No centro de Bebedouro, aviões de passageiros, um bombardeiro da Segunda Guerra e locomotivas a vapor ficam estacionados ao ar livre, ao lado de uma praça. Lá dentro, um galpão reúne dezenas de carros antigos, de um Humber de 1909 a modelos americanos dos anos 1950, com pequenos aviões pendurados no teto.
O museu é o mais famoso da cidade, mas não o único motivo para a visita. Bebedouro, no norte do estado, já foi conhecida como Terra da Laranja, tem uma igreja do século 19 com órgão de tubos, uma estação ferroviária que virou centro cultural e uma esquina com fama de pecado.
Bebedouro, a Terra da Laranja
Bebedouro nasceu em 1884 como povoado de São João Batista de Bebedouro. O nome vem de um córrego onde os tropeiros paravam para dar água aos animais. A cidade fica a cerca de 380 quilômetros de São Paulo, perto de Jaboticabal e de Barretos.

Quando o ciclo do café acabou, os laranjais tomaram o lugar dos cafezais, e Bebedouro virou a Terra da Laranja. Nos anos 1970 e 1980, a riqueza dos pomares e das fábricas de suco rendeu à região o apelido de Califórnia Brasileira. Na Praça Barão de Rio Branco, um monumento em forma de laranja, o chafariz e a Concha Acústica, palco dos shows da cidade, lembram essa época.
O museu de aviões, tanques e carros de Bebedouro
O Museu Eduardo André Matarazzo de Armas, Veículos e Máquinas, hoje chamado de Museu de Bebedouro, reúne cerca de 300 peças da coleção do empresário que lhe dá nome. São cerca de 90 automóveis, 19 aviões, motocicletas, máquinas agrícolas e dezenas de peças militares, além de objetos antigos.
Depois de 48 anos funcionando sob a família Matarazzo, o museu teve as atividades encerradas em 2016. Depois de uma reforma, ele foi reaberto em maio de 2017, com a gestão dividida entre a prefeitura e um clube de carros antigos da cidade. Parte do acervo exposto ao ar livre, principalmente os aviões, sofre com o tempo e precisa de restauro.
O museu de Bebedouro tem cerca de 90 carros antigos, 19 aviões e dezenas de peças militares.
Carros de 1909 aos anos 1950
O galpão principal é um passeio pela história do automóvel. O destaque é o Humber Limited de 1909, carro britânico aberto, com rodas raiadas e faróis de latão. Perto dele aparecem um Delahaye francês de 1912, um Volvo 444 de 1957, Lincoln Continental dos anos 1940 e 1950, Cadillacs e dezenas de modelos americanos coloridos.

No mesmo salão, pequenos aviões de treinamento, como o Fairchild PT-19, ficam pendurados no teto, sobre as fileiras de carros. O mais impressionante é um Beechcraft C-45 da FAB, bimotor prateado erguido sobre pilares de tijolo, que foi usado no transporte de militares até a década de 1970, quando a Força Aérea passou a usar os Bandeirantes da Embraer. Um escafandro antigo, torpedos e peças náuticas completam a coleção.
Aviões, tanques e locomotivas no pátio
Do lado de fora, o pátio parece um aeroporto parado no tempo. Ali estão um bombardeiro North American B-25 Mitchell, que serviu na Força Aérea Brasileira, um helicóptero Westland-Sikorsky de 1946, aviões comerciais da antiga VASP e o Douglas DC-6, apontado como o único quadrimotor desse tipo preservado no Brasil.

Outra raridade é o SAAB Scandia, avião sueco de passageiros do qual só resta este exemplar no mundo. O pátio guarda ainda canhões, um trator-motoniveladora de 1948 e duas pequenas locomotivas a vapor, uma inglesa de 1890 e uma francesa de 1912.
Estação Cultura e o Museu do Ferroviário
A antiga estação da Companhia Paulista, por onde os trens de passageiros passaram até 2001, virou a Estação Cultura. O prédio conserva a plataforma com cobertura de ferro e recebe exposições, oficinas e apresentações ao longo do ano.

A memória da ferrovia também está no Museu do Ferroviário, um dos mais visitados da cidade, com objetos que contam como os trilhos ajudaram Bebedouro a crescer.
A igreja com órgão de tubos
A Igreja de São João Batista, do século 19, preserva a arquitetura e a decoração da época, com colunas e paredes pintadas em dourado e vermelho. Um dos destaques é o órgão de tubos, de um modelo raro no país.

A Esquina do Pecado e o teatro de Bebedouro
Ao lado do Teatro Municipal fica a esquina conhecida como Esquina do Pecado, onde funciona a Cafeteria Rio Branco, ponto de encontro tradicional da cidade. É o lugar de tomar um café depois de um espetáculo ou de uma volta pelo centro.

Dicas para visitar Bebedouro
O museu fica na Praça Santos Dumont, no centro, e abre de quinta a domingo, das 9h às 16h30, segundo a listagem mais recente. Como os horários já mudaram algumas vezes, confirme antes de ir. A Região do Lago, perto do museu, concentra parques e o lago artificial, e o Parque Ecológico tem 8 hectares de mata. A cidade também tem um aeroclube conhecido pelo voo a vela, com planadores.
Para completar o roteiro pelo norte do estado, a vizinha Jaboticabal tem o Palacete da Turca, e Ribeirão Preto fica a pouca distância. Quem gosta de trens pode seguir até o museu ferroviário de Bauru.
Um carro de 1909, um avião que só existe ali e um cappuccino na esquina mais falada da cidade: Bebedouro rende um dia inteiro de descobertas.
Você sabia que um museu do interior de SP guarda aviões e tanques de guerra?





