Jaboticabal, a Cidade das Rosas, tem palacete cor-de-rosa de cinco andares que virou museu e catedral com projeto italiano

Palacete cor-de-rosa de vários andares com colunas e arcadas, cercado de palmeiras, em Jaboticabal
O Palacete da Turca, sede do Museu Histórico de Jaboticabal. Foto: Marco Aurelio Esparz (Panoramio) / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada)

No centro de Jaboticabal, um palacete cor-de-rosa de cinco andares, com colunas e arcadas em todos os pisos, chama a atenção de quem passa. Os moradores o chamam de Palacete da Turca, e lá dentro funciona o museu que conta a história da cidade, com mais de mil peças, de canoas indígenas a um carro fabricado ali mesmo nos anos 1950.

A poucas quadras ficam uma catedral com planta trazida da Itália, uma pinacoteca numa antiga igreja de formato curioso e um bosque de Mata Atlântica nativa no meio da cidade. Tudo isso em praças e jardins cheios de roseiras, que deram a Jaboticabal o apelido de Cidade das Rosas.

Jaboticabal, a Cidade das Rosas

Jaboticabal fica no norte do estado, perto de Ribeirão Preto, a cerca de 350 quilômetros de São Paulo. A data oficial de fundação é 16 de julho de 1828, e o nome junta a jabuticaba, fruta que dava em abundância na região, ao sufixo “al”, de lugar onde algo existe em quantidade.

O apelido de Cidade das Rosas vem das roseiras que enfeitam praças e canteiros do centro. A cidade também é conhecida pelo amendoim, cultura que move a economia local e ganha uma feira própria todo mês de agosto, com direito a concurso de paçoca.

O Palacete da Turca virou museu

O palacete foi erguido nos anos 1920 pela imigrante síria Azizi Abcalil, como residência da família. São cinco andares com varandas em arco e colunas em todos os pisos. A obra ficou parada por décadas, e o casarão chegou a ser visto pelos moradores como um lugar abandonado e misterioso, até ganhar uma nova função.

Desde 1979, o palacete abriga o Museu Histórico Aloísio de Almeida, criado em 1965 para guardar a memória de Jaboticabal. O acervo reúne cerca de 1.300 peças, entre artefatos arqueológicos e indígenas, objetos do dia a dia, fotografias, moedas e obras de arte.

Sala do Museu Histórico de Jaboticabal com uma canoa indígena de madeira no chão e objetos antigos nas paredes
A sala indígena do museu, com uma piroga. Foto: Marco Aurelio Esparz (Panoramio) / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada)

Na sala dedicada aos povos indígenas, o destaque é uma piroga, canoa escavada num tronco inteiro. Outras salas mostram placas da antiga ferrovia, mapas do município e coleções de selos.

O Palacete da Turca, de cinco andares, foi erguido por uma imigrante síria nos anos 1920 e hoje guarda o museu de Jaboticabal.

O carro que foi feito em Jaboticabal

Uma das peças mais curiosas do museu é um recorte de jornal emoldurado com a manchete “De Joagar… se vai mais longe”. Ele conta a história do Joagar, nome formado por Joaquim Garcia, um morador de Jaboticabal que, nos anos 1950, construiu os próprios carros, com motor projetado por ele mesmo.

Recorte de jornal antigo emoldurado com a manchete De Joagar se vai mais longe e a foto de uma caminhonete
A notícia do Joagar exposta no museu. Foto: Marco Aurelio Esparz (Panoramio) / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada)

Foram poucos protótipos, entre eles um pequeno conversível de dois lugares e uma perua com carroceria que lembrava os carros americanos da época. Dos modelos feitos por ele, só a perua chegou aos dias de hoje. O jornal da época chegou a chamar Jaboticabal de futura “Detroit do Brasil”.

A Catedral Nossa Senhora do Carmo

Considerada o marco zero da cidade, a Catedral Nossa Senhora do Carmo foi construída para substituir a antiga matriz. A planta veio da Itália, e a igreja foi inaugurada em julho de 1926. Três anos depois, com a criação da diocese, virou catedral.

