Fazenda de café de 1858 em SP recebe visitantes no casarão, na tulha e no pomar centenário

Construção branca de telhado vermelho com pequena capela e cruz na Fazenda Mandaguahy, diante de um gramado e de lavouras
Construções da Fazenda Mandaguahy, em Jaú, entre o gramado e as lavouras. Foto: Vladimir Benincasa / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Em Jaú, no centro do estado de São Paulo, uma fazenda de café do século 19 abre as portas para quem quer ver de perto como era a vida no tempo dos barões. A Fazenda Mandaguahy tem origem em 1858 e recebe visitantes desde 1997, de pequenos grupos de família a excursões de escolas.

A visita passa pela casa-grande, com móveis e fotografias da família, pela tulha onde o café era guardado, pela senzala, por um pequeno museu e pelo pomar, e termina com bolo e suco. É um passeio que mostra a riqueza e também o lado mais duro da época do café no interior paulista.

Varanda da casa-grande com paredes vermelhas, janelas brancas, bancos de ferro e vista para o pomar e telhados da fazenda
A varanda da casa-grande da Fazenda Mandaguahy, em Jaú. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Como é a visita à Fazenda Mandaguahy

A visita cultural dura cerca de duas horas e inclui a tulha, a casa-grande, o mini museu, a senzala e o pomar. No fim, os visitantes recebem bolo e suco. Todos os passeios precisam ser agendados com antecedência, por telefone, WhatsApp ou e-mail, e a fazenda atende tanto famílias quanto grupos maiores.

Para escolas, há também o turismo pedagógico, com programa educativo e recreativo de até quatro horas e lanche caseiro, com pão, geleia, queijo, ricota, bolo e suco natural. A fazenda oferece ainda programas especiais, como noites e fins de semana para grupos.

Durante o passeio, os visitantes podem mexer em uma máquina de café antiga e separar grãos com ferramentas usadas na época, o que torna a visita especialmente interessante para crianças.

A visita cultural à Fazenda Mandaguahy dura cerca de duas horas e precisa ser agendada com antecedência.

A casa-grande e o mini museu

A casa-grande é o destaque do passeio. O casarão, pintado de rosa, tem varanda com gradil de ferro trabalhado, janelas altas e estilo neoclássico. Por dentro, os cômodos guardam móveis de madeira, pinturas feitas à mão e fotografias antigas da família que viveu ali. A varanda, com lambrequins brancos de madeira recortada e gradil de ferro, é um dos cantos mais fotografados da fazenda.

Sala de jantar com paredes amarelas decoradas com pratos azuis e brancos, cristaleiras de madeira e piso de tábuas
Sala da casa-grande, com pratos antigos nas paredes. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O mini museu reúne objetos do dia a dia da fazenda e ajuda a entender como funcionava uma propriedade de café no século 19, da lavoura ao armazenamento dos grãos.

A história da Fazenda Mandaguahy

A história registrada da fazenda começa em 1858, quando irmãos da família Almeida Prado compraram uma grande área chamada Fazenda Pouso Alegre, em Jaú. A parte que viria a ser a Mandaguahy passou por vários membros da família ao longo dos anos seguintes.

Em 1867, a propriedade ficou com Francisco de Paula Almeida Prado, conhecido como Major Prado, que a manteve até morrer, em 1904, aos 83 anos. Ele viveu ali com a mulher, Anna Joaquina, com quem teve sete filhos, e a casa-grande guarda até hoje lembranças dessa família. Além do café, a fazenda teve cana-de-açúcar e um pequeno engenho, como mostram os inventários antigos da família.

Casa-sede rosa da Fazenda Mandaguahy vista de lado, com varanda comprida de lambrequins brancos sobre base coberta de trepadeira, gramado e árvores grandes
A casa-sede da Fazenda Mandaguahy, em Jaú. Foto: Vladimir Benincasa / Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios (UFMT) / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

A maior parte das construções que o visitante vê hoje é da segunda metade do século 19. O conjunto inclui a casa-grande, a tulha, a senzala, casas de colonos, estábulos e outras construções rurais, espalhadas entre gramados e lavouras. Entre elas estão um pequeno alambique, um lavador de café, a casa do administrador e capelas, que mostram como a fazenda funcionava quase como uma pequena vila, com moradia, trabalho e religião no mesmo lugar.

