São Roque tem 10 km de Roteiro do Vinho, casa bandeirista de 1681 e morro de 1.000 metros

Ilustração de um vinhedo com cachos de uva escura em primeiro plano, uma adega rústica de pedra e morros verdes ao fundo, ao pôr do sol
Ilustração gerada por inteligência artificial. Não é uma fotografia.

São Roque, a cerca de 60 quilômetros da capital paulista, é conhecida como a Terra do Vinho. A cidade tem um Roteiro do Vinho de cerca de 10 quilômetros, vinícolas de famílias de imigrantes, plantações de alcachofra, uma casa bandeirista de 1681 tombada pelo patrimônio nacional e um morro de cerca de 1.000 metros com vista para toda a região.

Foi em São Roque que aconteceu, em 1942, a primeira Festa do Vinho do Brasil, segundo o portal Informa São Roque. Hoje a cidade é Estância Turística, tem 79.484 habitantes, segundo o Censo de 2022, e fica a 771 metros de altitude.

Roteiro do Vinho de São Roque: 10 km entre vinícolas e restaurante

O Roteiro do Vinho tem cerca de 10 quilômetros e passa por três vias: a Estrada do Vinho, a Estrada dos Venâncios e a Rodovia Quintino de Lima, segundo guias de turismo da cidade. Ao longo do caminho há mais de 30 estabelecimentos, entre vinícolas, adegas, restaurantes e lojas de produtos da região. O passeio é feito de carro, parando de adega em adega.

Parreiral com cachos de uva verde pendurados em latada sobre estacas de madeira, no Roteiro do Vinho de São Roque
Parreiral no Roteiro do Vinho, em São Roque. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Entre os nomes mais conhecidos do roteiro está a Vinícola Góes, fundada em 1938 por uma família de imigrantes portugueses e hoje comandada pela terceira e quarta gerações, segundo a própria vinícola. É uma das mais tradicionais de São Roque, com passeios guiados pelos vinhedos, e todo ano faz a sua Festa da Vindima, na época da colheita da uva.

A Quinta do Olivardo nasceu em 2007 do sonho de Olivardo Saqui, que vendeu o carro e a casa para comprar um pequeno sítio na Estrada do Vinho e plantar as primeiras videiras, segundo o portal Cultuga. Com a mulher, Cíntia, filha de portugueses, criou um espaço de temática portuguesa, com adega, restaurante de culinária portuguesa e área verde.

A Vinícola Góes, uma das mais tradicionais de São Roque, foi fundada em 1938 por uma família de imigrantes portugueses.

A Vila Don Patto é um complexo de lazer e gastronomia em cerca de 320 mil metros quadrados de Mata Atlântica, segundo o próprio espaço, com adega de vinhos, restaurantes português e italiano, fábrica de massas, empório, sorveteria e playground. Outra fazenda do interior paulista que virou vinícola é a de Jundiaí, que hospedou um imperador.

A primeira Festa do Vinho do Brasil

A primeira Festa do Vinho de São Roque aconteceu em julho de 1942, no Largo dos Mendes, e foi o primeiro evento do Brasil ligado à produção e à venda da bebida, segundo o portal Informa São Roque. A ideia foi do médico Cláudio Cecil Roland e ganhou o apoio do Rotary Clube da cidade, presidido pelo então prefeito, João Gabriel Pinto da Costa.

A festa teve 37 edições entre 1942 e 1989. Não houve edição em 1943, por causa da Segunda Guerra Mundial, e a festa só foi retomada em 1952. Nos anos 1960, mudou de lugar, para o bairro do Junqueira, às margens da Rodovia Raposo Tavares, e chegou a receber de 50 mil a 100 mil pessoas por dia, o que trouxe problemas de segurança e levou ao fim do evento.

Hoje a tradição continua de outras formas. Entre janeiro e a segunda semana de fevereiro, as vinícolas fazem a festa da colheita da uva, a Vindima. Em outubro acontece a Expo São Roque, que junta o vinho e a alcachofra num só evento, com gastronomia, shows e compras.

