Salto, no interior paulista, tem um parque com réplicas de dinossauros em tamanho real, uma cachoeira do Rio Tietê que deu nome à cidade, um mirante de vidro numa ponte estaiada e um trem histórico até Itu. A cidade tem 134.319 habitantes, segundo o Censo de 2022. No parque também está uma rocha de granito riscada por geleiras há cerca de 300 milhões de anos.
O visitante encontra parques ao lado do rio, um monumento de mais de 30 metros e uma cidade que já foi chamada de “Pequena Manchester Paulista”, pela força da indústria têxtil.
O parque de dinossauros e a história do mundo
O parque foi inaugurado em 1991 e tem mais de 43 mil metros quadrados. Foi reaberto em setembro de 2023, com o tema “A História do Mundo contada a céu aberto”, e tem painéis sobre as eras geológicas e a evolução da vida. Entre as 9 réplicas de dinossauros estão dois velociraptors e um braquiossauro de mais de 15 metros de altura.
O caminho é pavimentado e acessível, e há uma Caverna dos Hominídeos que representa a evolução humana. Segundo a prefeitura, mais de 150 mil pessoas visitaram o parque nos cinco primeiros meses depois da reabertura. Outra atração geológica do interior paulista, de outro tipo, é a Pedra Grande, em Atibaia.
A rocha riscada por geleiras, dentro do parque
A Rocha Moutonnée é um afloramento de granito rosado cuja superfície mostra estrias e caneluras, riscos e sulcos deixados por material que era arrastado por geleiras. Segundo a prefeitura, o granito tem cerca de 600 milhões de anos e dureza entre 6 e 7 na escala de Mohs, e os riscos da glaciação têm cerca de 300 milhões. O nome, do francês, lembra o dorso arredondado de uma ovelha.
É o único exemplar conhecido desse tipo na Bacia do Paraná, uma grande área geológica que abrange o interior de São Paulo e outros estados do Sul e do Centro-Oeste. Segundo a Wikipédia, a glaciação aconteceu no hemisfério sul, na Era Paleozoica, entre 270 e 350 milhões de anos atrás.
A Rocha Moutonnée de Salto é o único exemplar conhecido na Bacia do Paraná.
O geólogo Marger Gutmans identificou a rocha em 1946, e a descoberta foi importante para provar a origem glacial das rochas do Grupo Itararé. O Condephaat, órgão estadual de patrimônio, tombou a área em 1990, e o local é reconhecido como um dos sítios geológicos brasileiros desde 2000.
Salto do Tietê e as margens do rio
A cidade deve o nome à queda do Rio Tietê, o Salto do Tietê, perto da Praça Archimedes Lammoglia. O Complexo da Cachoeira reúne a Cachoeira do Salto Grande, considerada a maior queda do Médio Tietê, uma ponte pênsil histórica, o Caminho das Esculturas, o Jardim das Águas, a Calçada da Fama e um espaço de artesanato, com feira nos fins de semana. O Memorial do Rio Tietê é um museu construído sobre o próprio rio, com vista para as cachoeiras e exposições sobre a importância do rio para a cidade.

O Parque das Lavras, num antigo complexo hidrelétrico transformado em espaço de lazer, tem cerca de 140 mil metros quadrados ao lado do rio, com praça do granito, jardim das bromélias e um relógio de sol. Já o Parque Natural Ilha da Usina tem 70 mil metros quadrados e uma ponte de 230 metros, e nasceu da abertura da Usina Hidrelétrica de Porto Góes, na década de 1920. O Parque do Lago tem 214 mil metros quadrados e um lago natural de 75,1 mil, com pista de cooper e ciclovia. Na Ilha dos Amores, o Monumento os Enamorados representa um casal de apaixonados, e uma ponte metálica recebe cadeados. Para outra cachoeira do interior de São Paulo, de outro porte, há o Saltão, em Itirapina.
O Parque das Lavras tem cerca de 140 mil metros quadrados às margens do Rio Tietê.
Mirantes, monumentos e cultura
O Monumento a Nossa Senhora do Monte Serrat, inaugurado em 1980, tem mais de 30 metros e é descrito pelo guia Turismo Paulista como o maior monumento do Brasil erguido em homenagem a Maria, com mirante e capela. O Mirante da Ponte Estaiada tem vista para a junção dos rios Tietê e Jundiaí e é alcançado por um elevador panorâmico, até uma sala de vidro com vista de quase 360 graus.

O Museu da Cidade de Salto “Ettore Liberalesso”, inaugurado em 1991, é um museu-percurso, com unidades externas em parques da cidade e a Sala Giuseppe Verdi. A cidade também tem a Casa da Cultura e a Sala Palma de Ouro, teatro de 489 lugares aberto em 2009, que leva o nome do cineasta Anselmo Duarte, vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 1962. A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Monte Serrat foi construída em 1698 pelo fundador Antônio Vieira Tavares e reconstruída em 1936.
Trem da República, de Salto a Itu
A estação de trem de Salto é um dos atrativos históricos da cidade. Dali sai o Trem da República, que liga Salto a Itu num percurso de cerca de 7 quilômetros e cerca de uma hora. Ele foi reativado em 2020 como Trem Republicano e passou a se chamar Trem da República em setembro de 2024.
A ferrovia teve papel na escolha de Itu como sede da Convenção Republicana, em 1873, e a bordo atores encenam cenas de época. Outra ferrovia turística do interior paulista é a de Guararema, com a Maria Fumaça.

O Trem da República liga Salto a Itu num percurso de cerca de 7 quilômetros.
A “Pequena Manchester Paulista”
Salto fica a 555 metros de altitude, ocupa 134 quilômetros quadrados e é uma das 29 Estâncias Turísticas do estado. A capela foi inaugurada em 16 de junho de 1698, a cidade se emancipou em 1889 e ganhou o status de cidade em 1907. Na década de 1870, a indústria têxtil deu à cidade o apelido de “Pequena Manchester Paulista”, e a Brasital, fundada em 1919, marcou esse período.
O que o visitante encontra hoje é real e aberto a quem passa por lá: os dinossauros, a cachoeira, o mirante, o trem e a rocha riscada por geleiras.
Qual destas atrações de Salto você visitaria primeiro?