Fachada clara da Catedral Nossa Senhora do Carmo, com torre de relógio e pináculo, sob céu nublado
A Catedral Nossa Senhora do Carmo, marco zero da cidade. Foto: Ricardo / Wikimedia Commons, domínio público (recortada)

Por dentro, há pinturas e esculturas, além dos túmulos dos dois primeiros bispos de Jaboticabal. O Coral Mater Dei, da catedral, canta na missa de sábado às 18h e apresenta cantatas no fim do ano. A festa da padroeira é em 16 de julho, mesmo dia do aniversário da cidade.

Pinacoteca, São Benedito e outras igrejas

Jaboticabal tem outras igrejas que valem a parada. A de São Benedito, toda branca, chama a atenção pelas duas torres e pelas cúpulas. A Igreja Nossa Senhora Aparecida guarda o título de primeira capela construída no município.

A Pinacoteca Charny Leite Bueno Sobrinho ocupa a antiga Igreja de São Judas Tadeu, um prédio moderno em forma de arco, com uma grande cruz no alto. No centro histórico ainda estão o Cine Teatro Municipal Manoel Marques de Mello e a Capela São José, conhecida pela ótima acústica.

Prédio em forma de arco com uma grande cruz branca no alto, onde funciona a Pinacoteca de Jaboticabal
A Pinacoteca, na antiga Igreja de São Judas Tadeu. Foto: Marco Aurelio Esparz (Panoramio) / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada)

Esplanada dos Lagos e o bosque de mata nativa

O ponto de encontro da cidade é a Esplanada dos Lagos Carlos Rodrigues Serra, com mais de 16 mil metros quadrados em volta da água. Tem pista de caminhada com aparelhos de ginástica e placas que ensinam os exercícios, e é o lugar de passear e fazer piquenique nos fins de semana.

Lago de água calma refletindo árvores e palmeiras na Esplanada dos Lagos, em Jaboticabal
A Esplanada dos Lagos. Foto: Mateus Tomé / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada)

Ao lado fica o Bosque Francisco Buck, com mais de 70 mil metros quadrados de Mata Atlântica nativa preservada, com árvores e plantas típicas da região. Poucas cidades brasileiras têm uma área assim de mata nativa intocada dentro do perímetro urbano. A cidade tem ainda um Jardim Botânico com plantas exóticas.

Festa do Quitute e a Estação Cora Coralina

O evento mais tradicional de Jaboticabal é a Festa do Quitute, em julho, perto do aniversário da cidade. As barracas de comida são tocadas por entidades assistenciais, clubes de serviço e grupos religiosos, que arrecadam recursos para seus projetos. Junto acontece a Expo-Feira de Arte e Artesanato.

Antigo armazém ferroviário com telhado de zinco e palmeiras na entrada da Estação de Eventos Cora Coralina
A Estação de Eventos Cora Coralina, antigo armazém da ferrovia. Foto: Marco Aurelio Esparz (Panoramio) / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada)

A festa acontece na Estação de Eventos Cora Coralina, um antigo armazém da ferrovia. O nome homenageia a poeta goiana, que se mudou para Jaboticabal em 1911 e, por aqui, ficou conhecida pelos doces que fazia, muito antes de publicar o primeiro livro.

Athenas Paulista

Jaboticabal também é chamada de Athenas Paulista, por causa das pesquisas do campus da Unesp, dedicado às ciências agrárias e veterinárias. O prédio histórico do campus fica no alto de um gramado, e na entrada da cidade um monumento lembra o apelido.

A cidade guarda ainda a marca da imigração japonesa, com uma associação nipo-brasileira e um monumento em homenagem aos imigrantes, numa praça arborizada.

Dicas para visitar Jaboticabal

Jaboticabal fica a cerca de 350 quilômetros de São Paulo, na região de Ribeirão Preto. O centro, com o palacete, a catedral e a pinacoteca, se percorre a pé numa manhã. Os meses de abril a setembro, mais secos e menos quentes, são os mais agradáveis para passear, e julho tem a Festa do Quitute.

Para fechar o roteiro pela região, Ribeirão Preto e a Casa de Portinari, em Brodowski, ficam a pouca distância.

Um palacete cor-de-rosa com história de imigrante, um carro feito no quintal e roseiras em cada praça: Jaboticabal surpreende quem passa por ela a caminho de outro lugar.

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.