Altinópolis tem cachoeira de mais de 50 metros num paredão de arenito e 42 esculturas a céu aberto

Cachoeira do Itambé, em Altinópolis, caindo alta e fina de um paredão de arenito avermelhado no meio da mata
A Cachoeira do Itambé, com mais de 50 metros de queda. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Em 1980, o escultor italiano Bassano Vaccarini escolheu uma cidadezinha no alto da serra, perto de Ribeirão Preto, para ser o seu ateliê. Ele espalhou esculturas por praças e avenidas, e Altinópolis virou um museu a céu aberto, a mais de mil metros de altitude.

Fora do centro, a paisagem é de grutas de arenito, cachoeiras que despencam de paredões avermelhados e morros de topo achatado na divisa com Minas Gerais. É um destino pouco conhecido, que junta arte e natureza num só fim de semana.

A trilha da Gruta do Itambé

O passeio de natureza mais famoso de Altinópolis começa numa trilha curta e gratuita no meio da mata. Ela passa pela boca da Gruta do Itambé, uma abertura enorme no arenito, com paredão avermelhado e cerca de 350 metros de galerias.

Grande boca da Gruta do Itambé vista de cima, com paredão de pedra avermelhada cercado de mata
A entrada da Gruta do Itambé vista do alto. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O interior da gruta, porém, está fechado à visitação desde 2021. Depois do desabamento de outra gruta da cidade, a prefeitura e a Defesa Civil interditaram todas as cavernas do município até que estudos geológicos garantam a segurança. Hoje o visitante chega até a entrada e admira a gruta de fora, o que, segundo a própria prefeitura na época, não oferece risco.

Como chegar à trilha do Itambé

O acesso é pela estrada vicinal Arlindo Vicentini, no sentido de Serrana, com cerca de 10 quilômetros de asfalto e 2 de terra. No receptivo há estacionamento e orientação, e dali sai a trilha, que tem placas e trechos com corrimão nas descidas mais íngremes. O percurso completo, ida e volta, leva de meia hora a uma hora, sem pressa. A entrada é gratuita.

Cachoeira do Itambé

Seguindo a trilha por mais uns 10 minutos depois da gruta, chega-se à grande atração aberta do passeio: a Cachoeira do Itambé, uma queda fina de mais de 50 metros que despenca de um paredão de arenito avermelhado no meio da mata. O lugar também é usado para rapel.

A trilha gratuita do Itambé, em Altinópolis, termina numa cachoeira de mais de 50 metros num paredão de arenito.

A quantidade de água muda bastante ao longo do ano. Para ver a cachoeira cheia, prefira os meses de chuva, de novembro a março. Na seca, ela pode ficar só com um fio de água.

Praça das Esculturas de Bassano Vaccarini

Nascido em Milão em 1914, Bassano Vaccarini chegou ao Brasil depois da Segunda Guerra e, em 1980, fez de Altinópolis o seu ateliê. A obra mais impressionante que deixou é a Praça das Esculturas, inaugurada em 1992 no ponto mais alto da cidade.

Grupo de esculturas de Bassano Vaccarini com figuras humanas sentadas lado a lado num gramado, em Altinópolis
Esculturas de Bassano Vaccarini na Praça das Esculturas. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

São cerca de 7 mil metros quadrados com 42 esculturas, divididas em sete grupos que falam de mulher, maternidade e família. O maior conjunto reúne 20 figuras, e a escultura O Casal, homenagem aos fundadores da cidade, tem 5 metros de altura.

Outras obras de Vaccarini em Altinópolis

As esculturas continuam pela cidade. No centro, O Beijo mostra duas figuras entrelaçadas feitas em cimento. A Praça da Conversa tem oito painéis em baixo-relevo, de cerca de 2 por 2 metros, com cenas do dia a dia, e a Praça do Trabalhador traz esculturas gigantes que representam as atividades econômicas da cidade, ao lado de um teatro de arena.

Para conhecer a vida do artista, o Museu e Casa da Cultura guarda esculturas em raízes, bronzes, pinturas e desenhos. Em 2021, a cidade tombou como patrimônio os principais conjuntos deixados por ele. Vaccarini viveu em Altinópolis até morrer, em 2002, e a cidade ainda guarda outras peças dele, como o Painel San Martinho, sobre o primeiro santo não mártir da Igreja. A 15 quilômetros do centro há também o monumento do Cristo Ressuscitado, uma grande figura vazada em madeira.

Centro de Altinópolis

A praça central, projetada em estilo francês, abriga a Igreja Matriz, de torre azul e branca, um cruzeiro e uma figueira centenária protegida por lei municipal. É um bom ponto de partida para a caminhada pelas esculturas.

Torre azul e branca da Igreja Matriz com relógio, palmeiras e flores vermelhas em primeiro plano
A Igreja Matriz, na praça central. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Morro da Mesa

A cerca de 40 quilômetros do centro, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, o Morro da Mesa tem o topo achatado que dá nome a ele e passa dos mil metros de altitude. É o lugar certo para ver o pôr do sol, com vista panorâmica da região das duas divisas.

Morro de topo achatado coberto de vegetação, com paredões de pedra e campos verdes em volta
O Morro da Mesa, perto da divisa com Minas Gerais. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Parque da Lagoa

Para um passeio tranquilo na cidade, o Parque da Lagoa tem lago, tanques de pesca esportiva, quadras e quiosques com churrasqueira. Com sorte, aparecem garças na margem.

Lago com garça na margem, gramado e palmeiras altas no Parque da Lagoa, em Altinópolis
O Parque da Lagoa. Foto: Marco Aurélio Esparz… / Panoramio, Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada)

Dicas para visitar Altinópolis

Altinópolis fica a cerca de 346 quilômetros de São Paulo e a menos de uma hora de Ribeirão Preto. Por estar no alto da serra, o clima é mais ameno que o da região. A cidade tem outras cachoeiras e grutas, como a Cachoeira do Esmeril e a da Fortaleza, além de passeios como o Morro do Forno e o Orquidário Tanda. São cerca de 20 cavernas no município, mas a maioria fica em propriedades particulares, e a do Itambé é a única aberta ao turismo. Por isso, informe-se antes sobre o acesso a qualquer outro atrativo de natureza e, se possível, vá com guia local.

Leve tênis, água e repelente para a trilha do Itambé. Dá para combinar a viagem com Ribeirão Preto e com a Casa de Portinari, em Brodowski, na mesma região.

Cachoeira no paredão, trilha na mata e esculturas espalhadas pela cidade: Altinópolis é daquelas surpresas que o interior guarda a poucas horas da capital.

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.