Indaiatuba guarda a locomotiva comprada por Dom Pedro II num museu ferroviário gratuito

Fachada creme da antiga estação ferroviária de Indaiatuba, hoje Museu Ferroviário, com janelas em arco e bandeiras na entrada
A antiga estação de Indaiatuba, hoje Museu Ferroviário. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Em 1874, uma fábrica dos Estados Unidos terminou uma pequena locomotiva a vapor batizada de “America”. Pouco depois, ela foi comprada por Dom Pedro II, ganhou o nome do imperador e passou a puxar trens entre Jundiaí e Itu. Mais de 150 anos depois, a máquina continua inteira e pode ser vista de graça em Indaiatuba.

A cidade, a cerca de 90 quilômetros de São Paulo, guarda essa relíquia na antiga estação de trem, hoje Museu Ferroviário. E tem ainda um parque de 15 quilômetros de extensão, um casarão de taipa do começo do século 19 e um bosque cheio de borboletas e beija-flores.

Museu Ferroviário de Indaiatuba, na antiga estação

O Museu Ferroviário ocupa o conjunto da antiga estação de Indaiatuba, com prédios do fim do século 19 e do começo do século 20. Por ali passava a Estrada de Ferro Ytuana, a ferrovia que ligava Jundiaí a Itu e que depois foi incorporada pela Sorocabana.

Sala do Museu Ferroviário de Indaiatuba com fotos antigas de trens nas paredes, lampiões, quepes e um boneco de ferroviário
Parte do acervo do Museu Ferroviário. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O acervo reúne centenas de objetos ligados aos trilhos, como lampiões, quepes, peças usadas pelos ferroviários e fotos antigas de estações e locomotivas. É um museu pequeno, de visita rápida, ótimo para quem viaja com crianças. A entrada é gratuita, e o museu fica na Praça Newton Prado, no centro.

A Locomotiva nº 10, a “D. Pedro II”

A estrela do museu fica do lado de fora, protegida por uma cobertura. A Locomotiva nº 10 foi fabricada em 1874 pela Baldwin, uma das maiores fábricas de locomotivas dos Estados Unidos, e chegou ao Brasil comprada pelo próprio Dom Pedro II.

Frente da Locomotiva nº 10, de 1874, com a placa do número 10 e duas bandeirinhas do Brasil, exposta em Indaiatuba
A Locomotiva nº 10, fabricada em 1874. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Ela saiu da fábrica com o nome “America”, mas aqui foi rebatizada de “D. Pedro II” e passou a rodar na Ytuana. A máquina é considerada a locomotiva a vapor americana mais antiga do país em condições de funcionar. Foi restaurada em 2002 e de novo em 2021, e hoje brilha com a placa do número 10 na frente.

A Locomotiva nº 10, de 1874, foi comprada por Dom Pedro II e está exposta de graça no Museu Ferroviário de Indaiatuba.

Indaiatuba e a ferrovia de Itu

A Ytuana nasceu da vontade dos fazendeiros de café de Itu de levar a produção até os trilhos que chegavam a Jundiaí. Indaiatuba ficou no meio do caminho e ganhou a sua estação. Quem gosta do tema pode completar a viagem em Itu e Salto, onde o Trem Republicano ainda faz passeios turísticos, e conhecer outras paradas na nossa lista de estações históricas do interior de SP.

Parque Ecológico, com 15 km de extensão

Depois do museu, o passeio continua ao ar livre. O Parque Ecológico de Indaiatuba acompanha o Córrego Barnabé por 15 quilômetros e corta boa parte da cidade, com pistas de caminhada e corrida, ciclovia, bosques e lagos.

Menino de capacete andando de bicicleta numa calçada do Parque Ecológico de Indaiatuba, com pedalinhos de cisne no lago ao fundo
O Parque Ecológico, com 15 km de extensão. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Há pedalinhos no lago, pista de bicicross, quadras, concha acústica para shows e até uma raia de remo. Para as crianças, o Parque da Criança tem toboáguas e tirolesa gratuitos. A entrada no parque é livre, e de bicicleta dá para percorrer um trecho bem maior.

Casarão Pau Preto, de taipa do século 19

Um dos cartões-postais de Indaiatuba é o Casarão Pau Preto, uma antiga sede rural do começo do século 19 erguida em taipa de pilão e taipa de mão, técnicas de terra socada usadas nas construções coloniais. O casarão é tombado e abriga a Fundação Pró-Memória e o Museu Municipal Antônio Reginaldo Geiss.

Carroças e charretes antigas de rodas vermelhas expostas sob um galpão, com bambus ao fundo, no Casarão Pau Preto
Veículos antigos expostos no Casarão Pau Preto. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O museu conta a história da cidade e da sua ligação com o ciclo do café, com objetos da vida doméstica, do trabalho no campo e veículos antigos, como charretes e carroças. Em volta, um bosque com mais de cem árvores tem como destaque um jatobá de cerca de 150 anos. A entrada é gratuita.

Bosque do Saber, borboletas e beija-flores

Para fechar o dia com as crianças, o Bosque do Saber é uma escola ambiental da rede municipal que abre para o público nos fins de semana e feriados. O espaço tem orquidário, jardim das borboletas, jardim dos beija-flores, horta orgânica, viveiro de mudas, playground e área de piquenique.

Pontezinha de madeira sobre um riacho no meio da mata do Bosque do Saber, com o lago e o gramado ao fundo
Trilha no Bosque do Saber. Foto: Paulo Li / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

Uma trilha de cerca de 500 metros atravessa a mata nativa, com pontezinhas de madeira sobre o riacho. É um passeio curto, gratuito e cheio de coisas para mostrar aos pequenos.

Colônia Helvetia, um pedaço da Suíça em Indaiatuba

Na zona rural de Indaiatuba fica a Colônia Helvetia, fundada em 14 de julho de 1888 por quatro famílias vindas do cantão de Obwalden, na Suíça: Ambiel, Amstalden, Bannwart e Wolf. Elas trabalharam nas fazendas de café da região, juntaram dinheiro e compraram as próprias terras.

Para manter a comunidade unida, os colonos criaram três sociedades, a da igreja, a da escola e a de tiro ao alvo, que funcionam até hoje. A colônia recebe visitantes em passeios guiados, com dança folclórica e pratos típicos suíços, e faz a tradicional Festa da Tradição. Vale combinar a visita com antecedência.

Dicas para visitar Indaiatuba

Indaiatuba fica a cerca de 90 quilômetros de São Paulo, na região de Campinas, com acesso pela Rodovia Santos Dumont (SP-75). A cidade é plana e arborizada, boa para andar de bicicleta.

Um roteiro de um dia: Museu Ferroviário e centro pela manhã, almoço, Casarão Pau Preto no começo da tarde e Parque Ecológico ou Bosque do Saber no fim do dia. Como os horários do museu e do casarão mudam nos fins de semana e feriados, vale conferir antes de sair de casa.

Uma locomotiva comprada por um imperador, um casarão de terra socada e um parque que atravessa a cidade: Indaiatuba é daquelas paradas que fazem o caminho valer a pena.

Você sabia que a locomotiva de Dom Pedro II está pertinho de São Paulo?

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Juliana R.

Juliana R. é formada em Turismo e trabalhou por mais de 15 anos com consultoria de viagens, montando roteiros nacionais e internacionais. No Sal Viral, escreve sobre passeios, cidades históricas, cachoeiras, fazendas e trens do interior de São Paulo, com informações conferidas antes de cada publicação.