Itu tem orelhão gigante, bar de 1902 famoso pela parmegiana e museu com 13 aviões históricos

Orelhão gigante roxo sobre um poste alto na praça central de Itu, com árvores, postes e casarões coloridos ao fundo
O orelhão gigante na praça central de Itu. Foto: Danilomhadek / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0, editada com inteligência artificial

Itu, a cerca de 100 quilômetros da capital paulista, ficou famosa como a cidade dos exageros, com um orelhão gigante e um semáforo enorme na praça central. Mas a cidade vai muito além da foto divertida: tem igreja barroca de 1780, o museu onde nasceu o Partido Republicano Paulista, um parque com rochas de 280 milhões de anos e, desde 2024, dois programas novos, o antigo Museu TAM e o ateliê do artista Eduardo Kobra.

Fundada no começo do século 17, Itu é uma das cidades mais antigas do estado e é Estância Turística, e dá para conhecer boa parte dos atrativos em um dia, com o centro histórico percorrido a pé e um pulo de carro até os museus e o parque.

A praça dos exageros de Itu

O ponto de partida é a Praça Padre Miguel, a praça da matriz. Ali fica o orelhão gigante, instalado em 1973 pela antiga companhia telefônica Telesp e produzido na mesma fábrica dos orelhões comuns. É a foto obrigatória de quem passa pela cidade.

Na mesma praça está o semáforo gigante, criado nos anos 1970. Ele não é só enfeite: funciona como sinal de trânsito de verdade e precisa ser respeitado por motoristas e pedestres. Pela cidade há outros objetos em tamanho exagerado, e os restaurantes e lanchonetes entram na brincadeira com pastéis e sorvetes gigantes.

Fachada amarela e creme da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária, em Itu, com torre de relógio sob céu azul
A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária, em Itu. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

A praça é também o melhor ponto de partida para um passeio a pé pelo centro histórico, com casarões, igrejas e ruas estreitas do tempo colonial. A fama começou na televisão. O humorista ituano Francisco Flaviano de Almeida, o Simplício, interpretava um caipira no programa A Praça da Alegria, nos anos 1960, e vivia contando vantagem da cidade natal, dizendo que em Itu tudo era maior. A piada pegou, e a cidade transformou o exagero em atração.

O orelhão gigante de Itu foi instalado em 1973 na praça da matriz e virou a foto obrigatória da cidade dos exageros.

A Matriz de Nossa Senhora da Candelária

Ao lado do orelhão fica a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária, concluída em 1780 no lugar de uma capela mais antiga. Por dentro, ela é um dos exemplos mais ricos do barroco e do rococó no estado, com talha dourada e pinturas de José Patrício da Silva Manso, do padre Jesuíno do Monte Carmelo e de Almeida Júnior, pintor nascido em Itu. Almeida Júnior ficou conhecido por retratar a vida no interior paulista, em quadros como Caipira Picando Fumo, e é um dos nomes mais importantes da pintura brasileira do século 19.

Interior da igreja com altar-mor e colunas cobertos de talha dourada em estilo barroco
O interior da Matriz de Nossa Senhora da Candelária. Foto: Gabriel Soraggi / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

Numa restauração recente, a retirada de camadas de tinta branca revelou quadros a óleo com temas do Antigo Testamento, escondidos por mais de cem anos e atribuídos ao padre Jesuíno.

O Bar do Alemão, em Itu desde 1902

Na hora de comer, o endereço mais famoso da cidade é o Bar do Alemão. A casa nasceu em 1902 como padaria e confeitaria de um imigrante alemão, Adolf Steiner, e virou bar quando o filho, Max, passou a reunir os amigos depois do expediente para tomar cerveja e steinhäger. Hoje o prédio, em estilo enxaimel, com vigas de madeira aparentes, é um dos cartões-postais de Itu.