Alcachofra, a outra estrela de São Roque

São Roque também é terra de alcachofra, planta cultivada na cidade e em municípios vizinhos, como Ibiúna e Piedade. Na primavera, antes da colheita, a planta abre uma flor roxa em forma de fios, que chama atenção nas plantações.

Plantação de alcachofra com uma carroça antiga de madeira em primeiro plano e mata ao fundo, em São Roque
Plantação de alcachofra em São Roque. Foto: Rodrigo Tetsuo Argenton / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

A alcachofra aparece nos cardápios dos restaurantes do roteiro e divide com o vinho o nome da Expo São Roque. A época da flor coincide com o evento de outubro, quando a cidade recebe mais visitantes.

Sítio Santo Antônio, a casa bandeirista de 1681

O Sítio Santo Antônio guarda uma casa grande e uma capela construídas em 1681 pelo bandeirante Fernão Paes de Barros, irmão do fundador da cidade. O conjunto foi tombado pelo Iphan, o instituto do patrimônio histórico nacional, em 1941, e é um dos exemplos mais antigos de casa bandeirista do estado.

Casa grande térrea de paredes brancas e telhado de telhas, em gramado amplo sob árvores, com morros de mata ao fundo, no Sítio Santo Antônio
A casa grande do Sítio Santo Antônio, em São Roque. Foto: Ferik80 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

A casa e a capela ficam num gramado amplo cercado de mata. Outra casa ligada ao tempo do café, no Vale do Paraíba, é a sede da Fazenda Resgate, em Bananal, com salões pintados à mão.

A casa e a capela do Sítio Santo Antônio foram construídas em 1681 e tombadas pelo Iphan em 1941.

Morro do Saboó, Recanto da Cascata e Mata da Câmara

O Morro do Saboó é o ponto mais alto de São Roque, com cerca de 1.000 metros de altitude, e fica a cerca de 10 quilômetros do centro, segundo a prefeitura. O nome vem do tupi-guarani e significa “morro pelado”, por causa da vegetação baixa e uniforme. Uma trilha de nível médio leva ao topo, com vista para toda a região, e na estrada que leva ao morro fica o Mirante do Saboó.

O Recanto da Cascata é um parque municipal de cerca de 5 hectares de Mata Atlântica, cortado pelo Rio Carambeí, que forma cascatas ao longo do terreno, segundo a prefeitura. A área foi comprada pela prefeitura nos anos 1960 e por muitos anos recebeu a Festa do Vinho e a Expo São Roque. Hoje tem jardim de flores naturais, uma trilha reaberta ao público e uma feira aos domingos, com comida, artesanato e música.

Caminho pavimentado com corrimão de madeira e bancos entre mata densa, no Recanto da Cascata, em São Roque
Recanto da Cascata, em São Roque. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Mais perto do centro fica o Parque Natural Municipal Mata da Câmara, com cerca de 130 hectares de Mata Atlântica e trilhas que somam cerca de 4,8 quilômetros. O parque faz parte da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo, reconhecida pela UNESCO em 1994.

A Igreja Matriz de São Roque e uma cidade de 1657

São Roque foi fundada em 16 de agosto de 1657 por Pedro Vaz de Barros, que, segundo guias de turismo da cidade, investiu no plantio de uvas e na produção de vinho com os moradores. A primeira capela foi erguida nas terras dele, em estilo barroco, e dedicada a São Roque.

A Igreja Matriz atual foi construída entre 1934 e 1941, segundo a prefeitura: a nave foi inaugurada em 1937, e a fachada e a torre, em 1941. Por dentro, as pinturas do teto e das paredes são dos irmãos Gentilli, e vitrais em estilo de mosaico contam a vida de São Roque. No altar fica uma relíquia do antebraço do santo, e a imagem de São Roque que ficava na fachada da igreja de 1837 hoje está no Morro do Cruzeiro.

 Interior da Igreja Matriz de São Roque, com teto e paredes pintados, arcos, vitrais coloridos, lustres e bancos de madeira
Interior da Igreja Matriz de São Roque. Foto: Sergio Luiz Jorge / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

São Roque é uma das 29 Estâncias Turísticas do estado. Entre o vinho, a alcachofra, a casa bandeirista, a matriz e o morro, é um passeio real e perto da capital, para fazer em um dia ou num fim de semana.

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