural, há passeios de quadriciclo e propriedades com cultivo de uva, morango e café. A Chácara Água Vermelha tem pequenos animais, passeio de charrete, cavalgada, represa e piscina, um programa para a família inteira.

Lhama num jardim gramado com plantas e lago na Chácara Água Vermelha
A Chácara Água Vermelha. Foto: Adelmo Carneti / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Dicas para visitar Santo Antônio da Alegria

As cachoeiras ficam em propriedades particulares, então combine a visita antes, respeite as regras de cada dono e leve o lixo de volta. Use tênis de trilha, porque as pedras perto das quedas ficam escorregadias, e evite o banho depois de chuva forte, quando a água sobe rápido.

Para o voo livre, procure instrutores credenciados e confira a previsão do vento, que decide se dá para voar no dia. E reserve espaço no carro para os doces da Rua da Gastronomia, que costumam acabar cedo nos fins de semana de movimento.

Quando ir

Os meses secos, de maio a setembro, são os melhores para voar e caminhar, com céu limpo e vento mais estável. No verão, as cachoeiras ficam mais cheias e convidam para o banho. Em janeiro, a Folia de Reis enche os bairros rurais de música, e em maio a Festa de Santa Cruz movimenta o morro.

Como chegar a Santo Antônio da Alegria

De São Paulo, o caminho é pelas rodovias Bandeirantes e Anhanguera até a região de Ribeirão Preto e, de lá, por rodovias estaduais até a cidade, num total de cerca de 345 km. Por causa da distância, o ideal é passar o fim de semana e combinar com cidades vizinhas, como Altinópolis, com grutas e cachoeiras, e Batatais, com as obras de Portinari.

Roteiro de um fim de semana

No sábado, comece pela Cachoeira do Baú pela manhã, almoce na cidade e passe a tarde na Ilha do Ar, vendo os voos e o pôr do sol. No domingo, faça um passeio rural ou caminhe no Parque Ecológico e termine na Rua da Gastronomia, com a sacola cheia de doces.

Santo Antônio da Alegria faz jus ao nome: é uma cidade pequena, de festas, cachoeiras e céu aberto para quem quer voar.

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.