O prato que tornou o bar conhecido além da cidade é o filé à parmegiana, servido em porções generosas. Outra receita da casa é o filé Steiner, frito na manteiga, acebolado e com molho de tomate, criado por Max nos primeiros tempos do bar. Com mais de 120 anos, o Bar do Alemão virou programa obrigatório para quem visita Itu, e é bom chegar cedo nos fins de semana.

Casarão em estilo enxaimel, branco com vigas escuras e telhado de ardósia, do Bar do Alemão, em Itu
O Bar do Alemão, em Itu. Foto: Ken Chu / expressão studio, Banco de Imagens da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (recortada)

O Museu Republicano de Itu, onde a República ganhou força

A poucos quarteirões da praça fica o Museu Republicano Convenção de Itu, num sobrado do século 19 com fachada de azulejos. Foi ali que, em 18 de abril de 1873, aconteceu a Convenção de Itu, a reunião que fundou o Partido Republicano Paulista, peça importante no caminho da Proclamação da República. Por isso, a cidade ganhou o apelido de berço da República.

Sobrado de dois andares com fachada de azulejos azuis e sacadas de ferro, o Museu Republicano, em Itu
O Museu Republicano Convenção de Itu. Foto: Webysther Nunes / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0, editada com inteligência artificial

O museu faz parte do Museu Paulista, da Universidade de São Paulo, e guarda móveis, documentos e obras dos tempos do Império e da República, e tem entrada gratuita.

Museu Asas de um Sonho e o ateliê do Kobra, em Itu

A novidade mais recente de Itu está no Centro Cultural Fábrica São Pedro. Ali reabriu, em agosto de 2024, o Museu Asas de um Sonho, o antigo Museu TAM, que ficava em São Carlos e estava fechado desde 2016. Hoje o museu expõe 13 aeronaves do acervo original, além de veículos, maquetes e fotografias, e abre de quinta a domingo, das 12h às 18h. Na reabertura, o museu apresentou uma exposição sobre Santos-Dumont, com réplicas do 14-Bis e do Demoiselle, e ele é considerado um dos maiores museus de aviação das Américas.

No mesmo endereço fica o ateliê do muralista Eduardo Kobra, aberto ao público desde fevereiro de 2024. O espaço funciona como estúdio e galeria, com obras e murais do artista, e recebe visitantes de sexta a domingo, das 11h às 17h, com ingresso comprado pela internet. Em parceria com o Instituto Kobra, também sediado em Itu, o ateliê oferece visitas guiadas gratuitas para escolas públicas e instituições sociais.

Como os dois espaços abrem só na segunda metade da semana, o melhor é planejar a visita a Itu entre sexta e domingo, quando dá para ver os museus, o ateliê e o centro no mesmo passeio.

O antigo Museu TAM reabriu em Itu em 2024 com 13 aeronaves do acervo original.

Parque do Varvito, com rochas de 280 milhões de anos

Para quem gosta de natureza, o Parque Geológico do Varvito guarda um paredão de rochas em camadas finas formadas no fundo de um lago de degelo, numa era glacial de cerca de 280 milhões de anos atrás, quando uma grande camada de gelo cobria o sudeste da América do Sul. É o afloramento mais importante desse tipo de rocha no continente.

Grupo de visitantes diante de um paredão de rocha em camadas finas horizontais, no Parque do Varvito
O paredão de varvito no Parque Geológico do Varvito, em Itu. Foto: Ricardo Dagnino / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada)

O parque foi inaugurado em 1995, é tombado pelo Condephaat e tem entrada gratuita, com funcionamento de terça a domingo, das 8h às 17h. Além do paredão, há trilhas, lagos e pontos com nomes que brincam com o tempo geológico, como a Cascata do Antanho, o Lago dos Fósseis e a Gruta Lágrima do Tempo.

Itu também é ponto de partida do trem turístico que vai até Salto, e em outubro ele ganha a versão de Halloween, o Hallowtrain. Na cidade vizinha de Salto fica o parque com dinossauros e a cachoeira do Tietê.

Em Itu, o exagero virou marca, mas quem fica um pouco mais descobre igrejas, museus e um parque que contam histórias muito maiores que o orelhão.

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