Casa de infância de Portinari em SP tem murais nas paredes, capela da avó e entrada gratuita

Interior da pequena Capela da Nonna, com paredes cobertas de murais coloridos de santos pintados por Portinari e altar ao fundo
A Capela da Nonna, no Museu Casa de Portinari, em Brodowski. Foto: Governo do Estado de São Paulo / Wikimedia Commons, CC BY 2.0 (recortada)

Em Brodowski, cidade pequena perto de Ribeirão Preto, a casa simples onde Candido Portinari passou a infância virou museu. As paredes guardam pinturas feitas pelo próprio artista, e no jardim fica uma capelinha que ele decorou para a avó. O Museu Casa de Portinari abre de terça a domingo, das 9h às 18h, com horário estendido até as 20h às quartas-feiras, e a entrada é gratuita.

Portinari é um dos pintores mais importantes do Brasil, autor dos painéis Guerra e Paz, que estão na sede da ONU, em Nova York. Em Brodowski, o visitante vê o outro lado dessa história: a casa da família, os móveis, os objetos do dia a dia e os murais com que o artista testava técnicas nas próprias paredes.

 Casa térrea amarela de janelas azuis, a Casa de Portinari, em Brodowski, com calçada e árvores
A casa onde Portinari passou a infância, hoje museu. Foto: Governo do Estado de São Paulo / Wikimedia Commons, CC BY 2.0 (recortada)

Como é a visita à Casa de Portinari

O museu ocupa a casa principal da família e os anexos construídos ao longo dos anos. Alguns cômodos foram mantidos com a função original, como a cozinha, a sala de jantar e os quartos, e outros foram adaptados para exposições.

O acervo reúne pinturas murais, desenhos, objetos pessoais, móveis e utensílios da família. Na sala de jantar, por exemplo, ficam louças antigas e uma grande fotografia da família Portinari na parede.

Sala de jantar com mesa, louças antigas protegidas por vidro e grande fotografia da família Portinari na parede
Sala com louças e foto da família no Museu Casa de Portinari. Foto: Governo do Estado de São Paulo / Wikimedia Commons, CC BY 2.0 (recortada)

A visita é tranquila, entre os cômodos e o jardim, e como a entrada é gratuita dá para voltar com calma a cada parede pintada. O museu também tem loja, que abre de terça a domingo, e recebe grupos com agendamento pelo site. Ele fica na Praça Candido Portinari, no centro de Brodowski, e funciona inclusive nos feriados, com exceção de 25 de dezembro, 1º de janeiro e dias de eleição.

O Museu Casa de Portinari, em Brodowski, abre de terça a domingo e tem entrada gratuita.

Os murais pintados nas paredes da Casa de Portinari

Foi nessa casa que Portinari fez suas primeiras experiências com pintura mural. Em 1935, ele pintou três obras a afresco nas paredes, e ao longo dos anos voltou a usar a casa como ateliê para testar as técnicas de afresco e têmpera, que depois aplicaria em obras grandes.

Pinturas murais de Portinari nas paredes brancas de um cômodo da casa, com rosto de Jesus e apóstolos
Murais pintados por Portinari nas paredes da casa. Foto: Alexandre Moreira / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Os murais mostram figuras religiosas, rostos e paisagens, como o rosto de Jesus cercado de apóstolos que aparece numa das salas, e ocupam paredes da casa principal, do anexo e da capela. São 22 pinturas murais no total. Ver essas obras no lugar onde foram pintadas, nos cômodos de uma casa simples do interior, é bem diferente de vê-las num museu grande.

A Capela da Nonna, pintada para a avó

A parte mais emocionante da visita é a Capela da Nonna, uma capelinha no jardim da casa. Portinari a pintou em 1941 para a avó, que estava doente e já não conseguia ir à igreja para assistir à missa e rezar. A capela recebeu sete murais a têmpera, com santos em cores fortes cobrindo as paredes de cima a baixo. A avó se chamava Pellegrina, e a primeira missa na capela foi celebrada em 1º de março de 1941.

O espaço é pequeno e o visitante olha de uma entrada protegida por cordão, o que ajuda a preservar as pinturas. A foto de capa deste texto mostra o interior da capela.

A Capela da Nonna foi pintada por Portinari em 1941 para a avó, que não podia mais ir à igreja.

Quem foi Candido Portinari

Portinari nasceu em 1903 numa fazenda de café perto de Brodowski, filho de imigrantes italianos vindos do Vêneto. Começou a desenhar ainda menino e, adolescente, foi para o Rio de Janeiro estudar na Escola Nacional de Belas Artes, de onde saiu para uma carreira que o levou à Europa e aos Estados Unidos. Ele pintou mais de 5 mil obras, de pequenos esboços a painéis monumentais como Guerra e Paz, doados à sede das Nações Unidas em 1956, com cerca de 14 metros de altura por 10 de largura cada um, e morreu em 1962, no Rio de Janeiro, intoxicado pelo chumbo das tintas que usou a vida toda.

Muitas de suas pinturas retratam o interior paulista da infância: lavradores, colheitas de café, retirantes e brincadeiras de criança. Os dois painéis voltaram ao Brasil em 2010 para restauro e exposições, antes de retornar a Nova York. Por isso, visitar Brodowski ajuda a entender de onde vêm as cenas mais conhecidas do pintor. A tela Café, de 1935, que mostra trabalhadores carregando sacas numa fazenda, recebeu menção honrosa numa exposição internacional em Pittsburgh, nos Estados Unidos, e ajudou a projetar o nome de Portinari fora do país.

Jardim florido com caminho de tijolos diante das casinhas amarelas do museu, com carrinho de mão com mudas
O jardim do museu, em Brodowski. Foto: Governo do Estado de São Paulo / Wikimedia Commons, CC BY 2.0 (recortada)

Casa de Portinari, museu desde 1970

A casa foi tombada pelo Iphan, o órgão federal de patrimônio, em 9 de dezembro de 1968. No ano seguinte, o governo do estado comprou o imóvel, com apoio da família do pintor e da prefeitura. O imóvel foi tombado também pelo Condephaat em janeiro de 1970, e o museu foi inaugurado em 14 de março de 1970.

Hoje o museu é da Secretaria da Cultura do estado e oferece atividades educativas ao longo do ano, com programação especial nas férias escolares, pensada para famílias e crianças.

Obras de Portinari também em Batatais

Na cidade vizinha de Batatais, a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus da Cana Verde guarda mais de 20 telas de Portinari, entre elas os 14 quadros da Via Sacra, pintados em 1952. São telas a óleo expostas no interior da igreja, e dá para juntar as duas cidades num mesmo passeio, com a manhã no museu de Brodowski e a tarde na matriz de Batatais.

Outros casarões históricos do interior paulista abertos à visitação são a fazenda que hospedou um imperador, em Jundiaí, e as fazendas de café de Bananal.

Na Casa de Portinari, aberta ao público e gratuita, as paredes ainda mostram as primeiras pinceladas de um dos maiores pintores do país.

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