Desde agosto de 2026, Sorocaba tem um passeio de trem regular todo fim de semana. O Trem dos Operários sai do centro da cidade e percorre o antigo caminho dos trabalhadores das fábricas têxteis, até a região onde funcionava a Fábrica Santa Maria, de 1892, que hoje abriga um museu da tecelagem.
O passeio é mantido por voluntários de uma associação de preservação ferroviária e leva cerca de uma hora e meia, com a visita ao museu. Para completar o dia, a cidade tem um museu ferroviário gratuito e uma estação de 1875 com uma das fachadas mais bonitas do interior paulista.
Como funciona o Trem dos Operários
O embarque é na Estação Paula Souza, na rua de mesmo nome, no centro de Sorocaba. O trem sai aos sábados às 10h30 e às 14h e aos domingos às 10h30. Como o percurso é curto e o trem é pequeno, o passeio funciona bem para famílias com crianças, que costumam ser as mais animadas a bordo. Sorocaba fica a cerca de 100 quilômetros da capital, e dá para fazer o passeio num bate-volta de fim de semana. O trajeto tem cerca de 4 quilômetros, somando ida e volta, até o local da antiga Estação Vila Assis.
As passagens são vendidas pela internet, no site do Movimento de Preservação Ferroviária Sorocabana e em plataforma de ingressos, e crianças pequenas no colo não pagam. Como o trem é pequeno e o passeio é novo, vale comprar com antecedência. O dinheiro das passagens é usado nos projetos de preservação ferroviária da associação.
Antes de entrar em operação regular, o trem fez viagens especiais em agosto, mês do aniversário de Sorocaba, comemorado em 15 de agosto, incluindo um passeio gratuito com inscrição prévia.
O Trem dos Operários sai da Estação Paula Souza, em Sorocaba, aos sábados às 10h30 e 14h e aos domingos às 10h30.
O caminho do Trem dos Operários
O nome do passeio vem da história do trecho. Os trilhos pertenciam à Estrada de Ferro Votorantim, de 1890, que por décadas levou os trabalhadores das fábricas têxteis da região. O transporte dos operários por bonde funcionou até 22 de agosto de 1966. O passeio turístico começou a rodar regularmente em 22 de agosto de 2026, exatamente 60 anos depois.
Sorocaba ganhou o apelido de Manchester Paulista, em referência à cidade industrial inglesa, pela quantidade de fábricas de tecidos que teve entre o fim do século 19 e o século 20. O trem é uma forma de contar essa história a bordo.
Duas locomotivas se revezam no passeio: uma diesel-elétrica da General Electric, de 47 toneladas, fabricada em 1948, e a histórica locomotiva 58, de 1891, um dos maiores símbolos do passado ferroviário da cidade. A associação também restaura carros de passageiros antigos da Estrada de Ferro Sorocabana, dos anos 1930, para usar no trem. A associação planeja, no futuro, ampliar o trajeto até a região da antiga fábrica da Votorantim, chegando a cerca de 8 quilômetros de linha.

O Museu da Tecelagem na Fábrica Santa Maria
O passeio inclui visita guiada ao Museu da Tecelagem, na Vila Hortência, instalado no que restou da antiga Companhia de Fiação e Tecidos Santa Maria, fundada em 1892. A fábrica funcionou até 1982, e o museu é mantido em parceria com o Instituto Cleusa Prado.
A visita ao museu é guiada, e o grupo chega e volta de trem, o que transforma o passeio num programa completo de uma hora e meia. Ali o visitante conhece como era o trabalho nas tecelagens que fizeram a fama industrial de Sorocaba, e entende por que o trem ganhou o nome de Trem dos Operários.
O Trem dos Operários inclui visita ao Museu da Tecelagem, na antiga Fábrica Santa Maria, fundada em 1892.
O Museu da Estrada de Ferro Sorocabana
Quem gosta de trem pode completar o dia no Museu da Estrada de Ferro Sorocabana, no Jardim Maylasky, no centro. O museu foi criado em 1997, numa parceria entre a antiga Fepasa, a prefeitura e órgãos de patrimônio do estado, e reúne objetos, documentos e peças ligadas à ferrovia que nasceu em Sorocaba.

O museu funciona de terça a sexta, e a prefeitura promove visitas mediadas e programação especial, como visitas com intérprete de Libras e audiodescrição. Como os horários de fim de semana variam, o ideal é confirmar antes de ir.
A Estrada de Ferro Sorocabana foi criada no século 19 para levar o algodão de Sorocaba até São Paulo pelo caminho mais curto, e o bairro do museu leva o nome de Luís Matheus Maylasky, um dos fundadores da ferrovia. Com o tempo, a Sorocabana virou uma das maiores ferrovias do estado, com linhas que avançaram para o oeste paulista, e seus trilhos ainda cortam a paisagem de várias cidades da região.

A estação de 1875, para ver por fora
No centro também fica a Estação Ferroviária de Sorocaba, inaugurada em 10 de julho de 1875. Ela foi o primeiro prédio de tijolos da cidade e ganhou, nos anos 1920, a fachada eclética que aparece na foto abaixo, com colunas, ornamentos e uma marquise de ferro e vidro.

O prédio é tombado pelo patrimônio municipal desde 2003, mas está sem uso desde 2012 e fechado à visitação, à espera de restauro. Por enquanto, a estação é para admirar por fora, e a fachada rende boas fotos.

Na cidade também há locomotivas antigas expostas ao ar livre, como a da sede do jornal Cruzeiro do Sul, lembranças do tempo em que Sorocaba era um dos grandes centros ferroviários do estado.
Outros passeios de trem no interior paulista são a Maria Fumaça entre Campinas e Jaguariúna e o Expresso Turístico da CPTM, que sai da capital.
O Trem dos Operários roda todo fim de semana e devolve aos trilhos de Sorocaba a história de quem movia as fábricas da cidade.
Você faria o passeio no Trem dos Operários?





