Na zona leste de Campinas, um parque público de 110 hectares ocupa as terras de uma antiga fazenda de cana e café. O Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim, mais conhecido como Parque Ecológico de Campinas, tem lagos, trilhas, gramados e paisagismo de Roberto Burle Marx, e no meio dele fica o casarão branco de janelas azuis da Fazenda Mato Dentro, construído em 1806.
A entrada é gratuita e o parque abre todos os dias, a partir das 6h. É um passeio para passar a manhã caminhando, fazer piquenique e fotografar um dos casarões rurais mais antigos da cidade.

O que fazer no Parque Ecológico de Campinas
O parque é um dos maiores espaços verdes da cidade. Tem pista de cooper e trilhas para caminhada, área de piquenique, playground, quadras esportivas e um anfiteatro. Os lagos, cercados de mata e palmeiras, são o cenário preferido para fotos e para quem quer só sentar num banco e olhar a água.
A estrutura é grande: são sete quadras poliesportivas com vestiários, campo de futebol, canchas de bocha e malha e dois estacionamentos com vagas para cerca de mil carros. Para quem pedala, há trilhas de mountain bike, uma para iniciantes, com 4,2 quilômetros, e outra de competição, com 6,2 quilômetros. A vegetação reúne espécies nativas da bacia do rio Piracicaba e outras plantas da flora brasileira, com destaque para as palmeiras.

O projeto paisagístico é de Roberto Burle Marx, o paisagista mais famoso do país, autor do desenho do calçadão de Copacabana e de jardins de prédios públicos em Brasília, e o parque ajudou a recuperar a vegetação de uma área que tinha sido usada por quase dois séculos para agricultura. A área recuperada chega a 285 hectares, dos quais cerca de 110 ficam abertos ao público. Com mais de 1 milhão de metros quadrados para andar, dá para passar horas no parque sem repetir caminho.
O Parque Ecológico de Campinas tem 110 hectares, paisagismo de Burle Marx e entrada gratuita todos os dias.
O casarão da Fazenda Mato Dentro, de 1806
O grande destaque histórico do parque é a sede da Fazenda Mato Dentro. A fazenda foi fundada em 1806 pelo tenente-coronel Joaquim Aranha Barreto de Camargo, primeiro como engenho de açúcar, e depois passou a plantar café, como quase todas as grandes fazendas da região de Campinas no século 19. Na origem, a propriedade tinha cerca de 1.515 alqueires, e Campinas era então um dos centros mais ricos do café paulista, com fazendas espalhadas por toda a região.
O casarão tem dois andares e mistura técnicas construtivas da época, com pedra e pau a pique na fundação e paredes grossas de taipa de pilão e tijolo. Por fora, chamam a atenção as janelas e portas pintadas de azul e a escadaria dupla na entrada. O conjunto histórico inclui ainda a tulha, onde o café era guardado, e uma capela, e é tombado pelo Condephaat, o órgão de patrimônio do estado.

Um aviso importante: o casarão está fechado para visitação interna há mais de três décadas e aguarda restauração. A prefeitura tem um projeto de restauro, e a ideia é que o prédio receba o Museu da Paz e um Centro de Memória da Cultura Afro-brasileira. O projeto executivo está orçado em cerca de R$ 15 milhões e ainda depende de recursos. Antes do fechamento, o casarão abrigava um museu aberto ao público. Por enquanto, o visitante vê o casarão por fora, a partir dos gramados e caminhos do parque, e mesmo assim ele rende algumas das fotos mais bonitas do passeio. Os gramados em frente à escadaria dupla são o ponto preferido para retratos, com a fachada branca e as janelas azuis ao fundo.
O casarão da Fazenda Mato Dentro foi construído em 1806 e está no meio do Parque Ecológico de Campinas.
De fazenda de café a parque público
A história da fazenda também é a história do trabalho escravizado no café. A Mato Dentro concentrou uma das maiores populações de pessoas escravizadas da região, que trabalhavam nas lavouras e na construção das estruturas da fazenda. O futuro Centro de Memória da Cultura Afro-brasileira, planejado para o casarão, pretende contar essa parte da história.

Depois da crise do café de 1929, a fazenda entrou em decadência e foi vendida. Em 1937, a área passou para o governo do estado e virou estação experimental do Instituto Biológico. No fim dos anos 1980, o estado criou ali o Parque Ecológico, que recebeu o nome do Monsenhor Emílio José Salim.
Dicas para visitar o Parque Ecológico de Campinas
O parque fica na Rodovia Heitor Penteado, na Vila Brandina, zona leste da cidade, e é um bom programa para as primeiras horas da manhã ou o fim da tarde, quando o sol ilumina a fachada branca do casarão. Como o parque é grande, dá para dividir a visita em duas partes: primeiro a caminhada pelos lagos e trilhas, depois uma pausa nos gramados perto do casarão. Vale levar água, protetor solar e, se quiser, uma toalha para o piquenique no gramado. Nos fins de semana, o parque recebe famílias, ciclistas e corredores, e durante a semana costuma ser mais tranquilo para quem quer silêncio e fotos sem gente.
O conjunto da antiga fazenda já abrigou o Museu Histórico Ambiental, e o parque continua sendo usado por escolas e grupos em programas de educação ambiental.
Outros casarões e fazendas históricas do interior paulista abertos ao público são a Casa de Portinari, em Brodowski, e a fazenda que hospedou um imperador, em Jundiaí. Em Campinas também sai a Maria Fumaça até Jaguariúna.
No Parque Ecológico de Campinas, aberto e gratuito, uma fazenda de mais de dois séculos virou área verde para a cidade inteira.
Você já conhecia o casarão da Fazenda Mato Dentro?