A senzala e a memória do trabalho escravizado

A riqueza da fazenda foi construída com o trabalho de pessoas escravizadas, que viviam na senzala e trabalhavam nas lavouras de café e de cana. Os inventários da época já registravam a senzala entre as construções da propriedade, e ela foi preservada.

A visita à senzala é um dos momentos mais importantes do passeio, porque mostra quem de fato sustentava a economia do café no interior paulista, e por isso faz parte do roteiro cultural e dos programas para escolas.

Construção térrea branca com arcos, portas verdes e chão de pedra, na Fazenda Mandaguahy, em Jaú
Construção com arcos no conjunto da fazenda. Foto: Vladimir Benincasa / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Tulha, pomar e trilhas

A tulha, onde o café era guardado depois da colheita, é uma das construções mais antigas e bem preservadas do conjunto. Perto dela fica o terreiro, onde os grãos eram espalhados para secar ao sol antes de seguir para o armazenamento e a venda. Perto dela ficam galpões de madeira e outras estruturas ligadas à produção.

Galpão antigo de madeira pintado de rosa e cinza, com telhado de telhas de barro e baias
Galpão de madeira da antiga fazenda de café. Foto: Vladimir Benincasa / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

A fazenda tem ainda um pomar com árvores centenárias, uma mata com nascentes, uma represa e um córrego preservado, com trilhas de cerca de 1,5 a 2 quilômetros. Para quem quer ficar mais tempo, algumas casas antigas foram adaptadas para receber grupos, com cozinhas equipadas e a simplicidade das moradias do século 19.

A Fazenda Mandaguahy tem casa-grande, tulha, senzala e pomar de árvores centenárias, com visitas desde 1997.

Dicas para visitar a Fazenda Mandaguahy

Como a visita é sempre agendada, o ideal é ligar ou mandar mensagem com antecedência e combinar o dia e o tipo de passeio. Para aproveitar melhor, vale ir com roupa confortável e calçado fechado, porque parte do roteiro é feita a pé entre as construções, o pomar e as trilhas. Nos dias de calor, as manhãs são mais agradáveis para caminhar pela fazenda.

O passeio combina bem com crianças, que costumam gostar da máquina de café antiga, das trilhas e do lanche no fim, e também com quem gosta de fotografia, por causa das cores do casarão e dos detalhes de madeira e ferro.

Jaú, a cidade dos barões do café

A visita à fazenda fica completa com um passeio pelo centro de Jaú, que oficialmente se escreve Jahu. A cidade viveu o auge do café entre o fim do século 19 e a crise de 1929, e a riqueza das fazendas virou casarões no centro. Hoje são mais de 400 construções antigas preservadas, muitas em estilo eclético, com fachadas coloridas, frontões decorados com relevos, estátuas e varandas no estilo da Belle Époque.

Fachada eclética verde e creme com relevos decorados sobre portas em arco, no centro histórico de Jaú
Casarão no centro histórico de Jaú. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O maior símbolo da cidade é a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Patrocínio, em estilo neogótico, inaugurada em 1901. A torre tem cerca de 60 metros de altura, e por dentro a igreja guarda uma grande rosácea de vitrais, pinturas das paredes feitas nos anos 1920 e um órgão encomendado na Alemanha em 1915, que foi um dos maiores do Brasil na época.

Igreja neogótica de torre alta e pontiaguda com relógio e grande rosácea na fachada, sob céu nublado
A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Patrocínio, em Jaú. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

No Parque Siqueira Campos, um monumento lembra o voo de 1927 em que o piloto João Ribeiro de Barros, nascido em Jaú, cruzou o Atlântico Sul no hidroavião batizado de Jahu. Jaú é Estância Turística do estado e também é conhecida como capital do calçado feminino. Perto dali fica Barra Bonita, com a eclusa do rio Tietê, e dá para juntar as duas cidades num fim de semana.

Outras fazendas e casarões históricos do interior paulista abertos à visitação são a fazenda que hospedou um imperador, em Jundiaí, e as fazendas de café de Bananal.

Na Fazenda Mandaguahy, a história do café aparece inteira, dos salões da casa-grande à senzala.

Você já visitou uma fazenda de café do século 19?

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