Bebedouro, a antiga Terra da Laranja, guarda museu com aviões, tanques de guerra e carro de 1909

Avião bimotor prateado da FAB suspenso sobre pilares de tijolo, acima de fileiras de carros antigos, no salão do museu de Bebedouro
O Beechcraft C-45 da FAB sobre os carros antigos do museu de Bebedouro. Foto: Marco Aurélio Esparz (Panoramio) / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada)

No centro de Bebedouro, aviões de passageiros, um bombardeiro da Segunda Guerra e locomotivas a vapor ficam estacionados ao ar livre, ao lado de uma praça. Lá dentro, um galpão reúne dezenas de carros antigos, de um Humber de 1909 a modelos americanos dos anos 1950, com pequenos aviões pendurados no teto.

O museu é o mais famoso da cidade, mas não o único motivo para a visita. Bebedouro, no norte do estado, já foi conhecida como Terra da Laranja, tem uma igreja do século 19 com órgão de tubos, uma estação ferroviária que virou centro cultural e uma esquina com fama de pecado.

Bebedouro, a Terra da Laranja

Bebedouro nasceu em 1884 como povoado de São João Batista de Bebedouro. O nome vem de um córrego onde os tropeiros paravam para dar água aos animais. A cidade fica a cerca de 380 quilômetros de São Paulo, perto de Jaboticabal e de Barretos.

Praça arborizada com chafariz, ponte de pedra e a torre alta da igreja matriz ao fundo, sob céu azul
A Praça Barão de Rio Branco, com o chafariz e a torre da Matriz. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Quando o ciclo do café acabou, os laranjais tomaram o lugar dos cafezais, e Bebedouro virou a Terra da Laranja. Nos anos 1970 e 1980, a riqueza dos pomares e das fábricas de suco rendeu à região o apelido de Califórnia Brasileira. Na Praça Barão de Rio Branco, um monumento em forma de laranja, o chafariz e a Concha Acústica, palco dos shows da cidade, lembram essa época.

O museu de aviões, tanques e carros de Bebedouro

O Museu Eduardo André Matarazzo de Armas, Veículos e Máquinas, hoje chamado de Museu de Bebedouro, reúne cerca de 300 peças da coleção do empresário que lhe dá nome. São cerca de 90 automóveis, 19 aviões, motocicletas, máquinas agrícolas e dezenas de peças militares, além de objetos antigos.

Depois de 48 anos funcionando sob a família Matarazzo, o museu teve as atividades encerradas em 2016. Depois de uma reforma, ele foi reaberto em maio de 2017, com a gestão dividida entre a prefeitura e um clube de carros antigos da cidade. Parte do acervo exposto ao ar livre, principalmente os aviões, sofre com o tempo e precisa de restauro.

O museu de Bebedouro tem cerca de 90 carros antigos, 19 aviões e dezenas de peças militares.

Carros de 1909 aos anos 1950

O galpão principal é um passeio pela história do automóvel. O destaque é o Humber Limited de 1909, carro britânico aberto, com rodas raiadas e faróis de latão. Perto dele aparecem um Delahaye francês de 1912, um Volvo 444 de 1957, Lincoln Continental dos anos 1940 e 1950, Cadillacs e dezenas de modelos americanos coloridos.

Carro Humber de 1909 com rodas raiadas no museu de Bebedouro, ao lado de um conversível vermelho
O Humber Limited de 1909, ao lado de um Austin Healey de 1958. Foto: Marco Aurélio Esparz (Panoramio) / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada)

No mesmo salão, pequenos aviões de treinamento, como o Fairchild PT-19, ficam pendurados no teto, sobre as fileiras de carros. O mais impressionante é um Beechcraft C-45 da FAB, bimotor prateado erguido sobre pilares de tijolo, que foi usado no transporte de militares até a década de 1970, quando a Força Aérea passou a usar os Bandeirantes da Embraer. Um escafandro antigo, torpedos e peças náuticas completam a coleção.

Aviões, tanques e locomotivas no pátio

Do lado de fora, o pátio parece um aeroporto parado no tempo. Ali estão um bombardeiro North American B-25 Mitchell, que serviu na Força Aérea Brasileira, um helicóptero Westland-Sikorsky de 1946, aviões comerciais da antiga VASP e o Douglas DC-6, apontado como o único quadrimotor desse tipo preservado no Brasil.

Avião quadrimotor prateado da VASP no pátio do museu, com um canhão e uma motoniveladora amarela em frente
O Douglas DC-6 da VASP, um canhão M24 e uma motoniveladora de 1948. Foto: Marco Aurélio Esparz (Panoramio) / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada)

Outra raridade é o SAAB Scandia, avião sueco de passageiros do qual só resta este exemplar no mundo. O pátio guarda ainda canhões, um trator-motoniveladora de 1948 e duas pequenas locomotivas a vapor, uma inglesa de 1890 e uma francesa de 1912.

Estação Cultura e o Museu do Ferroviário

A antiga estação da Companhia Paulista, por onde os trens de passageiros passaram até 2001, virou a Estação Cultura. O prédio conserva a plataforma com cobertura de ferro e recebe exposições, oficinas e apresentações ao longo do ano.

Plataforma da antiga estação ferroviária de Bebedouro, hoje Estação Cultura, com cobertura de ferro e trilhos
A antiga estação, hoje Estação Cultura. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada

A memória da ferrovia também está no Museu do Ferroviário, um dos mais visitados da cidade, com objetos que contam como os trilhos ajudaram Bebedouro a crescer.

A igreja com órgão de tubos

A Igreja de São João Batista, do século 19, preserva a arquitetura e a decoração da época, com colunas e paredes pintadas em dourado e vermelho. Um dos destaques é o órgão de tubos, de um modelo raro no país.

Interior da Igreja de São João Batista, com colunas e paredes decoradas em dourado e vermelho e o altar ao fundo
O interior da Igreja de São João Batista. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada

A Esquina do Pecado e o teatro de Bebedouro

Ao lado do Teatro Municipal fica a esquina conhecida como Esquina do Pecado, onde funciona a Cafeteria Rio Branco, ponto de encontro tradicional da cidade. É o lugar de tomar um café depois de um espetáculo ou de uma volta pelo centro.

Duas xícaras de cappuccino com desenho na espuma sobre uma mesa de madeira na Cafeteria Rio Branco
Cappuccino na Cafeteria Rio Branco, na Esquina do Pecado. Foto: Alf Ribeiro / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Dicas para visitar Bebedouro

O museu fica na Praça Santos Dumont, no centro, e abre de quinta a domingo, das 9h às 16h30, segundo a listagem mais recente. Como os horários já mudaram algumas vezes, confirme antes de ir. A Região do Lago, perto do museu, concentra parques e o lago artificial, e o Parque Ecológico tem 8 hectares de mata. A cidade também tem um aeroclube conhecido pelo voo a vela, com planadores.

Para completar o roteiro pelo norte do estado, a vizinha Jaboticabal tem o Palacete da Turca, e Ribeirão Preto fica a pouca distância. Quem gosta de trens pode seguir até o museu ferroviário de Bauru.

Um carro de 1909, um avião que só existe ali e um cappuccino na esquina mais falada da cidade: Bebedouro rende um dia inteiro de descobertas.

Você sabia que um museu do interior de SP guarda aviões e tanques de guerra?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.